O DPS e seu papel na prevenção contra surtos e incêndios em edificações

Por Klecios Souza*

Seja por sobrecarga das instalações, por falta de manutenção ou ainda devido à grande incidência de raios no Brasil – em média caem 77,8 milhões por ano no país – problemas na rede elétrica, doméstica ou comercial, podem ser apontados como um dos principais causadores de incêndios em edificações. Para evitar esse tipo de situação, o uso de equipamentos como os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) torna-se medida mandatória na hora de montar a infraestrutura de um espaço. Essa medida de segurança poupa não só a edificação, mas também prolonga a vida útil de equipamentos eletroeletrônicos e eletrodomésticos que estejam conectados à rede elétrica.

Por que utilizar?

Quem atua no setor elétrico está mais do que habituado ao uso do DPS em todas as instalações, mas, para evitar acidentes, é importante ressaltar a necessidade do uso desse equipamento também em edificações. São esses dispositivos os responsáveis por detectar sobretensões transitórias na rede elétrica e desviar as correntes de surto para um sistema de aterramento, evitando acidentes que podem começar com a simples queima de um eletrônico ou eletrodoméstico.

O processo é rápido – ocorre em uma fração de segundo – e, por isso, o disjuntor nem detecta a fuga da corrente. O que acontece é uma espécie de fechamento de curto entre fase e terra, sem que isso seja prejudicial para a instalação elétrica. E para que a proteção seja completa é preciso, além de seguir a norma regulamentadora 5410 (para evitar a queima do próprio DPS), contar com a ajuda de disjuntores, chamados de dispositivos de desconexão, que podem atuar em outros problemas como sobrecargas e curtos-circuitos para os quais o DPS não foi dimensionado. Nesses casos, o disjuntor será desarmado impedindo o aquecimento e princípios de possíveis incêndios.

Na hora de planejar um projeto arquitetônico, considerando toda a parte elétrica, é fundamental saber exatamente onde instalar o DPS e disjuntor. Para assegurar a continuidade de proteção, o ideal é inserir o DPS antes do disjuntor geral, pois, assim, mesmo com a falha do primeiro, o segundo continuará a funcionar.

Ainda em edificações, outra opção é aplicar o DPS depois do disjuntor geral, de forma que, nessa posição, a falha do primeiro desative o segundo e ocasione a interrupção da alimentação do circuito – que ficará desligado até o dispositivo de proteção contra surtos ser substituído corretamente.

Classificações de um DPS – Apesar das diversas aplicações, existem três classes de DPS voltadas para sobretensões em espaços específicos:

Classe I: dispositivos com capacidade para drenagem de correntes parciais de um raio, indicados para áreas urbanas periféricas e rurais, que ficam expostas a descargas atmosféricas diretas.

Classe II: dispositivos que drenam correntes induzidas, utilizados em edificações, com efeitos indiretos de descarga atmosférica.

Classe III: dispositivos instalados próximos a equipamentos ligados à rede elétrica, de dados ou telefônica, para proteção final.

Todas essas classificações são fundamentais para a segurança elétrica individual e coletiva. No caso de projetos de edificações, entretanto, o mais indicado é focar no tipo II, voltado a surtos mais comuns, e que podem se transformar em acidentes gravíssimos com vítimas.

Contar com o uso de DPS em uma edificação é algo indispensável, principalmente, para evitar imprevistos como choques ou incêndios. Afinal, nunca se sabe quando poderão acontecer situações como a queda de um raio, picos de energia simples ou um blecaute geral. A instalação desse tipo de equipamento não é apenas um diferencial no projeto arquitetônico, mas sim uma necessidade básica para prevenção de desastres.

*Klecios Souza é vice-presidente de Building da Schneider Electric Brasil.

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