Cabos para sistemas fotovoltaicos

Mercado de cabos para sistemas fotovoltaicos acompanha crescimento do setor solar e mantém boas perspectivas.

Com excelentes níveis de irradiação solar, o Brasil possui um mercado bastante promissor na área de energia fotovoltaica, o que pode ser comprovado pelos números.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), as usinas de grande porte e os pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos respondem atualmente por mais de 6 gigawatts de potência operacional. Os investimentos privados totais chegam a R$ 31 bilhões.

Mas esse é um setor ainda pouco explorado, que está apenas engatinhando no País. Assim, o potencial de crescimento é enorme.

Consequentemente, são grandes também as oportunidades para os mercados que atuam no fornecimento de produtos e soluções para esse segmento. É o caso dos cabos para geração solar fotovoltaica.

Mas vale lembrar que é essencial a aplicação do cabo específico para o setor fotovoltaico nesse tipo de ambiente.

Conforme explica Nelson Volyk, gerente de Engenharia de Produto da fabricante SIL, quando foi elaborada a norma técnica do cabo solar fotovoltaico, que é a NBR 16612 – “Cabos de potência para sistemas fotovoltaicos, não halogenados, isolados, com cobertura, para tensão de até 1,8 kV C.C. entre condutores – Requisitos de desempenho”, foi projetado um cabo específico para essa aplicação, que possibilita uma perfeita conexão utilizando os conectores fabricados para essa aplicação, um cabo que possa ficar exposto às intempéries por 25 anos, que é a estimativa da vida útil do sistema de geração solar. “Ou seja, se em um sistema de geração não foi utilizado esse cabo específico, provavelmente o condutor convencional vai apresentar alguma falha antes que os demais equipamentos do sistema”, indica.

Gilberto Alvarenga, gerente de Negócios Estratégicos da IFC/COBRECOM, reforça que o cabo para uso fotovoltaico produzido de acordo com a NBR 16612 possui todas as características exigidas para esse tipo de instalação. “Os cabos convencionais, além de terem utilização proibida em instalações fotovoltaicas, não contam com os atributos necessários para instalações fotovoltaicas”, destaca.

Mas afinal, quais as principais diferenças entre o cabo solar fotovoltaico e o cabo comum de energia?

Ivan Arca Uliana, especialista de aplicações do Grupo Prysmian, relata que cada cabo é projetado para suportar as agressões que o meio ambiente oferecerá em seu local de instalação. Os cabos solares fotovoltaicos, em geral, ficam sob as placas fotovoltaicas que ficam direcionadas ao sol. Isso faz com que a temperatura nessa condição seja bastante elevada. Além disso, quanto mais sol tivermos incidindo sobre as placas, mais energia elétrica elas estarão gerando, aquecendo os condutores dos cabos. “Portanto, a maior diferença entre esses cabos e os ’tradicionais’ é sua capacidade de operar em altas temperaturas por um longo período de tempo. A temperatura no condutor, em regime permanente, deve ser de no máximo 90 °C, mas por um período de até 20.000 horas, esses cabos deverão suportar até 120 °C em um ambiente com uma temperatura de 90 °C”, detalha.

Outra característica importante é que tanto a isolação como a cobertura desses cabos devem ser fabricadas com compostos não halogenados. “Sabemos que cabos não halogenados devem ser utilizados onde temos grande concentração de pessoas ou rotas de fuga difíceis, pois não produzem gases tóxicos e corrosivos durante um incêndio, salvando vidas. No caso dos cabos solares fotovoltaicos, a intenção de utilizarmos cabos livres de halogênios é para preservar o investimento e o patrimônio, já que em caso de incêndio não haverá gases corrosivos para destruir ainda mais os equipamentos”, observa Ivan.

Nelson Volyk explica que o cabo solar fotovoltaico é fabricado com cobre estanhado, ou seja, há uma camada de estanho em volta de cada fio de cobre, enquanto que os condutores comuns de energia não possuem essa camada de estanho. “Os compostos de isolação e cobertura do Cabo Solar Fotovoltaico são muito mais resistentes às intempéries, comparados aos cabos comuns de energia”, complementa.

Gilberto Alvarenga diz que os cabos para instalações fotovoltaicas devem ter cobertura nas cores preta (negativo) ou vermelha (positivo) e verde ou verde/amarela (condutor de proteção); marcação a cada 50 cm da frase: USO EM SISTEMA FOTOVOLTAICO; e devem ser resistentes à água e à radiação UV. “Em uma instalação fotovoltaica, se houver o uso de cabos que não atendem os requisitos da Norma NBR 16612, o que é proibido, seu funcionamento e durabilidade podem ser seriamente prejudicados, colocando em risco a integridade da instalação, aumentando a possibilidade de incêndios e choques elétricos. Vale lembrar que os cabos elétricos utilizados em instalações fixas de casas, indústrias, prédios residenciais e comerciais possuem características completamente diferentes que os exigidos para instalações fotovoltaicas”, reforça.

Cuidados na aquisição

Sobre os cuidados que o comprador deve ter ao adquirir cabos fotovoltaicos, para não ter problemas com eventual falta de qualidade, Nelson Volyk recomenda comprar de fabricantes tradicionais. “O cabo solar fotovoltaico é fabricado com compostos onde há necessidade de maquinário mais robusto e domínio da tecnologia. Um fabricante novo e pequeno, dificilmente terá equipamento industrial para produzir este tipo de cabo. Além disso um fator de análise é o preço; a corda de cobre estanhado é bem mais cara que a corda apenas de cobre, os compostos da isolação e da cobertura são muito mais caros que os utilizados nos cabos convencionais, além de serem importados. Desta forma vemos que caso haja um cabo solar fotovoltaico barato, há algo suspeito”.

Para Gilberto Alvarenga, economia é palavra proibida na hora de comprar cabos para instalações fotovoltaicas. “Invista apenas em produtos de qualidade reconhecida, como os cabos de importantes marcas como o da IFC/COBRECOM, que são fabricados com o mais rigoroso controle de qualidade e estão de acordo com a Norma ABNT NBR 16612”.

Ivan Uliana diz que o primeiro cuidado é verificar a gravação na capa do cabo. “Deve estar escrito que o cabo é para uso em sistema fotovoltaico e também deve constar da gravação a norma ABNT NBR 16612. O segundo passo para garantir que o cabo atende ou excede os requisitos normativos é ter uma certificação dada por um laboratório independente. Todo fabricante enaltece seu produto, dizendo que é o de melhor qualidade do mercado, porém somente um laboratório independente pode atestar essa qualidade de maneira isenta”, comenta.

Cuidados na instalação

Segundo Nelson Volyk, da SIL, quanto à instalação, o cabo solar necessita dos mesmos cuidados de um cabo convencional, mas como ele geralmente é instalado ao ar livre, isso torna necessário também um cuidado em dias de chuva, para não ocorrer a penetração de água na ponta dos cabos que ainda não estiverem instalados.

Ivan Uliana, do Grupo Prysmian diz que apesar de parecerem bastante fortes e resistentes, os cabos necessitam cuidados especiais no manuseio. “Respeitar as cargas de tração e os raios de curvatura; cuidar para que ele não seja amassado ou pisado; não permitir torções; cuidar para que as infraestruturas de suporte não machuquem a cobertura; evitar cortes e arranhões na capa e proteger as extremidades quanto a umidade são alguns dos cuidados que devemos ter”, destaca.

Gilberto Alvarenga, da IFC/COBRECOM, lembra que as instalações fotovoltaicas só devem ser executadas por profissionais habilitados e capacitados para este tipo de trabalho. “Além disso, é preciso ter um projeto com as especificações corretas dos cabos e dos outros componentes da instalação”, complementa.

ENTREVISTA

Confira a seguir um bate-papo com os representantes das empresas sobre o momento do mercado de cabos fotovoltaicos. Participam da conversa executivos da SIL Fios e Cabos Elétricos, que produz o Cabo AtoxSil Solar; da IFC/COBRECOM, que fabrica o Cabo Solarcom, e do Grupo Prysmian, que fabrica o cabo PrySun.

1. COMO TEM SE COMPORTADO O MERCADO (EM GERAL) DE CABOS FOTOVOLTAICOS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS ANOS?

IVAN ULIANA: Com um crescimento bastante acelerado. Em algumas empresas, o crescimento chegava a mais de 300% ao ano. Isso se deve ao preço de nossa energia elétrica, que está muito elevado, e ao decréscimo dos custos de instalação dos sistemas. Some a esses fatores que ainda somos um País onde a energia solar é muito pouco aproveitada. Em alguns países, como a Austrália, de casa 6 residências, uma tem geração solar. Portanto ainda temos muito trabalho pela frente.

GILBERTO ALVARENGA: A geração de energia fotovoltaica já é uma realidade no Brasil. Além de limpa e renovável, a energia solar proporciona grande economia para quem investe nela. Atualmente, no País, o crescimento no número de instalações fotovoltaicas pode ser notado tanto nas usinas de grande porte, como também junto aos centros consumidores (telhados de indústrias, hospitais, prédios residenciais e comerciais, casas, entre outros). O ponto forte da energia solar é que ela pode gerar uma economia entre 50 e 95% na conta de luz, sendo que o investimento inicial para a instalação das placas solares e de todo o equipamento acaba sendo pago ao longo dos anos pelo que foi economizado com a redução da conta. Vale lembrar que o Brasil é um país com grande incidência de raios solares, o que beneficia a produção desse tipo de energia.

NELSON VOLYK: A utilização de cabo solar fotovoltaico vem crescendo mês a mês, principalmente pelo conhecimento que os instaladores vêm adquirindo da necessidade de usar o produto certo. Atualmente existem algumas opções no mercado deste produto certificado, mas percebemos que já há no mercado fabricante que antes produzia cabo desbitolado, agora está “dizendo” que produz esse cabo, com preço próximo de cabo convencional, então isso é um alerta de que pode haver algo errado.

2. QUE REPERCUSSÕES A PANDEMIA TEVE NO MERCADO (EM GERAL) DE CABOS FOTOVOLTAICOS ATÉ O MOMENTO?

IVAN ULIANA: As instalações de usinas que foram projetadas antes da pandemia continuam seus cronogramas, já as instalações residenciais sofreram uma grande queda. Não por terem sido abandonadas, mas sim postergadas.

GILBERTO ALVARENGA: Apesar da crise econômica gerada pela pandemia, a IFC/COBRECOM continua acreditando no potencial desse segmento de instalações fotovoltaicas. Por isso, estamos trabalhando arduamente para a retomada das vendas, participando de eventos on-line sobre o assunto, inclusive organizamos alguns deles sobre o assunto.

NELSON VOLYK: O consumo deste tipo de cabo vinha crescendo mês a mês até a pandemia, houve uma queda e agora estamos aguardando a retomada da construção dos parques solares e de microgeração, para voltar o consumo de antes.

3. QUAIS AS PERSPECTIVAS QUANTO AO FUTURO DO MERCADO (EM GERAL) DE CABOS FOTOVOLTAICOS NO BRASIL?

IVAN ULIANA: As melhores possíveis. Enquanto houver o equilíbrio entre valores – a remuneração da geração solar fotovoltaica igual ao valor do kW consumido – o mercado tende a continuar se expandindo. Infelizmente existem tentativas de mudar esse cenário, mas parece que ainda teremos essa paridade por muito tempo.

GILBERTO ALVARENGA: Esperamos a retomada em breve de todo o segmento de instalações elétricas. Acredito que a partir de agosto ou setembro as vendas comecem a voltar a crescer.

NELSON VOLYK: A perspectiva é que continue o crescimento do consumo deste tipo de cabo, devido ao aumento da geração de energia solar, que já é uma realidade no mundo.

4. QUE FATORES IMPULSIONAM MAIS A VENDA DESSE TIPO DE PRODUTO (CONSTRUÇÃO DE GRANDES USINAS FOTOVOLTAICAS, GERAÇÃO DISTRIBUÍDA, MANUTENÇÃO ETC.)?

IVAN ULIANA: As grandes usinas consomem muito cabo, mas com a disseminação das instalações residenciais, a procura por Kits tem aumentado muito. O Kit é um pacote que inclui as placas geradoras, o inversor, o string box e os cabos. Alguns grandes comerciantes de Kits compram grandes quantidades de cabos.

GILBERTO ALVARENGA: Principalmente a construção de grandes usinas fotovoltaicas e a geração distribuída.

NELSON VOLYK: Hoje o que impulsiona o consumo destes cabos são as grandes usinas fotovoltaicas e a microgeração. Ainda não há consumo para manutenção, até devido a longa vida útil do sistema de geração solar.

5. QUE FATORES PODERIAM CONTRIBUIR PARA O CRESCIMENTO DO MERCADO (NOVOS LEILÕES, MAIOR INCENTIVO ÀS FONTES RENOVÁVEIS, CONSCIENTIZAÇÃO DO MERCADO ETC.)?

IVAN ULIANA: Todos os fatores citados com certeza contribuiriam. Pessoalmente, acredito que a substituição dos automóveis com motor a explosão pelos elétricos faria com que o setor multiplicasse em muitas vezes sua capacidade de crescimento. Para isso, o governo deveria dar um incentivo, para que esse tipo de automóvel custasse menos e criasse uma rede de postos de reabastecimento. É a industria automotiva que irá fazer essa nova onda de crescimento das instalações solares fotovoltaicas.

GILBERTO ALVARENGA: Para que o mercado de instalações fotovoltaicas continue crescendo é preciso não só novas obras, como também a conscientização das vantagens de se utilizar esse sistema, a conscientização de todas as empresas do segmento em entregar produtos seguros, de qualidade e que estejam de acordo com as normas técnicas exigidas para esse tipo de instalação. A IFC/COBRECOM é uma empresa comprometida em entregar produtos com alta eficiência, qualidade e segurança. Investimos constantemente na modernização de nossos equipamentos. Também realizamos aperfeiçoamentos constantes em nossos processos para atender às exigências do mercado para produzirmos fios e cabos elétricos seguros e confiáveis e assim garantir a satisfação dos nossos clientes.

NELSON VOLYK: A geração de energia solar, que é uma energia limpa, poderia ser incentivada para as pequenas gerações com regras claras do governo, incentivos e redução de impostos em equipamentos, que já foi proposto pelo governo federal mas não foi aprovado. Além disso há uma incerteza quanto aos custos da distribuição de energia e encargos, para quem fornece o excedente de energia à rede.

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