Gestão de Equipes Digitais

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A inteligência e o talento são grandezas vetoriais, ao contrário da incompetência, que é uma grandeza escalar.

O sucesso de um negócio é derivado da multiplicação de três variáveis bem definidas: pessoas, processos e produtos. Tais variáveis são interdependentes e para que o resultado dessa multiplicação seja positivo é necessário que todas elas sejam maiores que zero. Uma grande solução entregue por meio de um produto bem pensado e desenvolvido, porém, produzido por meio de um processo inadequado ou gerenciado por pessoas despreparadas, tende a diminuir a resultante ou o valor da solução. Contudo, como o assunto de hoje é Gestão de Equipes, vamos isolar essa variável para tentar entender mais profundamente como ela funciona dentro do mundo digital. Nós, os humanos, diferentemente das máquinas e dos robôs, temos motivações das mais diversas para executar tarefas. Algumas delas estão intimamente ligadas à satisfação de nossas necessidades básicas como comer, dormir ou descansar. De acordo com a teoria sobre a hierarquia das necessidades de Maslow, somente subiremos na pirâmide das necessidades quando satisfizermos plenamente as mais básicas ou fundamentais. Imagine-se sem comer por alguns dias. Dificilmente alguém nessa condição irá pensar em segurança, reconhecimento social ou realização pessoal/profissional. Todo o foco e a pouca energia corporal e mental disponíveis estarão direcionadas para a obtenção de comida, seja ela o que quer que seja.

Os aglomerados de seres humanos somente são possíveis porque se unem em torno de um propósito comum como a obtenção de alimento, proteção contra um inimigo externo ou ajuda mútua para superar um obstáculo físico ou natural. E nós fazemos isso baseados no compartilhamento de uma ideia de realidade que faz com que os indivíduos abram mão de certos interesses pessoais a fim de que o propósito maior seja alcançado. No entanto, quando este propósito não é claro, objetivo e com valor substantivo, os membros da equipe tendem a buscá-los por si mesmos. Isso faz com que haja grande desperdício de energia do conjunto. Imagine por um momento o sistema hidráulico de uma casa que tem por objetivo hidratar e higienizar pessoas e coisas. Esse é seu propósito principal. Para atingir esse fim, válvulas de contenção, distribuidores de direção, cotovelos e torneiras são colocados no projeto para que o usuário final tenha total conveniência e facilidade para operações tão naturais quanto beber água, regar plantas ou tomar banho. Agora, se as várias partes que compõem esse sistema resolvessem, como que por mágica, agir individualmente baseados apenas em seus propósitos individuais, talvez o registro que regula a vazão, regularia mais água de que o necessário. A torneira, ao mesmo tempo, liberaria toda a água que sua capacidade permitisse sem se importar se o registro comportaria ou não; encanamentos que decidissem por eles mesmos sanar a sede e regar plantas, não respeitando o equilíbrio do conjunto. Muito fácil imaginar que essa situação caótica levaria o dono da casa a chamar um especialista para colocar um fim na total ineficiência do sistema, evitando os indesejáveis vazamentos, falta de abastecimento ou aumento indesejado da conta. Bem, esse exemplo imaginário, mas bastante real, principalmente em edificações antigas e mal conservadas, é bastante válido quando pensamos em gestão de equipes. A teoria Gestáltica (Fritz Perls 1893-1970) demonstra que somente podemos compreender as partes ao conhecermos o todo e que esse é maior do que a soma de suas partes. Assim, quando pensamos na gestão de nossas equipes deveríamos levar em consideração qual o sentido, o propósito de sua existência. Nossas empresas existem para atender necessidades específicas tal qual o sistema hidráulico de uma edificação citado anteriormente. E uma vez que essa função existencial se torna clara e objetiva, ela deverá buscar as partes que comporão e poderão potencializá-la. Por melhor e mais qualificados que sejam os indivíduos de uma equipe, a maximização dos resultados será plena quando cada parte estiver alinhada e comprometida com o todo e não o inverso. Quando disputas individuais, objetivos parciais e até mesmo inteligência forem utilizadas para outros fins que não o do alcance da função existencial da organização, a Lei da Entropia prevalecerá, ou seja, a total desordem e falta de sinergia entre as partes levando ao colapso do todo.

E como podemos gerenciar equipes no mundo instantâneo baseados em dados exponenciais da economia digital? Em primeiro lugar, compreendendo que cada colaborador tem um “ânima”, ou seja, uma motivação pelo qual deixa seus afazeres pessoais todos os dias para se incorporar às atividades de uma organização. E por qual motivo isso é feito? Somente ganhar o salário e atender necessidades básicas de subsistência? Para aprender alguma atividade ou adquirir uma habilidade que desconhece? Para socializar? Manter status e símbolos de poder? O desafio do gestor está em compreender e, como um maestro, orquestrar as diferentes motivações fazendo-as soar de forma harmônica dentro da sinfonia maior que é a empresa. Não estou falando da volta ao sistema dos 2 C’s (Comando e Controle), mas propondo que a empresa tenha a capacidade de inspirar e motivar para obtenção de engajamento de seus membros, por meio de “causas” que os mesmos desejem ver solucionadas para o bem comum. Sua empresa trabalha na área elétrica? Desenvolve software e aplicativos? É metalúrgica? Varejista? São reduções enormes dos propósitos da mesma. Na verdade, sua empresa move máquinas para facilitar atividades; desenvolve e produz tecnologias que estendem as capacidades humanas; transforma recursos naturais em soluções diversas; aproxima pessoas a produtos e serviços. Dentro das muitas necessidades que ainda precisam ser satisfeitas, seguramente teremos indivíduos dispostos a aceitarem a missão e entregarem o seu máximo para a consequente solução das mesmas. As pessoas são mais do que números em um crachá ou nomes relacionados em uma lista de pagamentos, elas normalmente reagem de forma diretamente proporcional a maneira pela qual são tratadas e estimuladas. Digo normalmente, pois podem haver exceções, visto que o comportamento humano não é determinístico, mas probabilístico. Sendo assim, diante da atual economia digital, na qual a percepção das pessoas sobre a realidade muda a cada “like” nas redes sociais, exorto aos líderes de equipes que façam uma autocrítica e se exponham a uma análise externa também. Avaliem o quanto estão sendo capazes de passar a mensagem adiante, de inspirar seus colaboradores a produzirem o que se deve, harmonicamente, para o cumprimento da função existencial da companhia. A inteligência e o talento são grandezas vetoriais e necessitam de alinhamento para que a resultante seja positiva, ao contrário estarão permanentemente anulando-­se uns aos outros. De outra maneira, a ignorância e a incompetência são grandezas escalares, somando-se qualquer que seja o sentido em que estejam colocadas.

Autor do artigo:
SAMUEL FELICIO
Mentoria & Consultoria Em Transformação Digital

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