🥇Matéria de Capa da Edição 245 da Revista Potência
Reportagem: Paulo Martins
O uso de sistemas de armazenamento de energia por baterias apresenta forte crescimento no Brasil e deve ser ainda mais impulsionado por leilão específico.
O mercado brasileiro de BESS (sigla em inglês para Battery Energy Storage System – Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias) apresenta plena expansão de vendas.
Solução inovadora, a tecnologia permite armazenar energia elétrica para que ela seja utilizada posteriormente, funcionando como uma espécie de “reserva estratégica” do sistema elétrico.
No momento o segmento aguarda com grande expectativa a realização de um leilão, que deverá impulsionar significativamente o crescimento dos negócios.
Conforme descreve Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), um sistema de armazenamento por baterias reúne diferentes tecnologias que atuam de forma integrada. Entre os principais componentes estão as células de baterias, responsáveis por armazenar energia; os inversores, que convertem a eletricidade para uso na rede; os sistemas de gerenciamento de baterias (BMS), que monitoram desempenho e segurança; e os softwares de gerenciamento de energia (EMS), que coordenam a operação do sistema para maximizar eficiência e confiabilidade. “Juntos, esses elementos permitem armazenar, controlar e disponibilizar energia de forma rápida e inteligente quando necessário”, sintetiza Lima.
O sistema armazena energia quando há disponibilidade de geração e a devolve à rede nos momentos de maior necessidade, como horários de pico de consumo ou períodos de menor geração renovável. Essa capacidade contribui para equilibrar oferta e demanda em tempo real. “Os objetivos são garantir maior confiabilidade ao fornecimento de energia, aumentar a flexibilidade do sistema elétrico e melhorar a integração de fontes renováveis, como solar e eólica. Os sistemas também ajudam a estabilizar a rede, responder rapidamente a oscilações de demanda e reduzir desperdícios de energia”, explica Fábio Lima.
Entre os principais benefícios do sistema estão a resposta rápida às necessidades da rede, a redução do desperdício de energia renovável, o aumento da segurança energética e a melhoria da estabilidade de frequência e tensão do sistema elétrico.
O diretor-executivo da ABSAE indica que o armazenamento por baterias vive uma das maiores expansões da história do setor elétrico. A capacidade instalada global já ultrapassa 250 GW, impulsionada principalmente por investimentos na China, nos Estados Unidos e na Europa. “No Brasil, embora o mercado ainda esteja em fase inicial, a capacidade instalada deve superar 1 GWh em 2026, com crescimento puxado por aplicações industriais, comerciais e pelos primeiros projetos de grande porte conectados ao sistema elétrico”, informa Fábio Lima.
O dirigente entende que o armazenamento por baterias é considerado um dos pilares da transição energética. “A tecnologia permite ampliar o uso de fontes renováveis sem comprometer a segurança do fornecimento, reduzindo o risco de interrupções causadas pela variabilidade climática”, justifica Lima.
Sobre o comportamento das vendas de soluções BESS, Lima diz que o mercado brasileiro apresenta crescimento principalmente nos segmentos corporativo e industrial, com demanda voltada para aumento da resiliência da rede, redução de oscilações e otimização de custos de energia.

Tudo nesse mercado é tão novo que as normas técnicas e os requisitos formais de conexão para sistemas BESS no Brasil ainda estão em fase de consolidação. “O Operador Nacional do Sistema Elétrico já estuda normas técnicas para conexão, mas as regras definitivas de integração ao Sistema Interligado Nacional ainda não foram oficialmente publicadas. Em distribuição, algumas concessionárias adotam diretrizes próprias, mas ainda não existe um padrão técnico nacional unificado”, destaca Lima.

“Os objetivos do BESS são garantir maior confiabilidade ao fornecimento de energia, aumentar a flexibilidade do sistema elétrico e melhorar a integração de fontes renováveis, como solar e eólica.” Fábio Lima – ABSAE
De qualquer forma, o executivo avalia que o marco regulatório avançou significativamente nos últimos anos. “A Lei nº 15.269/2025 reconheceu formalmente o armazenamento de energia no setor elétrico brasileiro, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica vem desenvolvendo regras específicas para conexão, operação e remuneração dos sistemas com a Consulta Pública 39/2023”, ressalta Lima.
Empresas avaliam andamento das vendas
Diogo Zaverucha, diretor da Unidade de Negócios de Armazenamento de Energia da Brasol conta que a demanda por soluções BESS tem crescido de forma consistente e acelerada nos últimos dois anos. “O mercado está em processo de amadurecimento: os clientes chegam às conversas muito mais preparados do que chegavam há dois ou três anos. A curva de aprendizado do lado da demanda avançou significativamente”, constata.
De acordo com o executivo, os principais vetores que se observam no momento são o aumento da volatilidade tarifária, a expansão do mercado livre de energia (que aproxima os grandes consumidores das variações de preço) e a crescente preocupação com confiabilidade de fornecimento. “Esses três fatores juntos criam um ambiente favorável à adoção do BESS independentemente de qualquer incentivo regulatório”, acredita Zaverucha.
O diretor da Brasol informa que a empresa desenvolveu um portfólio robusto de projetos para o futuro leilão de reserva de capacidade, distribuídos em diferentes regiões do Brasil e em diferentes configurações de potência e energia, totalizando aproximadamente 4 GW de capacidade desenvolvida. “Esses projetos estão em estágio avançado de maturidade, com estudos de solo, licenciamento ambiental, regularização fundiária e pré-contratos com fornecedores concluídos ou em fase final. Atuamos fortemente também junto a clientes privados, principalmente oferecendo redução em suas faturas de energia através do deslocamento de ponta”, comenta Zaverucha.
A Brasol atua com BESS em três verticais distintas. A primeira é o mercado de consumidores privados, onde oferece o modelo BESS as a Service para clientes comerciais, industriais, de mineração e do agronegócio. Nesse modelo, a Brasol realiza todo o investimento, implantação, operação e manutenção do ativo, sem qualquer necessidade de investimento pelo cliente. “Transformamos o que seria CAPEX em OPEX”, sintetiza Zaverucha.
O segundo segmento são as microredes, onde combina-se BESS com geração solar e geração a diesel para criar sistemas de energia autônomos ou semiautônomos, muito relevantes para o agronegócio em regiões com fornecimento de rede precário.
O terceiro segmento é o utility scale, com foco no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) e em projetos junto a distribuidoras e transmissoras, onde o BESS contribui para a melhoria da qualidade de rede, alívio de subestações e adequação de capacidade de escoamento.
“Em termos de aplicações técnicas, trabalhamos com soluções que atendem a diferentes necessidades: peak shaving (corte de demanda na ponta), time shifting (deslocamento de consumo entre ponta e fora ponta), backup de energia, melhoria de fator de potência, estabilização de tensão e frequência e fornecimento de capacidade firme para o sistema elétrico”, complementa Diogo Zaverucha.
Vanessa Huback, Head de Inteligência de Mercado da TYR Energia e Raphael Guimarães, diretor Comercial da TYR Energia revelam que a demanda por soluções BESS tem crescido de forma relevante nos últimos meses, especialmente entre clientes que buscam maior previsibilidade de custos, segurança operacional e alternativas para reduzir a exposição aos horários de maior tarifa. “Ao mesmo tempo, por ser uma venda mais consultiva e técnica, esses projetos em clientes de maior porte possuem um ciclo comercial mais longo. É uma venda mais estratégica e demanda uma análise detalhada do perfil de carga, das tarifas aplicáveis, da criticidade da operação e do retorno esperado do investimento”, explicam.

“O mercado está em processo de amadurecimento: os clientes chegam às conversas muito mais preparados do que chegavam há dois outrês anos. A curva de aprendizado do lado da demanda avançou significativamente.” DIOGO ZAVERUCHA – BRASOL
A TYR está avaliando projetos com diferentes finalidades, o que mostra a versatilidade do BESS. Entre os exemplos estão o deslocamento de consumo em horários de ponta em um hospital no Rio de Janeiro, a instalação de baterias em uma fábrica para evitar interrupções causadas por oscilações na rede elétrica e a aplicação em uma fazenda para reduzir quedas operacionais e o acionamento frequente de geradores a diesel. “Esses casos ilustram três usos centrais da tecnologia: redução do custo de energia, aumento da continuidade operacional e substituição ou complementação de fontes fósseis de backup”, resumem Vanessa e Raphael.
A TYR oferece soluções de armazenamento de energia customizadas de acordo com os perfis de consumo e os objetivos de cada cliente. A atuação vai desde o diagnóstico técnico e dimensionamento do sistema até a estruturação da melhor aplicação econômica, seja para deslocamento de carga, redução de custos em horários de ponta, backup energético, melhoria da qualidade de energia ou substituição parcial de geradores a diesel. “Além disso, a empresa também apoia o cliente na avaliação de modelos de viabilidade e alternativas de financiamento, tornando a solução mais aderente à realidade operacional e financeira de cada projeto”, ressaltam Vanessa e Raphael.

Segundo David Silva, diretor de Engenharia da Ludfor, a empresa está hoje com um grande volume de negócios em andamento a título de estudos e alguns em fase de implantação. “Estamos voltados atualmente para as vendas de soluções técnicas e financeiras com foco na engenharia do proprietário para os nossos clientes”, esclarece. A Ludfor desenvolve soluções para vários segmentos, sejam para melhoria na qualidade do fornecimento, sejam para uso em horário de ponta e backup.
Alexandre Sperafico, CEO da Enerzee, informa que as vendas têm aumentado progressivamente mas observa que os consumidores ainda não conhecem todas as funcionalidades do BESS e seus benefícios. “Trata-se de um produto que ainda exige um trabalho de conscientização e educação do mercado para que as pessoas entendam quais vantagens ele pode oferecer, desde aplicações residenciais até o comércio e a indústria, especialmente em locais que enfrentam problemas de qualidade de energia e perdas operacionais. À medida que os consumidores compreendem melhor como a tecnologia pode atender às suas necessidades, as vendas vêm crescendo de forma consistente”, analisa.
O principal projeto que a Enerzee tem atualmente é o de Serra da Saudade, desenvolvido em parceria com a Cemig. Trata-se de uma microrrede que atende toda a cidade, conectada a uma usina solar e à rede da concessionária.
Em casos de falta de energia ou oscilações no fornecimento, essa microrrede assume a operação do sistema elétrico local. Como resultado, a cidade reduziu em cerca de 90% os problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica. “Além desse projeto, temos iniciativas em andamento nos setores de mineração, agronegócio e agroindústria, além de diversos sistemas residenciais já instalados em diferentes regiões do Brasil”, completa Sperafico.
A Enerzee oferece praticamente todo o portfólio de soluções BESS, desde sistemas residenciais de pequeno porte e soluções para o segmento comercial do Grupo B até projetos para indústrias e agronegócio. “Atendemos grandes indústrias e grandes fazendas, com sistemas capazes de fornecer energia por horas ou até dias, dependendo da necessidade da operação.
No segmento residencial, oferecemos desde sistemas conectados à rede, com ou sem integração com energia solar, até soluções que permitem manter o fornecimento de energia para as residências em casos de interrupção da rede elétrica. Esses sistemas conseguem alimentar a casa por algumas horas ou até alguns dias, de acordo com a necessidade de cada cliente”, detalha Sperafico.
Perspectivas de crescimento do mercado
O armazenamento de energia por baterias ainda é uma tendência futura ou já é algo concreto no mercado brasileiro? Para Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE, o armazenamento deixou de ser uma tecnologia experimental e passou a ser uma solução comercialmente viável para diversos segmentos. Ele cita que as empresas já utilizam baterias para reduzir custos, aumentar a segurança energética e melhorar a gestão do consumo de energia. As perspectivas para a área são positivas. “As projeções indicam expansão acelerada do setor nos próximos anos. Globalmente, os novos acréscimos de capacidade devem ultrapassar 450 GWh anuais a partir de 2026. No Brasil, estudo da ABSAE aponta potencial para movimentar cerca de R$ 77 bilhões em investimentos até 2034, com instalação de aproximadamente 72 GWh de capacidade de armazenamento”, revela Lima.
Diogo Zaverucha, da Brasol, considera que no mercado de consumidores comerciais, industriais e de mineração, o BESS já é uma realidade concreta e operacional no Brasil. “Há projetos rodando, gerando resultado financeiro mensurável para clientes, e a tecnologia está comprovada em condições reais da rede elétrica brasileira”, aponta.
Já para o segmento utility scale, prossegue Zaverucha, ainda estamos na fase de estruturação do mercado. “O leilão de reserva de capacidade será o evento que vai transformar o potencial em realidade em larga escala, assim como os primeiros leilões de energia eólica e solar fizeram com essas fontes. O BESS chega ao leilão com tecnologia madura, custos competitivos e cadeia de fornecimento global bem estabelecida. Não estamos em uma curva de aprendizado tecnológico, estamos em uma curva de aprendizado regulatório e de mercado no Brasil”, entende o diretor da Brasol.
Para o executivo, as perspectivas são muito expressivas. Ele diz que estudos de consultorias especializadas e projeções internas apontam a necessidade de contratação de 2 a 5 GW de armazenamento para entrega de capacidade firme no Brasil até 2030, somente considerando as necessidades mais imediatas do sistema elétrico. “Esse número tende a crescer significativamente à medida que a penetração de renováveis intermitentes continue avançando na matriz”, comemora Zaverucha.

Na opinião do diretor da Brasol, o Brasil reúne condições estruturais muito favoráveis: uma das matrizes elétricas com maior participação de renováveis do mundo, alta irradiação solar, expansão acelerada da geração distribuída e tarifas de energia entre as mais elevadas globalmente para o consumidor final. “Esses fatores criam tanto a necessidade quanto a viabilidade econômica para o armazenamento. O que ainda precisa avançar são os fundamentos regulatórios e, principalmente, os sinais tarifários que reflitam a realidade da oferta e demanda hora a hora. Mercados como Chile e Texas (Estados Unidos) demonstram como a precificação dinâmica da energia viabiliza o BESS de forma orgânica e sustentável. O Brasil tem os ativos físicos para isso; falta completar o arcabouço de mercado”, acredita Zaverucha.
Para Vanessa Huback e Raphael Guimarães, da TYR Energia, o armazenamento por baterias já é uma realidade concreta, e vem crescendo de forma acelerada. “O país já possui mais de 600 MWh de capacidade instalada, sendo que 70% dos sistemas operam em áreas isoladas. Mas o avanço em aplicações ‘atrás do medidor’ (consumidores comerciais e industriais conectados à rede) tem sido o movimento mais expressivo no último ano”, constatam.
Os executivos consideram que agora estamos em um período de transição de uma fase de projetos-piloto e provas de conceito para uma fase de adoção comercial mais consistente. “Essa mudança é impulsionada pela queda dos custos das baterias, pela maior necessidade de flexibilidade no sistema elétrico e pela evolução do arcabouço regulatório. Com o fim dos descontos da energia incentivada para novos contratos e o avanço das discussões sobre tarifas horárias, o valor do BESS passa a estar cada vez mais associado à capacidade de deslocar consumo, reduzir custos em horários críticos e tornar a gestão energética mais ativa”, explicam.
Vanessa e Raphael entendem que o potencial de crescimento é bastante expressivo. “A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) projetou que o Brasil pode chegar a 10 GW em armazenamento até 2035, condicionado a um marco legal estável. Esse crescimento é sustentado por três vetores estruturais: a expansão acelerada das fontes intermitentes (solar e eólica), a necessidade crescente de flexibilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional), inclusive diante de fenômenos como o curtailment, e a maior valorização de atributos como confiabilidade, qualidade de energia e previsibilidade dos custos pelos consumidores”, destacam os especialistas.


“Estamos em um período de transição de uma fase de projetos-piloto e provas de conceito para uma fase de adoção comercial mais consistente.” VANESSA HUBACK e RAPHAEL GUIMARÃES – TYR ENERGIA
David Silva, da Ludfor, entende que nesse momento estamos exatamente na fronteira da entrada dessa tecnologia no mercado nacional, ainda no estágio de quebra de paradigmas e educação dos consumidores, em um trabalho muito intenso de convencimento, viabilidade técnica e financeira desses projetos. “Acreditamos que o BESS ainda figura como uma tendência, porém, no curto prazo será uma realidade e vai contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento do cenário energético nacional”, opina.
Para David Silva, esse mercado tem um potencial de crescimento exponencial, similar ao que aconteceu com a energia solar, pois há oportunidades de aplicação em diversas áreas, como qualidade no fornecimento de energia, corte de consumo no horário de ponta, segurança energética como backup, além da viabilidade para novas migrações no mercado livre sem desconto no fio.
Para Alexandre Sperafico, CEO da Enerzee, as perspectivas de crescimento do mercado de BESS para 2026 são muito positivas. “Como se trata de uma tecnologia relativamente nova, ainda existe um mercado amplo a ser explorado, especialmente nos segmentos industrial, comercial e residencial”, vislumbra. “No mercado residencial, por exemplo, há uma crescente preocupação com interrupções no fornecimento de energia, principalmente em cidades como São Paulo e em outras regiões do país que vêm registrando quedas frequentes. Diante desse cenário, cada vez mais consumidores estão investindo em sistemas de armazenamento. Por isso, acreditamos em um crescimento significativo da tecnologia em todo o Brasil”, sintetiza Sperafico.
Expectativas para realização de leilão
Está prevista para este ano a realização de um Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) voltado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias. O clima no mercado é de grande expectativa em relação ao desenvolvimento que o certame poderá estimular.
Para Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE, a previsão de contratação de armazenamento nos próximos leilões representa um marco para o setor. “Com a publicação da Portaria 136/2026, que estabelece as diretrizes do LRCAP-BESS, o Ministério de Minas e Energia sinaliza demanda de longo prazo, sobretudo porque o mecanismo deve atrair investimentos, estimular a instalação de fábricas e fornecedores no país e acelerar a inserção das baterias como um recurso estratégico para a segurança energética brasileira”, acredita.
Diogo Zaverucha, da Brasol, também vê o leilão como um evento de importância histórica para o setor. “O Leilão de Reserva de Capacidade para BESS representa a primeira grande contratação pública de armazenamento de energia no Brasil e vai ter um papel estruturante para o mercado, comparável ao que os primeiros leilões de eólica e solar tiveram para essas indústrias”, compara.
O executivo explica que o leilão faz isso em várias dimensões, simultaneamente. Ele cria um mecanismo de remuneração de longo prazo que permite financiar projetos de grande porte. O certame também atrai fabricantes, EPCs e prestadores de serviço que até então não se estabeleceram com presença mais robusta no Brasil por falta de volume de mercado. O leilão ainda gera aprendizado institucional, tanto para os agentes privados quanto para o regulador e o ONS. E ele sinaliza ao mercado que o armazenamento é infraestrutura estratégica reconhecida pelo Estado. “Os estudos indicam que a contratação de 2 a 5 GW até 2030 seria suficiente para destravar toda a cadeia produtiva, incluindo movimentos de manufatura nacional. A Brasol está preparada para contribuir de forma relevante nesse leilão, com portfólio desenvolvido e parcerias estruturadas”, garante Zaverucha.
Vanessa Huback e Raphael Guimarães, da TYR Energia, lembram que as diretrizes para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade dedicado exclusivamente a sistemas BESS foram colocadas em consulta pública pelo MME em novembro de 2025. A proposta prevê contratos de Potência de Reserva de Capacidade com prazo de 10 anos e início de suprimento em agosto de 2028, com projetos de potência mínima de 30 MW, capacidade de descarga de até 4 horas diárias e recarga em até 6 horas.
“A expectativa inicial era de realizar o certame em abril de 2026, mas o edital ainda não foi publicado. O MME tem prometido divulgar o edital em breve, mas a data segue indefinida, em meio a discussões sobre conteúdo local, alocação de custos de uso da rede e ajustes regulatórios trazidos pela nova Lei de Modernização do Setor Elétrico”, informam.
Para os especialistas da TYR Energia, o leilão é importante por três razões. Primeiro, estabelece um mecanismo regulado e previsível de remuneração para o ativo, o que destrava decisões de investimento que hoje dependem exclusivamente de modelos privados de retorno. Segundo, sinaliza institucionalmente que o BESS deixa de ser visto como tecnologia experimental e passa a ser reconhecido como infraestrutura crítica para a operação do SIN, ao lado de hidrelétricas e termelétricas. Terceiro, abre caminho para projetos de grande porte (utility scale), complementando o avanço já consolidado das aplicações comerciais e industriais “atrás do medidor”.
Para David Silva, diretor de Engenharia da Ludfor, o leilão de BESS, se contratado corretamente, para que haja uma conexão nos pontos do sistema elétricos nacional onde temos restrição no fluxo de potência nos momentos de pico da geração solar e eólica, irá ajudar na solução do curtailment (corte ou redução forçada na geração de energia da usina). “Com isso, teremos um aproveitamento melhor na geração de energia dessas usinas, trazendo mais oferta para o mercado, melhor alocação da geração e aumento na confiabilidade da operação do sistema”, enumera. Do ponto de vista financeiro, Silva diz que é esperada uma melhor projeção do preço futuro para o mercado livre de energia,como também a redução dos encargos, proveniente de uma menor necessidade de despacho térmico e um melhor aproveitamento da operação hídrica com a manutenção dos níveis dos reservatórios.
Alexandre Sperafico, CEO da Enerzee, considera que o leilão é muito importante porque os sistemas de armazenamento têm um papel fundamental na estabilização do sistema elétrico brasileiro. “Além disso, as baterias ajudam a reduzir o chamado curtailment, que é a perda de energia gerada por fontes renováveis, como solar e eólica. Atualmente, o Brasil enfrenta cortes de geração que geram prejuízos significativos para o setor. Com sistemas de armazenamento, é possível guardar a energia produzida e utilizá-la no momento mais adequado, em vez de consumi-la apenas quando é gerada. Portanto, a implantação de baterias traz benefícios importantes para todo o mercado e é fundamental que esse processo avance o mais rapidamente possível”, opina.

Setores onde a tecnologia se destaca
Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE, diz que a tecnologia BESS possui aplicações em diversos segmentos da economia. Pode ser utilizada por geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia, em projetos de energia solar e eólica, por grandes consumidores industriais e comerciais e em regiões isoladas não conectadas ao Sistema Interligado Nacional.
Diogo Zaverucha, da Brasol, comenta que uma das características mais notáveis do BESS é sua versatilidade de aplicação, que o distingue de praticamente qualquer outra tecnologia do setor elétrico.
Ele aponta que do ponto de vista de segmentos de mercado, o BESS atende com proposta de valor específica em cada um.
No segmento comercial e industrial, a aplicação mais imediata é o deslocamento de consumo entre horários tarifários. Em regiões com alta diferença de tarifa entre ponta e fora de ponta, o retorno financeiro é direto e mensurável na fatura de energia.
No agronegócio, o BESS é um componente essencial na formação de microredes que combinam geração solar, diesel e baterias. “Isso permite aumento da possibilidade de consumo quando a distribuidora de energia apresenta limitações de fornecimento, além de autonomia operacional em regiões com rede frágil e reduz a dependência de diesel, com impacto direto no custo e na pegada de carbono da operação”, esclarece Zaverucha.
Na mineração, a demanda por qualidade de energia é o principal driver. “Empresas localizadas nas extremidades de linhas de distribuição convivem com problemas crônicos de tensão e frequência que afetam diretamente a produção e os equipamentos. O BESS resolve esse problema de forma definitiva”, indica o executivo da Brasol.
Para distribuidoras e transmissoras, o BESS serve como ativo de rede, aliviando subestações sobrecarregadas, adiando investimentos em expansão de capacidade e melhorando indicadores de qualidade de fornecimento.
Por fim, Zaverucha diz que no utility scale o BESS provê capacidade firme e serviços ancilares ao sistema, como regulação de frequência e controle de tensão, funções hoje exercidas por usinas hidrelétricas e termelétricas.

“O mercado tem um potencial de crescimento exponencial, similar ao que aconteceu com a energia solar, pois há oportunidades de aplicação em diversas áreas, como qualidade no fornecimento de energia, corte de consumo no horário de ponta, segurança energética como backup, além da viabilidade para novasmigrações no mercado livre sem desconto no fio.” DAVID SILVA – LUDFOR
Vanessa Huback e Raphael Guimarães, da TYR Energia, consideram que o BESS é uma tecnologia transversal, mas indicam que algumas verticais despontam pelo retorno econômico mais claro:
- Indústria de processo contínuo (química, alimentos, papel e celulose, siderurgia) – para garantir qualidade de energia, evitar paradas por afundamentos de tensão e reduzir custos com demanda de ponta.
- Mineração e agronegócio – especialmente em locais com rede elétrica precária ou sistemas isolados, substituindo ou complementando geradores a diesel.
- Hospitais e data centers – pela criticidade da continuidade operacional e pela compatibilidade do BESS com o papel hoje exercido por nobreaks e geradores.
- Comércio e serviços (shoppings, redes de varejo, supermercados) – pelo gerenciamento de demanda contratada e arbitragem tarifária.
- Geradoras renováveis (solar e eólica) – para mitigar intermitência, postergar geração em momentos de preço baixo e oferecer serviços ancilares.
“Geograficamente, a atratividade é maior em regiões com alta diferença entre tarifas de ponta e fora de ponta. A diferença entre a tarifa de ponta e fora de ponta é bastante elevada em estados como Bahia, Pará, Tocantins e Piauí, o que já demonstra viabilidade econômica para aplicações de time shift”, complementam os executivos da TYR Energia.
David Silva, diretor de Engenharia da Ludfor comenta que o sistema elétrico brasileiro tem enfrentado sérios problemas de qualidade no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões, e, nesse ponto, o BESS é uma solução técnica viável para melhorar a qualidade e confiabilidade no fornecimento de energia elétrica. “Olhando para a questão da viabilidade financeira em algumas distribuidoras de energia do Brasil, é possível viabilizar a aplicação do BESS para operação em horário de ponta para reduzir os encargos cobrados na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD)”, completa Silva.
O diretor da Ludfor diz ainda que com a mudança na legislação para entrada de novas unidades consumidoras no mercado livre com o fim do desconto das fontes de energia elétrica incentivada, o BESS passa a figurar nesse novo cenário como uma alternativa interessante para redução dos custos de energia elétrica. “Quando pensamos na aplicação dessa solução para a qualidade no fornecimento de energia, ela é interessante para todos os setores; quando o foco da solução é o retorno financeiro, precisamos avaliar principalmente se a unidade consome energia no horário de ponta e realizar um estudo de viabilidade considerando os custos de uso da rede e custos pagos com a energia elétrica”, orienta David Silva.
Alexandre Sperafico, CEO da Enerzee, diz que praticamente qualquer setor da economia pode utilizar sistemas BESS. No entanto, aponta o executivo, os maiores benefícios costumam ser observados na indústria, onde problemas de qualidade de energia podem gerar perdas financeiras, queda de produtividade, interrupções na produção e custos elevados para retomar as operações após uma falha elétrica. “O armazenamento de energia oferece maior confiabilidade ao sistema, garantindo que as operações continuem funcionando mesmo diante de oscilações ou interrupções na rede. Além da indústria, setores como agronegócio, agroindústria e mineração também se beneficiam fortemente da tecnologia. De forma geral, toda atividade que dependa de estabilidade energética pode obter ganhos significativos com o uso de BESS, reduzindo perdas e aumentando a eficiência operacional. Em muitos casos, o investimento apresenta retorno relativamente rápido”, frisa Sperafico.

“Como se trata de uma tecnologia relativamente nova, ainda existe um mercado amplo a ser explorado, especialmente nos segmentos industrial, comercial e residencial.” ALEXANDRE SPERAFICO – ENERZEE
Comportamento dos custos
Fábio Lima, diretor-executivo da ABSAE, informa que os custos dos sistemas de armazenamento vêm registrando quedas expressivas nos últimos anos, acompanhando a expansão global da produção de baterias. “Essa tendência tem ampliado a competitividade da tecnologia e acelerado sua adoção em diferentes aplicações”, observa.
Diogo Zaverucha, da Brasol, confirma que os custos dos sistemas BESS caíram de forma expressiva na última década, acompanhando a trajetória que o setor solar percorreu antes. “O preço de células de bateria de íon-lítio (especialmente a química LFP, que é a predominante em aplicações estacionárias) caiu mais de 80% nos últimos dez anos, em termos reais. Esse movimento foi impulsionado pelo crescimento em escala da manufatura chinesa e pela maturação tecnológica”, indica.
Nos últimos dois a três anos, no entanto, a queda desacelerou. “O mercado se estabilizou em patamares que já permitem competitividade clara frente a alternativas como geração termelétrica para provimento de capacidade firme. A perspectiva para os próximos anos é de relativa estabilidade de preços, com reduções mais graduais impulsionadas por melhorias de densidade energética e eficiência de manufatura, sem a queda abrupta que vimos anteriormente”, prevê Zaverucha.
Um ponto relevante para o mercado brasileiro, observa o executivo da Brasol, é que a competitividade do BESS hoje já é suficiente para entregar capacidade firme com custos iguais ou inferiores aos das térmicas contratadas nos últimos leilões de reserva de capacidade. “Não há, portanto, justificativa de custo para adiar a contratação”, orienta.

Para Vanessa Huback e Raphael Guimarães, da TYR Energia, a trajetória de custos é, sem dúvida, o principal vetor de viabilização do BESS. Eles citam que segundo a BloombergNEF, os custos médios dos sistemas de armazenamento de energia caíram cerca de 75% entre 2018 e 2025, e devem cair mais 25% até 2035. Dados da EPE mostram que, entre 2017 e 2024, o pack de baterias de íon-lítio passou de US$ 266/kWh para US$ 115/kWh, enquanto o sistema completo reduziu de US$ 614/kWh para US$ 165/kWh no mesmo período. Em 2025, o preço médio global de um sistema BESS turnkey atingiu US$ 117/kWh, uma queda de 31% em relação ao ano anterior, segundo a BloombergNEF.
Os executivos relatam que no Brasil os preços ainda são superiores aos benchmarks internacionais. “Estudo da ABSAE/Newcharge aponta valores para 2025 de R$ 1.362,54/kWh para sistemas de grande porte e R$ 1.167/kWh para aplicações comerciais e industriais, com tendência de redução de 28% na próxima década. Dois fatores brasileiros pesam sobre o CAPEX local: a exposição cambial — uma vez que aproximadamente 80% do custo é dolarizado — e o frete internacional, já que baterias são classificadas como carga perigosa. Por isso, mesmo com a queda global, o ritmo de redução no Brasil depende também de variáveis macroeconômicas. Em termos de tendência, a expectativa é de continuidade da queda, mas em ritmo mais moderado do que no biênio 2023–2024, que foi atípico”, analisam Vanessa e Raphael.

Para David Silva, diretor de Engenharia da Ludfor, neste momento o mercado está muito competitivo e voltado para o desenvolvimento da tecnologia BESS. Desta forma, estamos acompanhando o desenvolvimento dessas soluções com aumento da eficiência e redução gradativa do custo de implantação. “Atualmente, conseguimos viabilizar projetos de implantação dessa solução com um horizonte de retorno de 4 a 5 anos, e em algumas distribuidoras específicas, em até 3 anos, a depender do cenário que é construída a solução de implantação do BESS”, revela.
Alexandre Sperafico, CEO da Enerzee, entende que os custos dos sistemas BESS estão relativamente estáveis neste momento. “Existe uma forte demanda global por baterias, o que chegou a gerar uma tendência de alta em determinados períodos. No entanto, à medida que novas tecnologias forem desenvolvidas e a indústria evoluir, a expectativa é de redução gradual dos preços, como ocorre com a maioria das tecnologias. Portanto, embora os valores estejam estabilizados atualmente, a tendência de longo prazo é de queda nos custos”, acredita.
OPINIÃO – A próxima revolução do setor elétrico não está na geração, mas no armazenamento
Durante muitos anos, a transição energética foi tratada como uma corrida pela expansão das fontes renováveis. O foco estava na construção de usinas solares, parques eólicos e na redução da dependência de combustíveis fósseis. Mas o setor elétrico começa a entrar em uma nova etapa, em que o desafio já não é apenas gerar energia limpa, e sim conseguir utilizá-la de forma mais eficiente.
É justamente nesse ponto que as baterias passam a ganhar protagonismo.
Até pouco tempo, o armazenamento de energia parecia um tema distante da realidade brasileira, mais associado a mercados maduros como Estados Unidos, China e Austrália. Hoje, essa percepção mudou. Mesmo ainda em estágio inicial na adoção de sistemas BESS (Battery Energy Storage System), o Brasil já começa a perceber que o armazenamento deixou de ser apenas uma aposta futura para se tornar uma necessidade estrutural do setor elétrico.
E a explicação é simples. O país avançou rapidamente na expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica. O problema é que, diferentemente das fontes tradicionais, elas não geram energia de forma constante. A fonte solar produz mais durante o dia e perde força justamente quando o consumo continua elevado. A eólica, por sua vez, depende das condições de vento.
O resultado é que o sistema elétrico brasileiro começa a enfrentar um paradoxo importante: em alguns momentos existe excesso de geração renovável, mas sem capacidade suficiente de consumo ou escoamento. Isso aumenta o chamado curtailment, quando parte da energia limpa gerada precisa ser desperdiçada.
É aí que as baterias assumem um papel estratégico. O armazenamento permite deslocar energia no tempo, reduzindo os efeitos da intermitência das renováveis. Na prática, a energia gerada durante o dia pode ser utilizada em horários de maior demanda, o que melhora o equilíbrio entre oferta e consumo, reduz desperdícios e diminui o acionamento de usinas térmicas.
Não é à toa que estamos vendo o ambiente regulatório começar a se mover nessa direção. O governo brasileiro já sinaliza a possibilidade de contratação de armazenamento em futuros leilões de energia, um passo importante para acelerar o mercado nacional de baterias. Historicamente, foi justamente assim que tecnologias como solar e eólica ganharam escala no país, com previsibilidade regulatória e segurança para investimento.
O fator econômico também mudou. Durante anos, o alto custo das baterias limitou projetos em larga escala. Mas a expansão global da indústria de veículos elétricos, especialmente na China, acelerou a produção e reduziu significativamente o preço das baterias de íons de lítio.
Por isso, a discussão já não gira mais em torno de “se” o armazenamento será viável no Brasil, mas de onde ele começará a gerar mais valor econômico primeiro.
E esse movimento já começou. Empresas passaram a olhar para energia de forma mais estratégica, buscando maior previsibilidade, autonomia e controle operacional.
Nesse contexto, o BESS ganha espaço em setores como indústria, agronegócio, mineração, hospitais, data centers, logística e grandes operações comerciais, especialmente em aplicações Behind-the-Meter, em que a bateria é instalada diretamente na unidade consumidora.
Na prática, o BESS viabiliza modelos econômicos capazes de resolver desafios operacionais e financeiros relevantes para grandes consumidores, como:
- Arbitragem tarifária e controle de pico de demanda (peak shaving): o sistema permite realizar o time-shift, armazenando energia em horários de menor custo e injetando-a na rede interna justamente durante os períodos tarifários mais caros. Esta estratégia é crucial no Brasil, onde a tarifa em horário de ponta pode ser até 9 vezes maior que a tarifa fora de pico, gerando uma economia exponencial. Além disso, a bateria atua no controle de picos de demanda, o que reduz os encargos relacionados à demanda contratada e evita multas por ultrapassagem.
- Resiliência e continuidade operacional (backup): em um cenário com muitos eventos de falta de energia e maior pressão sobre a infraestrutura elétrica, o BESS assegura o fornecimento imediato e ininterrupto. Ele fornece backup de energia de alta qualidade e com tempo de resposta ultrarrápido. Essa aplicação permite a substituição de geradores a diesel, oferecendo uma alternativa mais sustentável, silenciosa e com menor custo de manutenção.
- Atenuação de gargalos da rede: em áreas urbanas ou industriais com infraestrutura elétrica saturada, as distribuidoras frequentemente não conseguem atender pedidos de aumento de demanda por falta de espaço e capacidade na rede. Nesses casos, a bateria pode ser a solução para atenuar esse gargalo, pois permite otimizar o uso da capacidade já contratada, reduzindo a necessidade de investimentos em expansão da rede.
Ao mesmo tempo, o consumidor também começa a assumir um papel mais ativo no setor elétrico, com maior controle sobre produção, consumo e gestão da própria energia. A expansão do mercado livre acelera essa transformação e aumenta a demanda por soluções capazes de trazer flexibilidade operacional e maior autonomia energética.

Por isso, as baterias não devem ser vistas apenas como equipamentos tecnológicos. Elas representam uma mudança estrutural na lógica de funcionamento do setor elétrico.
É certo que o Brasil ainda enfrenta desafios regulatórios e econômicos importantes, mas a direção parece clara: o futuro do setor elétrico não será apenas renovável. Ele dependerá cada vez mais da capacidade de armazenar, gerenciar e deslocar energia com eficiência.

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