🥇 Matéria de Capa da Edição 247 da Revista Potência
Reportagem: Paulo Martins
Expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, do 5G, do uso intensivo de dados e da transformação digital das empresas vem impulsionando uma demanda crescente por infraestrutura de processamento e armazenamento.
O avanço da aplicação da Inteligência Artificial (IA) em todo o mundo vem ampliando a necessidade de construção de novos data centers. O Brasil acompanha essa tendência e já é o principal polo da América Latina nessa área de negócios, caminhando para ocupar posição de destaque no cenário global.
As vendas dos fabricantes do setor eletroeletrônico que fornecem soluções para data centers estão em alta.
Já as operadoras desses empreendimentos garantem que a sustentabilidade e a eficiência são prioridades em sua atuação, em resposta aos desafios do mercado, como a exigência crescente de disponibilidade de energia elétrica para alimentar as estruturas funcionando.
Conheça a seguir um pouco do trabalho de sete companhias que atuam no mercado brasileiro de data center, fornecendo soluções ou operando as estruturas.

Case Siemens
Na opinião de Engelbert de Oliveira, Head de Estratégia e Negócio da área de Smart Infrastructure da Siemens, o mercado brasileiro de data centers vive um momento de expectativa para forte expansão e consolidação no cenário global. Ele observa ainda que o Brasil já se posiciona como o principal mercado de data centers da América Latina, impulsionado pela transformação digital, crescimento da computação em nuvem, avanço da Inteligência Artificial (IA) e aumento exponencial da demanda por processamento e armazenamento de dados.
“O avanço da Inteligência Artificial intensificou a demanda por data centers, reforçando seu papel como infraestrutura crítica para a economia digital. O Brasil reúne atributos estratégicos que o tornam atrativo para investidores globais, como matriz elétrica predominantemente renovável, disponibilidade de energia em diversas regiões, conectividade internacional e território com potencial para expansão de novos espaços. Na visão da Siemens, estamos diante de uma oportunidade única para consolidar o Brasil como um dos principais destinos globais para investimentos em infraestrutura digital”, analisa Engelbert.
O executivo da Siemens aponta que à medida que os data centers se tornam mais relevantes para a economia e para as aplicações de IA, cresce a demanda por soluções capazes de garantir resiliência operacional, confiabilidade energética, segurança e eficiência ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento, do planejamento à operação. “Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura elétrica, ciclo de expansão das linhas de transmissão, acesso à rede e ambiente regulatório que traga segurança para os investidores. A evolução desses fatores será determinante para transformar o potencial brasileiro em liderança global no segmento”, complementa.

Engelbert informa que a demanda por soluções voltadas ao segmento de data centers segue em forte crescimento. “A Siemens é uma das principais fornecedoras de tecnologias para data centers, desenvolvendo soluções que impulsionam as principais tendências que estão transformando o setor, como eletrificação, digitalização, Inteligência Artificial e eficiência energética, acompanhando a expansão desse mercado no Brasil e no mundo. Esse posicionamento é sustentado por investimentos contínuos em inovação e capacidade produtiva. Recentemente, a Siemens anunciou um investimento de €300 milhões na Alemanha para ampliar a produção de tecnologias de distribuição elétrica voltadas à infraestrutura crítica, incluindo data centers, reforçando o compromisso da companhia com o crescimento desse mercado em escala global. No Brasil, essa estratégia já se reflete em uma base instalada relevante e na participação em projetos de data centers de diferentes perfis. Atuamos de forma integrada com nossas equipes globais para trazer ao mercado brasileiro as tecnologias e melhores práticas desenvolvidas internacionalmente, adaptando-as às necessidades locais e contribuindo para a evolução da infraestrutura digital do país”, destaca o executivo.
Segundo Engelbert, as perspectivas para o segmento de data centers nos próximos anos no Brasil são bastante positivas. A expectativa é de continuidade dos investimentos, impulsionada pelo crescimento da Inteligência Artificial, pela digitalização da economia e pela crescente demanda por serviços em nuvem, conectividade e processamento de dados. “Esse movimento está acelerando a construção de data centers em uma escala sem precedentes, ampliando a necessidade de infraestrutura digital e de energia elétrica confiável”, pondera o especialista da Siemens.
Ele indica que esse crescimento também amplia o desafio energético. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo de eletricidade dos data centers mais que dobrará até 2030, alcançando cerca de 945 TWh por ano no mundo, impulsionado principalmente pelas cargas de IA, que podem consumir até dez vezes mais energia do que aplicações tradicionais. Segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) e a Brasscom, o Brasil passou de 843 MW de capacidade instalada em 2024 e deve ultrapassar 3,1 GW até 2031, refletindo o forte potencial de expansão do setor. Estimativas da entidade também apontam que essa demanda por capacidade computacional poderá movimentar até US$ 930 bilhões em investimentos e impactos econômicos ao longo dos próximos anos. “Na visão da Siemens, esse crescimento representa uma oportunidade para transformar os data centers em ativos estratégicos. O futuro aponta para empreendimentos cada vez mais inteligentes, com capacidade de evoluir para o conceito de prosumers, consumindo, gerando, armazenando e gerenciando energia de forma integrada, por meio de microgrids, sistemas de armazenamento e maior interação com o grid. Essa evolução contribuirá para aumentar a flexibilidade e a estabilidade do sistema elétrico, além de acelerar a conexão de novos empreendimentos. Nesse contexto, a integração entre eletrificação, automação e digitalização será fundamental para garantir eficiência, confiabilidade, resiliência e sustentabilidade ao crescimento do setor”, prevê Engelbert.
A Siemens atua de forma integrada ao longo de todo o ciclo de vida dos data centers, conectando eletrificação, automação e digitalização para garantir maior disponibilidade, eficiência energética, confiabilidade operacional e escalabilidade da infraestrutura. “Nosso portfólio abrange soluções para distribuição e proteção elétrica de média e baixa tensão, gerenciamento e monitoramento de energia, automação predial, proteção contra incêndio, gerenciamento integrado de edifícios (BMS) e plataformas digitais, como o Digital Twin, que integram toda a infraestrutura do data center — da subestação aos sistemas críticos de operação — permitindo monitoramento em tempo real, simulações preditivas, manutenção baseada em condição e otimização contínua dos ativos ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento. Com essa abordagem integrada, a Siemens apoia seus clientes desde o planejamento e implantação até a operação e modernização dos data centers, aumentando a resiliência da infraestrutura, reduzindo riscos de indisponibilidade, otimizando o consumo de energia e proporcionando maior visibilidade sobre o desempenho dos ativos”, detalha Engelbert.
A Siemens atua como parceira estratégica ao longo de todo o ciclo de vida dos data centers, do planejamento e design à operação, oferecendo soluções integradas que unem eletrificação, automação e digitalização para aumentar a eficiência, a confiabilidade e a escalabilidade dos empreendimentos. “Por meio de monitoramento contínuo, automação e gêmeos digitais, é possível integrar toda a infraestrutura do data center, proporcionando visibilidade em tempo real, análises preditivas e otimização do consumo de energia e da climatização, reduzindo riscos operacionais e indisponibilidades. A Siemens também se diferencia pela excelência na execução de projetos, combinando equipes especializadas, gestão integrada, capacidade logística global e modelos de fornecimento para atender aos cronogramas dos clientes. Além disso, complementa sua oferta com soluções de financiamento por meio da Siemens Financial Services (SFS), permitindo estruturar investimentos de forma mais eficiente e equilibrar CAPEX e OPEX. Todo esse ecossistema é sustentado pelo compromisso da Siemens com a eficiência energética e a sustentabilidade, contribuindo para que os data centers cresçam de forma resiliente, competitiva e preparada para os desafios da economia digital”, acrescenta Engelbert.
Case Schneider Electric
Luis Cuevas, diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil aponta que o mercado brasileiro de data centers está em forte expansão e deve alcançar 1.210 MW de capacidade até 2029, segundo a Mordor Intelligence. A expectativa é de que o setor registre uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 10,17%, consolidando o Brasil como um importante polo tecnológico na América Latina. “Esse crescimento é impulsionado pela demanda acelerada por Inteligência Artificial, redes 5G e serviços em nuvem, além do avanço da transformação digital em setores como saúde e serviços financeiros. Isso tudo deve manter o mercado em constante evolução no país”, acredita Cuevas.

Sobre o andamento das vendas de produtos, soluções e serviços da Schneider Electric, Luis Cuevas diz que a companhia está acompanhando a demanda do mercado de data centers por soluções de energia, refrigeração e infraestrutura física, que é impulsionada principalmente pela expansão da IA, da computação em nuvem e da transformação digital em diversos setores da economia. “O mercado brasileiro atravessa um momento de forte expansão, e a Schneider Electric está preparada para apoiar esse crescimento com um portfólio completo de soluções para distribuição elétrica, gerenciamento de energia, refrigeração, software e serviços. As perspectivas para os próximos anos permanecem positivas, acompanhando a evolução do setor e a procura crescente por infraestruturas digitais cada vez mais resilientes, eficientes e sustentáveis”, frisa o executivo.
Para o diretor da Schneider Electric, a perspectiva para o segmento de data centers nos próximos anos no Brasil é positiva. Ele reforça que o país vem se consolidando como um dos mercados mais relevantes de infraestrutura digital da América Latina, impulsionado pela expansão da nuvem, pela digitalização de diversos setores e, mais recentemente, pelo avanço das cargas de IA. “Estudos de mercado indicam crescimento consistente da capacidade instalada no país. Há projeções que apontam uma evolução de aproximadamente 740 MW em 2024 para 1.210 MW em 2029, o que reforça a tendência de expansão do setor. Do ponto de vista energético, o tema central não é apenas o crescimento da demanda, mas a forma como esse crescimento será atendido. Segundo a IEA, os data centers representaram cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade em 2024, e a tendência é de um incremento acelerado nos próximos anos estimulado principalmente pela IA. Esse panorama reforça a importância de se projetar data centers com alta eficiência e estratégia térmica adequada desde o início. Diante desse contexto, o Brasil tem atributos competitivos importantes, incluindo uma matriz elétrica predominantemente renovável e um mercado em expansão, o que pode favorecer investimentos em infraestrutura digital mais eficiente e sustentável. Para a Schneider Electric, esse ambiente cria espaço para soluções integradas que combinam energia, automação, digitalização e climatização de forma coordenada”, comenta Luis Cuevas.
A Schneider Electric fornece infraestrutura inteligente para data centers de alta performance. Alta disponibilidade, eficiência energética e sustentabilidade são pilares essenciais para a operação de um data center moderno. Nesse cenário, a Schneider Electric lidera essa transformação atuando como parceira estratégica em todas as fases – do design à expansão, do fornecimento de energia (grid) ao processamento (chip) e resfriamento (chiller). A empresa fornece soluções completas e integradas para toda a cadeia crítica – organizadas em três pilares fundamentais – com o suporte do ecossistema EcoStruxure, que conecta energia, refrigeração, TI e facilities em uma plataforma única com automação, monitoramento e otimização em tempo real, propiciando rápida implementação, escalabilidade e redução de CAPEX. “As maiores empresas globais de nuvem e data centers hiper escaláveis confiam nas soluções da Schneider Electric. Nosso braço de sustentabilidade presta consultoria a 40% das empresas da Fortune 500, incluindo Digital Realty, Equinix e Iron Mountain”, cita Luis Cuevas.

No segmento de Refrigeração (Cooling), as soluções da Schneider Electric para resfriamento de data centers são combinadas ao sistema Uniflair InRow, que atua diretamente na fonte de calor, reduzindo perdas energéticas e aumentando a eficiência térmica. Todo o sistema é gerenciado pelo EcoStruxure™ Building Operation, que ajusta temperatura, umidade e fluxo de ar em tempo real de acordo com a carga térmica. A oferta de Cooling traz o que tem de mais sustentável em relação aos fluidos refrigerantes dos circuitos de refrigeração.
No segmento de Energia (Power), a Schneider Electric oferece uma infraestrutura elétrica robusta com UPSs estáticas e modulares da linha Galaxy e painéis de distribuição com arquiteturas flexíveis (N, N+1, 2N). O EcoStruxure™ Power Monitoring Expert proporciona visibilidade completa do consumo energético, além de diagnósticos preditivos para assegurar a máxima confiabilidade operacional.
Já em Infraestrutura Física (IT room), a companhia entrega racks padronizados, sistemas de contenção térmica (Hot/Cold Aisle) e distribuição inteligente de energia por rack, otimizando o uso do espaço, melhorando o fluxo de ar e gerando eficiência operacional.
Recentemente, a Schneider Electric lançou no Brasil o PrismaSet-I, sua nova geração de painéis de baixa tensão para aplicações críticas, como data centers e infraestrutura. Com arquitetura modular e escalável, a solução amplia a segurança, a eficiência e a disponibilidade energética, além de oferecer integração com diferentes arquiteturas de distribuição elétrica. Entre os diferenciais estão maior agilidade na configuração, diminuição do espaço ocupado e do uso de materiais, recursos digitais de monitoramento em tempo real e certificações que reforçam a confiabilidade operacional. O PrismaSet-I reúne segurança, inteligência e eficiência em uma única plataforma para atender às demandas de ambientes cada vez mais críticos, como os data centers.
A Schneider Electric possui um portfólio amplo de climatização para data centers desenhado para atender desde ambientes edge e enterprise até instalações hyperscale e infraestruturas voltadas à IA e computação de alta performance. Esse portfólio combina soluções de refrigeração a ar – como sistemas In- Row, CRAC, CRAH e chillers – com soluções de refrigeração líquida, especialmente após a incorporação da Motivair, que ampliou a capacidade da companhia em aplicações de alta densidade. Hoje, a oferta inclui CDUs, cold plates para direct-to-chip, rear door heat exchangers, chillers e demais elementos necessários para arquiteturas híbridas ou totalmente líquidas. Mais recentemente, a Schneider Electric anunciou a linha Uniflair XCA, composta por chillers centrífugos com condensação a ar e versões com free cooling desenvolvidos para suportar data centers de alta densidade e aplicações associadas à IA. A linha integra compressores centrífugos oil-free com mancais magnéticos, inversores incorporados e operação otimizada para temperaturas de água mais elevadas, o que favorece arquiteturas modernas de liquid cooling. As capacidades ficam na faixa de aproximadamente 1,2 MW a 2,5 MW, com EER de até 4,66. Complementando a oferta, a empresa disponibiliza soluções modulares e pré-fabricadas que integram climatização, energia e monitoramento em uma arquitetura unificada, facilitando escalabilidade, padronização e previsibilidade operacional.
Case Eaton
Para Diego Hofman, gerente de Vendas Data Center da Eaton Electrical LATAM, o mercado brasileiro de data centers vive um dos momentos mais dinâmicos de sua história. Ele afirma que o país se consolidou como o principal hub digital da América Latina, impulsionado pela crescente demanda por serviços em nuvem, inteligência artificial, aplicações de missão crítica, streaming, comércio eletrônico e digitalização dos negócios. “Além da dimensão de seu mercado consumidor, o Brasil oferece fatores atrativos para investimentos, como disponibilidade de energia, conectividade com cabos submarinos internacionais e um ecossistema cada vez mais maduro de provedores, operadores e fornecedores especializados. Como resultado, observamos um volume significativo de novos projetos, expansões de campus existentes e a entrada de novos investidores no setor. O mercado está em constante evolução porque a infraestrutura digital passou a ser um elemento estratégico para a economia moderna. Hoje, data centers deixaram de ser apenas instalações de suporte à TI para se tornarem ativos fundamentais para a transformação digital das organizações”, constata Hofman.

O executivo de vendas revela que o segmento de data centers é atualmente um dos mercados de maior crescimento para a Eaton na América Latina. “Observamos uma demanda consistente por soluções de infraestrutura elétrica crítica, especialmente em projetos de expansão de hyperscalers, colocation e grandes provedores de serviços digitais. O volume de oportunidades continua crescendo, impulsionado pela necessidade de maior capacidade energética e pelos investimentos em inteligência artificial. Como consequência, mantemos perspectivas bastante positivas para os próximos anos. Além da venda de equipamentos, observamos uma crescente valorização dos serviços especializados, especialmente aqueles relacionados à manutenção preditiva e monitoramento digital”, atesta Diego Hofman.
As perspectivas para o segmento de data centers nos próximos anos no Brasil são extremamente positivas. “A expansão da inteligência artificial generativa, da computação em nuvem, da análise de dados em larga escala e das aplicações de alta densidade computacional deve acelerar ainda mais os investimentos no setor. O Brasil tem potencial para atrair novos projetos hyperscale e colocation, além de investimentos relacionados à soberania de dados e à infraestrutura digital crítica. Também observamos uma tendência de ampliação da capacidade instalada para atender aplicações que exigem maior potência elétrica por rack e maior disponibilidade de energia. Nos próximos anos, acreditamos que o desafio deixará de ser apenas construir mais data centers e passará a ser construir data centers mais eficientes, sustentáveis e preparados para suportar cargas de trabalho cada vez mais intensivas”, antevê Hofman.

A Eaton possui um portfólio abrangente para atender todas as etapas da infraestrutura elétrica crítica de um data center, desde a entrada de energia até a proteção das cargas de TI.
Entre as principais soluções oferecidas estão:
- Sistemas UPS monofásicos e trifásicos para garantir continuidade operacional e proteção de cargas críticas.
- Sistemas de armazenamento de energia, incluindo baterias de lítio, para maior eficiência energética e otimização de espaço.
- Transformadores de média e baixa tensão para uma distribuição confiável de energia.
- STS (Static Transfer Switch), garantindo maior redundância e disponibilidade para cargas críticas.
- Painéis de distribuição de média e baixa tensão.
- PDUs (Power Distribution Units) para distribuição e gerenciamento de energia em ambientes críticos.
- Sistemas de barramento blindado para distribuição flexível, escalável e eficiente.
- Soluções de liquid cooling para suportar ambientes de alta densidade computacional voltados a aplicações de inteligência artificial.
- Soluções de monitoramento e gestão da infraestrutura elétrica.
- Serviços de engenharia, estudos elétricos, comissionamento, startup, manutenção preventiva, corretiva e monitoramento remoto.
“Essas soluções atuam desde a entrada de energia na instalação até a proteção final dos equipamentos de TI, contribuindo para elevados níveis de disponibilidade, eficiência energética, escalabilidade e segurança operacional”, destaca Diego Hofman.
O executivo da Eaton conta que a companhia tem participado ativamente de alguns dos principais projetos de expansão de data centers no Brasil, colaborando com operadores de colocation, provedores hyperscale e grandes empresas de tecnologia. “Nos últimos anos, fornecemos soluções envolvendo UPSs, sistemas de armazenamento de energia, transformadores, painéis de distribuição de média e baixa tensão, barramentos blindados e serviços especializados para importantes projetos de infraestrutura digital no país.
Nossa atuação abrange desde novas construções até expansões de grandes campus já existentes, contribuindo para aumentar a capacidade e a confiabilidade da infraestrutura digital brasileira. Por questões de confidencialidade comercial, nem sempre é possível divulgar detalhes específicos de clientes ou projetos. No entanto, podemos afirmar que a Eaton está presente em diversos empreendimentos estratégicos que suportam parte significativa da transformação digital em curso no mercado brasileiro”, esclarece Hofman.
O principal diferencial da Eaton é sua capacidade de oferecer uma visão integrada da infraestrutura de energia para data centers. “Combinamos equipamentos, software e serviços em um único ecossistema, permitindo que os operadores obtenham maior eficiência, confiabilidade e visibilidade sobre seus ativos críticos”, sintetiza Hofman.
Outro diferencial importante é a experiência global da companhia. A Eaton participa dos mais relevantes projetos de data centers em diversas regiões do mundo, o que permite à empresa trazer ao mercado brasileiro as melhores práticas e tecnologias disponíveis. “Investimos continuamente em inovação, digitalização, capacitação técnica e ampliação de nossa estrutura de serviços, garantindo suporte especializado durante todo o ciclo de vida da infraestrutura. Além disso, contamos com uma equipe dedicada exclusivamente ao segmento de data centers, formada por especialistas que acompanham os projetos desde as fases iniciais de concepção e especificação técnica até a implantação, comissionamento e operação. Essa especialização nos permite compreender profundamente os desafios dos clientes e desenvolver soluções alinhadas às exigências de disponibilidade, eficiência e escalabilidade do setor”, garante Diego Hofman.
Case Rockwell Automation
A Rockwell Automation atua no mercado que classifica como data centers industriais. Conforme explica Sergio Campana, Regional Business Manager da Rockwell Automation, data centers industriais são instalações projetadas para abrigar e operar a infraestrutura crítica que sustenta o processamento, armazenamento e transmissão de dados em larga escala. “Diferentemente de um simples espaço com servidores, um data center industrial é um ecossistema complexo que integra sistemas elétricos de média e baixa tensão, climatização de precisão, automação predial, segurança e monitoramento contínuo — o que chamamos de ‘grey space’, ou seja, toda a camada de infraestrutura física que garante a disponibilidade e a confiabilidade da operação. São ambientes onde a engenharia industrial é tão relevante quanto a tecnologia da informação, e onde qualquer falha nos sistemas de suporte pode significar a interrupção de serviços essenciais para milhões de usuários”, observa Campana.

A Rockwell Automation atua no segmento de data centers a partir de sua competência central: automação e controle de infraestrutura industrial. “Nosso foco está no ‘grey space’ — os sistemas elétricos, de climatização, de gerenciamento predial e de monitoramento que mantêm um data center operando de forma segura e eficiente. Oferecemos soluções que vão desde centros de controle de motores (CCMs) inteligentes e inversores de frequência para sistemas de refrigeração, até plataformas de automação e supervisão que integram a operação de toda a planta. Isso inclui controladores programáveis, redes industriais de alta disponibilidade, software de gestão de energia e plataformas de visualização e analytics para a operação em tempo real. A aplicação é transversal: desde a distribuição elétrica e os sistemas de backup até o controle preciso da temperatura e umidade que a operação de TI exige”, detalha Sergio Campana.
O executivo da Rockwell Automation frisa que o Brasil é hoje o maior mercado de data centers da América Latina e que a companhia vem acompanhando de perto essa evolução. “Temos participado em projetos que envolvem tanto instalações de hiperescala quanto centros de colocation, fornecendo soluções para automação da infraestrutura crítica — sistemas de climatização, distribuição elétrica e monitoramento integrado. Embora não possamos detalhar nomes específicos por questões de confidencialidade contratual, posso dizer que nossa presença abrange projetos em diferentes estados, com foco especial no eixo São Paulo–Rio de Janeiro e em novas fronteiras como Minas Gerais e Ceará, onde vemos um crescimento relevante de investimentos. O que mais nos diferencia é a capacidade de atuar desde a fase de engenharia até a operação contínua”, ressalta Sergio Campana.

“Nosso principal diferencial é que viemos da indústria. A Rockwell Automation constrói há décadas soluções de automação para os ambientes mais críticos e exigentes do mundo — petroquímica, mineração, automotivo, farmacêutico — e essa experiência se traduz diretamente na capacidade de entregar confiabilidade e disponibilidade para data centers. Criamos um programa dedicado, o DC Acceleration Program, que reúne as competências de engenharia, os parceiros de integração e o portfólio de soluções necessários para atender esse segmento de forma estruturada em toda a América Latina. Além disso, diferente de fornecedores que vêm apenas do mundo de TI, entendemos profundamente a camada de infraestrutura física — que é onde se concentram os maiores riscos operacionais e também as maiores oportunidades de eficiência”, complementa Sergio Campana.
Campana cita que a preocupação da Rockwell Automation em atender as particularidades desse segmento com as suas soluções é total, porque um data center não aceita meias medidas. “Estamos falando de ambientes que operam com exigência de disponibilidade de 99,999% — o que significa que qualquer componente, qualquer sistema de automação precisa estar projetado para redundância e resiliência. A Rockwell investe de forma contínua em adaptar suas plataformas para atender os padrões específicos do setor, como os tiers do Uptime Institute e as certificações de eficiência energética. Mas, além da tecnologia, o que nos diferencia é a abordagem consultiva: não apenas vendemos produtos, mas trabalhamos junto aos projetistas, EPCs e operadores para desenhar a arquitetura de automação que melhor se adapta a cada projeto, considerando desde a redundância elétrica até a escalabilidade futura da instalação”, orgulha-se Campana.
Para o Regional Business Manager da Rockwell Automation, o mercado brasileiro de data centers está vivendo um momento sem precedentes. “Acompanhamos mais de uma centena de projetos ativos no país, somando dezenas de bilhões de dólares em investimentos planejados e uma capacidade agregada que supera os 4.000 MW. O Brasil concentra mais da metade de todos os projetos de data center da América Latina, impulsionado por uma combinação de fatores: a expansão dos hyperscalers globais como AWS, Google e Microsoft, o crescimento da demanda por IA e computação em nuvem, uma matriz energética predominantemente renovável, e a melhoria do ambiente regulatório. Novos polos estão surgindo além do tradicional eixo São Paulo — estados como Ceará, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estão atraindo investimentos significativos, o que diversifica e fortalece o ecossistema”, ilustra Sergio Campana.
A perspectiva para o segmento de data centers industriais nos próximos anos no Brasil é de crescimento acelerado e sustentado. “A maioria dos projetos que acompanhamos no Brasil está em fase inicial de planejamento, o que significa que a onda mais intensa de construção ainda está por vir nos próximos 18 a 24 meses. A demanda por capacidade de processamento impulsionada pela inteligência artificial está acelerando os cronogramas, e vemos uma tendência clara de verticalização — operadores que antes terceirizavam estão construindo suas próprias instalações. Para a Rockwell Automation, isso representa uma oportunidade estratégica enorme, porque cada novo megawatt de capacidade instalada requer sistemas de automação, controle e monitoramento da infraestrutura física. O Brasil está se consolidando como um hub digital regional, e quem se posicionar bem agora vai colher os frutos dessa transformação nos próximos cinco a dez anos”, acredita Sergio Campana.
Preocupação dos fabricantes com o impacto ambiental
Na operação de data centers, tem havido uma busca crescente por eficiência energética e sustentabilidade dos empreendimentos, que costumam consumir grandes quantidades de água e energia elétrica. Os fabricantes consultados demonstram preocupação em atender esses requisitos com suas soluções.
Segundo Engelbert de Oliveira, para a Siemens, eficiência energética e sustentabilidade são requisitos fundamentais para o desenvolvimento dos data centers do futuro. “À medida que a demanda por capacidade computacional cresce, aumenta também a necessidade de operar essas infraestruturas com menor consumo de energia, maior eficiência e menor impacto ambiental. Nesse contexto, a Siemens apoia seus clientes por meio de soluções de eletrificação, automação e digitalização que permitem monitorar e otimizar o consumo de energia, integrar fontes renováveis, aumentar a confiabilidade da infraestrutura e melhorar a eficiência operacional ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento”, garante.
Engelbert menciona que tecnologias como gêmeos digitais, monitoramento em tempo real, gestão inteligente de energia e manutenção preditiva transformam dados em inteligência operacional, permitindo antecipar falhas, otimizar continuamente o desempenho da infraestrutura, melhorar indicadores como o PUE (Power Usage Effectiveness), reduzir emissões de carbono e elevar a eficiência e a confiabilidade das operações. “Na Siemens, acreditamos que eficiência e sustentabilidade caminham juntas. Por isso, desenvolvemos soluções que ajudam os clientes a reduzir seu impacto ambiental, otimizar recursos e aumentar a performance operacional ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento”, reforça.
Luis Cuevas ressalta que a eficiência energética é um dos pilares da arquitetura da Schneider Electric para data centers. As soluções são concebidas para operar de forma integrada por meio do ecossistema EcoStruxure for Data Centers, conectando energia, climatização, TI e monitoramento em um ambiente digital unificado. “Na prática, isso significa recursos como monitoramento em tempo real de variáveis críticas, controle automatizado, integração com DCIM e BMS, e uso de inversores de frequência em ventiladores, bombas e compressores, além de estratégias de otimização térmica e manutenção preditiva. Dependendo da arquitetura adotada, também é possível utilizar recursos de modelagem e simulação digital para apoiar projeto, operação e expansão”, explica Cuevas.
No caso da nova linha Uniflair XCA, a plataforma incorpora controle avançado de bombas de velocidade variável, modulação de ventiladores e estratégias de free cooling, contribuindo para elevar a eficiência do sistema em aplicações de alta densidade. Em climas moderados, a Schneider Electric informa que os modelos com free cooling podem alcançar economia de energia de até 60% na comparação com o resfriamento mecânico convencional. Em projetos de IA, a colaboração da Schneider Electric com a NVIDIA resultou em arquiteturas de referência para clusters de alta densidade. Nesses designs, foram estimados PUEs anualizados de 1,14 em San Francisco e 1,17 em Dallas, o que mostra o potencial de eficiência quando energia, cooling e layout são concebidos de maneira integrada desde o início.
O mercado de PPAs também contribui para suprir a demanda energética crescente dos data centers.
O mercado de PPAs (Contratos de Compra de Energia) com adicionalidade tem ganhado relevância ao viabilizar diretamente a construção de novas usinas renováveis, ampliando a oferta de energia limpa no Brasil, que figura entre os principais mercados globais desse segmento. Esses contratos permitem aos data centers reduzir emissões, garantir previsibilidade de preços e se proteger da volatilidade, além de reforçar compromissos ESG com a rastreabilidade via I-RECs (Certificados Internacionais de Energia Renovável).
O movimento ganha força com a possível redução de subsídios a fontes incentivadas, tornando os PPAs ainda mais estratégicos. Com demanda projetada de até 9 GW até 2035, o país se posiciona como líder em energia limpa, impulsionado por grandes consumidores. No detalhe, PPAs são contratos de longo prazo – no caso da Schneider Electric, focados em renováveis com adicionalidade – recomendados para consumidores acima de 50.000 MWh/ano. Já a autoprodução (APE) também cresce, mas foi restringida pela MP 1.300/2025, que limita novos contratos a usinas futuras e endurece critérios como demanda mínima e participação societária.
Diego Hofman, da Eaton Electrical, comenta que à medida que a demanda por inteligência artificial e computação de alta performance cresce, o consumo energético dos data centers torna-se um tema cada vez mais relevante. “Nesse contexto, acreditamos que o equilíbrio entre desempenho, disponibilidade e sustentabilidade será decisivo para o sucesso dos projetos.
A Eaton está preparada para apoiar seus clientes nesse desafio, fornecendo tecnologias que permitem expandir a capacidade computacional de forma eficiente, segura e ambientalmente responsável”, observa.
Na opinião de Sergio Campana, da Rockwell Automation, a pressão por eficiência energética em data centers é ainda mais intensa do que em outros setores industriais. “Um data center de grande porte pode consumir o equivalente a uma cidade de médio porte em energia elétrica, e a maior parte desse consumo está nos sistemas de climatização e distribuição — justamente a camada onde atuamos. A busca por indicadores como o PUE cada vez mais próximos de 1.0 está impulsionando a adoção de inversores de frequência de alta eficiência, sistemas de cooling otimizados por inteligência artificial e monitoramento granular do consumo energético. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial de marketing para se tornar uma exigência de operação, especialmente quando falamos de operadores globais que têm compromissos públicos de carbono neutro”, analisa Campana.
Análise das operadoras de data centers
Case Cirion
Para Rodrigo Oliveira, VP Sales LATAM Data Center da Cirion, o mercado brasileiro de data centers vive um dos momentos mais dinâmicos de sua história. De acordo com ele, a expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem, do 5G, do uso intensivo de dados e da transformação digital das empresas vem impulsionando uma demanda crescente por infraestrutura de processamento e armazenamento. “O Brasil reúne características que o tornam extremamente competitivo: é o maior mercado digital da América Latina, possui uma matriz elétrica predominantemente renovável, grande mercado consumidor e uma posição estratégica para atender tanto os clientes nacionais quanto operações regionais. Além disso, cresce a necessidade de manter aplicações mais próximas dos usuários, reduzindo latência e aumentando a resiliência dos serviços digitais. Esse movimento favorece investimentos em data centers de alta capacidade e interconectados. Na avaliação da Cirion, a infraestrutura digital deixou de ser apenas um suporte tecnológico para se tornar um ativo estratégico para a economia. A própria companhia observa que a demanda global por data centers deverá crescer entre 19% e 22% ao ano até 2030, impulsionada principalmente pela IA”, analisa Rodrigo Oliveira.

Na opinião do executivo da Cirion, as perspectivas para o segmento de data centers no Brasil são extremamente positivas. Ele diz que o país deverá continuar atraindo investimentos nacionais e internacionais, especialmente de hyperscalers, provedores de nuvem, empresas de inteligência artificial, fintechs, indústrias e órgãos públicos. “Entretanto, para aproveitar plenamente essa oportunidade, será fundamental avançar em temas como disponibilidade de energia elétrica, segurança regulatória, incentivos aos investimentos e expansão da infraestrutura de transmissão. O maior gargalo atual da indústria não é a demanda, mas sim a disponibilidade de energia para suportar novos projetos. É preciso existir políticas públicas capazes de manter o Brasil competitivo na disputa global por investimentos em infraestrutura digital”, alerta Rodrigo Oliveira.
O executivo diz ainda que o fato do país possuir uma infraestrutura robusta de data centers significa fortalecer a soberania digital, aumentar a segurança das informações, reduzir latência, ampliar a competitividade das empresas brasileiras e criar condições para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial, computação em nuvem, Internet das Coisas e serviços digitais críticos. “O Brasil reúne diversos fatores favoráveis para assumir esse papel: mercado consumidor expressivo, conectividade internacional por meio de cabos submarinos, matriz energética predominantemente renovável e posição geográfica estratégica para atender toda a América Latina. Na visão da Cirion, o país tem condições de consolidar-se como um dos principais hubs digitais do hemisfério sul, desde que haja previsibilidade regulatória e investimentos contínuos em infraestrutura energética e de conectividade”, aponta Rodrigo Oliveira.
A Cirion opera uma rede de data centers carrier-neutral estrategicamente localizados em 7 países da região e continua expandindo sua presença com novas instalações de última geração, distribuídos em sete países, totalmente integrados a uma rede própria com mais de 105 mil quilômetros de fibra óptica, aproximadamente 50 mil quilômetros de cabos submarinos, 18 landing stations e seis sistemas internacionais de cabos submarinos.
Essa integração entre conectividade e data centers permite oferecer aos clientes uma infraestrutura preparada para aplicações críticas, ambientes híbridos, computação em nuvem, inteligência artificial, colocation, bare metal e serviços gerenciados.
A companhia também vem ampliando continuamente sua capacidade regional, incluindo expansões em São Paulo, Rio de Janeiro e outros mercados estratégicos da América Latina.
De acordo com Rodrigo Oliveira, o Brasil representa um dos mercados estratégicos da Cirion. A empresa possui data centers em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, além de uma extensa infraestrutura de rede terrestre e submarina que conecta o país aos principais mercados internacionais. “Essa presença permite atender grandes empresas, operadoras, provedores de nuvem, hyperscalers e órgãos governamentais com soluções integradas de conectividade, segurança, cloud e infraestrutura digital”, indica o executivo.
Entre os principais projetos da companhia, destacam-se:
- expansão da capacidade dos data centers de São Paulo e Rio de Janeiro;
- desenvolvimento do novo complexo RIO2, concebido para atender cargas de alta densidade voltadas à inteligência artificial e hyperscalers;
- expansão das rotas de fibra óptica em regiões estratégicas como interior de São Paulo, Fortaleza, Recife e corredores logísticos do Sul;
- fortalecimento da infraestrutura de cabos submarinos e das conexões internacionais.
“Esses investimentos acompanham o crescimento acelerado da demanda por processamento de dados, conectividade de baixa latência e serviços em nuvem”, observa Rodrigo Oliveira.
O porta-voz diz que o principal diferencial da Cirion é oferecer uma plataforma totalmente integrada. “Além da infraestrutura física dos data centers, contamos com uma das maiores redes de fibra óptica da América Latina, ampla conectividade internacional, arquitetura carrier-neutral e um ecossistema que reúne centenas de operadoras, provedores de serviços e plataformas digitais. Outro diferencial importante é a preparação para cargas de alta densidade, exigidas pelas aplicações de inteligência artificial, além da operação contínua 24×7, altos padrões internacionais de segurança física e lógica e forte foco em eficiência energética”, detalha Rodrigo Oliveira.
Case Elea Data Centers
📷 [SOBE AQUI: 11.jpg — FERNANDA BELCHIOR | ELEA DATA CENTERS — Foto: Divulgação]
Fernanda Belchior, diretora de Marketing e Vendas da Elea Data Centers, entende que o mercado brasileiro de data centers vive um período de expansão consistente, com crescimento de dois dígitos nos últimos anos. Para ela, diferentemente de mercados mais maduros, o Brasil ainda apresenta amplo espaço para crescimento, impulsionado pela digitalização da economia e por uma demanda crescente por infraestrutura. “O país também reúne uma das populações mais conectadas do mundo: segundo o IBGE, cerca de 95% da população utiliza a internet, o que amplia continuamente a necessidade de capacidade de processamento, armazenamento e conectividade. Esse avanço é impulsionado por diversos fatores. As empresas estão amadurecendo suas estratégias de nuvem, adotando ambientes híbridos e multicloud e trazendo parte das cargas de trabalho para infraestrutura dedicada. Ao mesmo tempo, a jornada de adoção da computação em nuvem continua evoluindo, transformando a forma como as organizações consomem infraestrutura tecnológica”, constata.

Outro importante vetor de crescimento citado por Fernanda é o avanço da inteligência artificial generativa. “Essa tecnologia exige o uso intensivo de GPUs e amplia significativamente a demanda por infraestrutura de computação de alta densidade, capaz de oferecer elevados níveis de disponibilidade, segurança e capacidade de processamento. Ao combinar um mercado ainda em expansão, uma base digital altamente conectada e vantagens estruturais, como a matriz elétrica predominantemente renovável, o Brasil fortalece sua posição como um dos mercados mais promissores para a próxima geração de infraestrutura digital”, aponta a executiva.
Segundo Fernanda, a perspectiva para o segmento de data centers nos próximos anos no Brasil é bastante positiva. “A inteligência artificial inaugura um novo ciclo de investimentos em infraestrutura digital, com necessidade crescente de ambientes preparados para computação de alta densidade, uso intensivo de GPUs e elevados padrões de disponibilidade e segurança. O Brasil tem potencial para capturar uma parcela importante desses investimentos globais. Entretanto, a velocidade desse crescimento depende da criação de um ambiente regulatório competitivo. A aprovação da Política Nacional de Data Centers (PNDC) e principalmente do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), por exemplo, é considerada fundamental para ampliar a atratividade do país, reduzir custos de implantação e garantir maior segurança jurídica aos investidores. Hoje, há projetos estruturados e capital disponível para investimentos em larga escala, mas sua implementação depende de condições que permitam ao Brasil competir com outros mercados que já oferecem incentivos para esse tipo de infraestrutura”, pondera Fernanda.

Sobre a importância de termos no Brasil um parque significativo de data centers, Fernanda comenta que esses empreendimentos são a base da economia digital. São eles que sustentam serviços de nuvem, inteligência artificial, streaming, comércio eletrônico, serviços financeiros, governo digital e praticamente todas as aplicações digitais utilizadas diariamente por empresas e consumidores. “Contar com uma infraestrutura nacional fortalece a soberania digital, permitindo que dados produzidos no país sejam processados e armazenados sob a legislação brasileira. Também reduz latência, melhora a experiência dos usuários, aumenta a resiliência das operações e amplia a competitividade da economia. O Brasil reúne condições para se consolidar como um dos principais hubs de infraestrutura digital da América Latina. A combinação de energia renovável e abundante, conectividade internacional, mercado consumidor de grande escala e disponibilidade territorial cria um ambiente favorável para receber projetos voltados tanto ao mercado corporativo quanto às grandes plataformas globais de nuvem e inteligência artificial”, acredita Fernanda.
A Elea Data Centers é uma plataforma brasileira de infraestrutura digital que atua no desenvolvimento e operação de data centers voltados tanto ao mercado corporativo quanto às demandas de hyperscalers, provedores de nuvem e aplicações de inteligência artificial.
A companhia combina serviços de colocation, conectividade e infraestrutura crítica, oferecendo ambientes preparados para cargas de trabalho de alta disponibilidade e alta densidade computacional. Após a aquisição pela I Squared Capital, a empresa iniciou uma nova fase de expansão, com mais de 1 GW de capacidade planejada e mais de 300 MW entre capacidade operacional e energia garantida. Os projetos em desenvolvimento e estudo representam investimentos que podem alcançar a ordem de US$ 10 bilhões em infraestrutura digital ao longo dos próximos anos. “Além da expansão da infraestrutura, a Elea tem atuado de forma ativa na construção do ambiente institucional para o desenvolvimento do setor no Brasil, contribuindo para o debate público sobre a importância estratégica dos data centers para a economia digital e mantendo diálogo permanente com governos, reguladores e entidades do setor para apoiar políticas que fortaleçam a competitividade do país”, observa Fernanda Belchior.
A Elea opera uma plataforma distribuída com nove data centers localizados em cinco importantes mercados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. Esse modelo permite oferecer infraestrutura próxima aos principais polos econômicos do país, aumentando a resiliência das operações, reduzindo latência e oferecendo alternativas para estratégias de continuidade de negócios. “Além da infraestrutura física, a empresa mantém um ecossistema de conectividade que integra suas unidades e facilita a interconexão entre clientes, provedores de nuvem e operadoras de telecomunicações”, complementa Fernanda.
Sobre os principais projetos que a empresa mantém ou participa no Brasil, Fernanda diz que o principal destaque é o Rio AI City, projeto idealizado e desenvolvido pela Elea no Parque Olímpico do Rio de Janeiro. A iniciativa prevê uma infraestrutura dedicada à inteligência artificial e computação em nuvem, sendo a primeira entrega prevista de 250MW, desenvolvida para atender às demandas da nova geração de aplicações de AI e fortalecer a posição do Brasil entre os principais polos globais de infraestrutura digital. Outro projeto estratégico é o BEL1, em Belém (PA), primeiro data center voltado para inteligência artificial na região norte do país. Desenvolvido em parceria com a Axia, o empreendimento terá capacidade inicial de 7,5 MW, ampliando a presença da Elea em uma região estratégica para a expansão da infraestrutura digital no país. “Além desses projetos, a companhia segue expandindo sua plataforma nacional para atender tanto os clientes corporativos quanto grandes provedores globais de serviços digitais”, informa Fernanda.
Fernanda Belchior diz que a Elea é a maior empresa de colocation do Brasil com capital majoritariamente nacional e opera a maior infraestrutura distribuída de data centers do país. Está presente nas principais regiões econômicas brasileiras, com nove data centers distribuídos entre Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba e Porto Alegre, localidades que concentram mais de 60% do PIB nacional. A companhia oferece uma plataforma neutra e altamente interconectada, com flexibilidade para atender diferentes perfis de clientes e capacidade para suportar aplicações de alta densidade, incluindo cargas voltadas à inteligência artificial. Sua operação é abastecida com energia renovável e certificada e adota tecnologias voltadas à eficiência no uso de recursos, reduzindo o consumo de água e energia. “Além da excelência operacional, a Elea combina experiência técnica, com uma equipe dedicada e atuação consolidada no setor, e solidez financeira, respaldada pela I Squared Capital, gestora global de infraestrutura que apoia o plano de expansão da companhia. Atualmente, a Elea opera uma plataforma com mais de 1 GW de capacidade planejada e mais de 300 MW em terrenos com energia garantida, cuja implantação pode mobilizar investimentos na ordem de US$ 10 bilhões. A empresa também é pioneira na América Latina ao vincular metas socioambientais a debêntures sustentáveis (Sustainability-Linked Bonds), tendo emitido mais de R$ 1,5 bilhão nessa modalidade”, conclui Fernanda.
Case TelCables Brasil
O mercado de data centers no Brasil vive um período de forte expansão e maturidade nos negócios, impulsionado diretamente pelas demandas corporativas de infraestrutura elétrica, automação e sistemas prediais de alta performance, consolidando-se como o maior e mais dinâmico da América Latina. A análise é de Hemil Ribeiro, líder de Infraestruturas da Angola Cables – fornecedora líder de sistemas de cabos submarinos e soluções de conectividade internacional -, e porta-voz da TelCables Brasil, uma subsidiária do grupo Angola Cables.

De acordo com o executivo, trata-se de um setor em evolução acelerada, impulsionado por uma combinação de fatores estruturais: a digitalização da economia, a migração de empresas para ambientes de nuvem híbrida e multi-cloud e o crescimento no consumo de dados (streaming, e-commerce, redes sociais, etc.). “O grande catalisador dessa expansão do mercado atual é a necessidade de estruturas físicas robustas capazes de suportar demandas de IA, alta densidade energética, eficiência operacional e baixa latência”, observa Ribeiro.
A perspectiva para o segmento de data centers nos próximos anos no Brasil é de crescimento robusto focado na eficiência dos negócios e na descentralização da infraestrutura. “Nos próximos anos, é provável que veremos um volume massivo de investimentos na expansão de complexos de hyperscale, mas também um avanço significativo dos chamados edge data centers. Do ponto de vista mercadológico, a expansão exigirá projetos de engenharia elétrica e automação cada vez mais complexos para garantir a continuidade operacional, a sustentabilidade dos empreendimentos e a atração contínua de capital estrangeiro focado em infraestrutura digital de alta resiliência”, prevê Hemil Ribeiro.
Para Ribeiro, ter um parque local de data centers no Brasil é uma questão de soberania digital, eficiência econômica e competitividade global. “Ele garante que os dados de empresas e cidadãos brasileiros sejam processados localmente, reduzindo custos de tráfego internacional e cumprindo legislações de proteção de dados (como a LGPD). O Brasil já se consolidou como o principal hub digital da América Latina, atraindo investimentos que movimentam a cadeia de suprimentos de elétrica, engenharia e sistemas prediais. Sua posição geográfica estratégica, a vasta rede de cabos submarinos que conectam o país diretamente aos Estados Unidos, Europa e África, e o tamanho do seu mercado consumidor o colocam em uma posição de liderança global para a atração desse tipo de infraestrutura alicerçada em uma cadeia robusta de suprimentos, elétrica e de engenharia”, aponta o executivo da TelCables Brasil.
A TelCables Brasil, além de ser uma operadora de data center, atua como um provedor de infraestrutura de rede e conectividade de alta performance que viabiliza o ecossistema de data centers. “Mais do que gerenciar espaços físicos, nossa atuação está focada em garantir que os data centers estejam hiperconectados globalmente. Oferecemos soluções integradas de trânsito IP, capacidade de transporte de dados de altíssima velocidade e conexões diretas (Cloud Connect) aos maiores provedores de nuvem do mundo (como AWS, Azure, Google Cloud). Funcionamos como a malha de transporte que une os data centers locais aos principais pontos de troca de tráfego mundiais, dando suporte técnico e estrutural à operação de negócios do setor”, explica Hemil Ribeiro.
“Fortaleza funciona como um dos nossos principais hubs de interconexão, onde o AngoNAP (nosso data center Rated 3) recebe e distribui o tráfego dos cabos submarinos internacionais SACS e MONET. A partir dessa estrutura na região, conectamos provedores de internet (ISPs), operadoras e grandes corporações brasileiras a uma rede que se estende pelas Américas, África e Europa”, detalha Ribeiro.

Além do AngoNAP Fortaleza, a companhia participa ativamente do fortalecimento do ecossistema de Pontos de Presença (PoPs) e parcerias de interconexão e capacidade com grandes players e parceiros comerciais de infraestrutura (como a EllaLink), garantindo rotas de redundância e conectividade direta de baixíssima latência entre o Brasil e o continente europeu.
De acordo com Hemil Ribeiro, o grande diferencial da TelCables é a hiperconectividade global nativa. “Enquanto muitos data centers focam estritamente no espaço físico, nós oferecemos um ecossistema onde o cliente já nasce conectado às principais rotas internacionais (SACS, MONET, WACS) e aos maiores IXPs (Pontos de Troca de Tráfego) do mundo com um único salto. Nosso data center em Fortaleza possui certificação Rated 3 (garantindo altíssima disponibilidade), atua de forma carrier-neutral (permitindo que o cliente escolha sua operadora) e entrega uma das menores latências do mercado para os EUA e Europa devido à nossa infraestrutura própria de cabos”, detalha o executivo.
Desafios para operação de data centers no Brasil
Na opinião de Rodrigo Oliveira, VP Sales LATAM Data Center da Cirion, hoje existem quatro grandes desafios para a operação de data centers no Brasil.
O primeiro é a disponibilidade de energia elétrica em regiões onde há maior concentração de investimentos. O segundo é ampliar a infraestrutura de transmissão para acompanhar o crescimento da demanda. O terceiro envolve segurança regulatória e mecanismos que aumentem a competitividade do Brasil na atração de investimentos internacionais. E o quarto é a formação de mão de obra altamente especializada, já que o setor exige profissionais capacitados em infraestrutura crítica, automação, redes, energia, refrigeração e segurança cibernética.
“São desafios que precisam ser enfrentados conjuntamente pelo setor privado e pelo poder público”, defende Rodrigo.
Quanto à questão da mão de obra, Rodrigo Oliveira diz que a demanda por profissionais cresce em ritmo superior à oferta. Os data centers modernos exigem equipes multidisciplinares que dominem engenharia elétrica, mecânica, telecomunicações, infraestrutura de TI, cloud computing, automação, inteligência artificial, cibersegurança e gestão de operações críticas.
“Além da formação técnica, certificações internacionais, domínio do inglês e atualização constante tornam-se diferenciais importantes. É uma área que oferece excelentes perspectivas profissionais, justamente porque acompanha o crescimento da economia digital”, ressalta Rodrigo.
Para Fernanda Belchior, diretora de Marketing e Vendas da Elea Data Centers, o principal desafio atualmente é criar um ambiente mais competitivo para atrair investimentos globais. Ela aponta que embora o Brasil reúna vantagens estratégicas, como uma matriz elétrica majoritariamente renovável e disponibilidade de energia, o custo de implantação ainda é elevado em razão da carga tributária incidente sobre equipamentos de alta tecnologia. “Nesse contexto, a aprovação do Redata é considerada fundamental para reduzir esses custos e ampliar a competitividade do país”, acredita.
Outro desafio citado por Fernanda é ampliar a infraestrutura de transmissão de energia. O Brasil possui grande disponibilidade de geração renovável, mas ainda enfrenta limitações na transmissão em determinadas regiões. “Nesse contexto, os data centers podem atuar como parceiros do sistema elétrico, ao viabilizar investimentos em infraestrutura e contribuir para o aproveitamento de energia que hoje é desperdiçada por falta de capacidade de escoamento. Em 2025, por exemplo, o país registrou níveis recordes de curtailment, com o corte de geração de fontes renováveis devido a restrições na rede. A expansão coordenada entre geração, transmissão e grandes consumidores, como os data centers, é uma oportunidade para aumentar a eficiência do sistema e acelerar a transição energética”, frisa Fernanda.
A diretora da Elea diz ainda que a demanda por profissionais especializados cresce rapidamente e tende a aumentar nos próximos anos, impulsionada pela expansão dos investimentos em infraestrutura digital e inteligência artificial. “O setor demanda profissionais de diferentes áreas, como engenharia elétrica, mecânica, civil, telecomunicações, redes, infraestrutura crítica, operações, automação, segurança da informação, sustentabilidade e tecnologia da informação. Mais do que conhecimento técnico, cresce a necessidade de profissionais com visão multidisciplinar, capazes de atuar em ambientes altamente críticos e com foco em disponibilidade, eficiência energética, automação e gestão operacional. Investir em formação técnica, certificações, atualização constante e conhecimentos relacionados à computação em nuvem, inteligência artificial e infraestrutura crítica será um diferencial importante para impulsionar o mercado”, orienta Fernanda.
Para Hemil Ribeiro, líder de Infraestruturas da Angola Cables, e porta-voz da TelCables Brasil, uma subsidiária do grupo Angola Cables, os principais desafios no Brasil são a disponibilidade e o custo da energia elétrica, especialmente para projetos de grande porte e IA. “Também se destacam os desafios de refrigeração devido ao clima tropical, que aumenta o consumo de energia e os custos operacionais. A escassez de mão de obra especializada em ambientes de missão crítica é outro fator relevante. Além disso, conectividade redundante, licenciamento de infraestrutura e exigências crescentes de sustentabilidade impactam diretamente a expansão e a competitividade do setor”, cita Ribeiro.
O porta-voz da TelCables Brasil comenta que há na área uma demanda forte por profissionais especializados em engenharia de infraestrutura crítica, gerenciamento de energia e refrigeração industrial, além de arquitetos de redes de alta densidade. “Para atuar na área, os profissionais devem buscar especializações que unam a engenharia tradicional (com forte base em elétrica, mecânica e sistemas prediais) à tecnologia da informação. Certificações internacionais voltadas para infraestrutura crítica (como as do Uptime Institute, DCD ou Acreon) e conhecimentos profundos em virtualização, segurança de rede e automação de sistemas são diferenciais altamente valorizados”, sugere.
Viés ambiental
Os data centers respondem por grande consumo de energia e água. Perguntamos aos operadores qual a preocupação em suprir adequadamente esses empreendimentos sem comprometer a capacidade de fornecimento desses recursos naturais.
Rodrigo Oliveira, VP Sales LATAM Data Center da Cirion garante que a sustentabilidade faz parte da estratégia da Cirion. Ele diz que a empresa busca continuamente elevar a eficiência energética de suas operações por meio de tecnologias modernas de refrigeração, gestão inteligente de consumo, otimização do uso de energia e adoção crescente de fontes renováveis.
Os projetos mais recentes também são concebidos para atender aplicações de inteligência artificial com maior eficiência operacional, reduzindo o consumo por unidade computacional.
Além disso, toda expansão considera estudos detalhados sobre disponibilidade energética, capacidade da infraestrutura local e melhores práticas ambientais, buscando equilibrar crescimento da infraestrutura digital com uso responsável dos recursos naturais. “Na visão da Cirion, crescimento e sustentabilidade caminham juntos. O desenvolvimento da economia digital depende de uma infraestrutura resiliente, eficiente e ambientalmente responsável”, conclui.

Fernanda Belchior, diretora de Marketing e Vendas da Elea Data Centers também comenta que a sustentabilidade faz parte do planejamento da companhia desde a concepção dos projetos. No caso da energia, a Elea opera utilizando energia elétrica renovável certificada. Além disso, o consumo dos data centers representa uma parcela relativamente pequena da demanda nacional — cerca de 1,7% da eletricidade consumida no Brasil. Em contrapartida, aponta a executiva, novos data centers podem contribuir para o melhor aproveitamento da geração renovável disponível, funcionando como cargas contínuas e previsíveis que ajudam a reduzir desperdícios de energia causados por limitações na transmissão. Em relação à água, a empresa prioriza tecnologias de alta eficiência com fluido refrigerante, que funcionam como o radiador de um carro: o recurso circula internamente durante anos, com pouquíssimas intervenções de manutenção. Isso resulta em um dos menores índices de uso de água do setor (WUE), na ordem de 0,01% L/kWh. “Cada novo empreendimento passa por estudos específicos de disponibilidade hídrica e energética, garantindo que sua implantação seja compatível com a infraestrutura local e não comprometa o abastecimento da população. Essa avaliação faz parte do processo de licenciamento ambiental e do planejamento operacional de longo prazo”, explica Fernanda.
Hemil Ribeiro, líder de Infraestruturas da Angola Cables, e porta-voz da TelCables Brasil, uma subsidiária do grupo Angola Cables, diz que a sustentabilidade e a eficiência energética são prioridades absolutas na estratégia de operação e negócio da companhia. “O AngoNAP Fortaleza foi projetado seguindo rigorosos padrões internacionais de eficiência ambiental. Buscamos otimizar continuamente o PUE (Power Usage Effectiveness, métrica que mede a eficiência energética de um data center) por meio de sistemas modernos de refrigeração inteligente de alta precisão que reduzem drasticamente o desperdício de energia e adotam sistemas de refrigeração por expansão direta (gás refrigerante) o que nos permite não consumir água no data center. Além disso, a empresa tem o compromisso de buscar, de forma progressiva, a integração e contratação de fontes de energia limpa e renovável (como eólica e solar), mitigando o impacto ambiental e garantindo a resiliência operacional sem sobrecarregar os recursos locais”, detalha Ribeiro.

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