Compras de materiais elétricos: para não errar mais

Comprar material elétrico pode não ser tarefa das mais fáceis, mas com conhecimento, informação e jogo de cintura é possível ter sucesso.

Se gostar da profissão, manter-se sempre atualizado e trabalhar com a máxima segurança são requisitos indispensáveis para ser um bom eletricista, saber comprar corretamente o material elétrico para cada circunstância, e como comprar, também o é. A tarefa, à primeira vista, pode parecer simples. Mas não de todo. Para desempenhá-la com maestria é necessário ter muito conhecimento, informação e jogo de cintura.

Então, quais cuidados os eletricistas devem ter ao comprar materiais elétricos? Alguns são bem importantes. Para ter efetividade nessa empreitada, o profissional deve levar em conta dois pontos: o técnico e o comercial. O primeiro, obviamente, trará benefícios incalculáveis, pois primar pela qualidade será garantia de trabalho bem-feito. Já no segundo, ao contrário, a vantagem pode ser calculada na ponta do lápis, gerando economia. O fato é que, praticando corretamente os dois aspectos, eletricista e cliente sairão no lucro.

Para começar, Everton Moraes (foto), especialista na área elétrica e diretor do Portal Sala da Elétrica, que oferece informações técnicas do segmento de maneira simples e descomplicada, aconselha os profissionais conhecerem de perto os fabricantes. Em princípio, pode parecer difícil, mas criar uma lista dos principais produtores e entrar em contato com cada um para saber o nível de dificuldade, caso necessite acionar a assistência técnica ou o suporte ao cliente, será um grande diferencial. Uma hora ou outra, esse trato mais próximo será benéfico.

Everton Moraes | Sala da Elétrica
“Não aconselho o eletricista a gerar estoque de materiais, a não ser que ele tenha a certeza de quais produtos irá utilizar no seu dia a dia”.

A partir disso, outros cuidados vão depender de muitos fatores, por exemplo, qual tipo de instalação: residencial, industrial ou comercial? As normas para tal exigem alguma atenção especial em relação ao material, como proteção intrínseca?

Para responder todas essas questões, e outras tantas, o eletricista precisa conhecer profundamente o serviço a ser executado, para depois conseguir analisar a qualidade.

E, atenção: mesmo que um produto tenha a certificação do Inmetro não quer dizer que será útil àquela determinada situação. Antes de tudo, deve-se conhecer todas as exigências das normas técnicas e regulamentadoras e as leis, caso haja, para entender particularidades da instalação que receberá os materiais.

“Ter a certificação do Inmetro é muito importante também, mas, ainda assim, o eletricista precisa conhecer o produto. Mesmo com certificado, observamos no mercado itens para aplicações semelhantes, mas com parâmetros de qualidade distintos. A melhor forma é conhecer a norma técnica e/ou regulamentadora que está diretamente relacionada ao serviço a ser prestado. Desse modo, o profissional conseguirá entender e reconhecer as necessidades mínimas de qualidade e de segurança que compreendem os produtos a serem utilizados”, reforça Moraes.

Mário Mendes Junior, presidente do GSEL – Grupo Setorial de Instalações Eletromecânicas, compartilha da mesma opinião e vai além: “Infelizmente, a certificação do Inmetro, atualmente, está um tanto banalizada, pois existem produtos certificados no mercado, mas de péssima qualidade. Por isso, sugerimos sempre levar uma peça como amostra até um laboratório, como Falcon Bauer, para análise. Também defendemos maior fiscalização no setor, já que existem produtos paralelos que podem induzir o comprador ao erro”.

Já para Edson Martinho (foto), engenheiro eletricista e diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), o conhecimento é uma importante ferramenta para os profissionais entenderem melhor os produtos e sua qualidade, enquanto requisitos e especificações são garantias de bom trabalho com bons equipamentos. A primeira etapa é verificar os requisitos dos materiais descritos em um projeto e, caso não haja projeto – o que não é recomendado –, apurar se há indicação de produtos que atendam à necessidade da instalação.

Edson Martinho | Abracopel
“Comprar volumes maiores de produtos permite melhores negociações, assim como o pagamento à vista”.

“O profissional deve ter esse cuidado, além de averiguar a presença do selo do Inmetro, especialmente em condutores, mini disjuntores, interruptores e tomadas. Esta é uma importante decisão na hora da compra. Embora o selo do instituto ateste que os produtos passam por ensaios constantemente, não é garantia de 100% de qualidade. Há falsificadores e fraudadores que podem burlar. Infelizmente, essa prática existe e pode deixar os profissionais em maus lençóis. Comprar itens de marcas conhecidas pode ser uma boa alternativa”, alerta Martinho.

SEGURANÇA
Comprar produtos de boa qualidade é essencial para assegurar a boa performance da instalação.

Outro ponto a ser levado em consideração é a garantia, sem dúvida, um diferencial a ser colocado na mesa. A preferência deve ser para a do fabricante, porque, na maioria das vezes, é maior do que a do lojista, que também tem seu valor pela agilidade em caso de substituição ou troca de produtos. E, como o eletricista deverá também dar garantia do seu trabalho, conhecer a oferecida pelos dois canais é crucial para que não tenha problemas financeiros em função de defeitos de materiais. Aliás, garantia do serviço prestado é mais uma maneira de gerar valor e mostrar ao cliente comprometimento.

Seguir um projeto elétrico também é condição indispensável dentro desses cuidados já que, para comprar os materiais adequados, o profissional buscará nele todas as especificações técnicas necessárias. Mas, no caso de não haver um projeto, como às vezes acontece, o eletricista deve analisar a necessidade e a aplicação. Conhecer as cargas elétricas que compõem a instalação é crucial para especificação dos materiais/produtos, pois estão normalmente relacionadas à corrente nominal.

É preciso saber negociar

Entrando no segundo aspecto, o comercial, para ser bem-sucedido na questão o eletricista precisa elaborar a lista de produtos que comporá a obra/instalação, apresentar ao cliente, gerando transparência e confiança, e partir para a negociação.

De início pode ser complicado conseguir grandes descontos. Assim, a indicação é manter um ou dois fornecedores principais, de preferência em lojas menores, já que nas grandes redes dificilmente terão acesso direto a pessoas influentes. Vale lembrar que flexibilizar o pagamento pode ser tão bom quanto obter descontos consideráveis, dependendo da situação. É um ponto importante a ser considerado.

Também é indicado, e até essencial, ter mais de um fornecedor. Explica-se: o bom relacionamento permite que o eletricista consiga descontos, porém, nem sempre os fornecedores possuem todo o material necessário. Ter o poder de decisão de compra nas mãos é um ponto forte de negociação tanto de preço quanto de facilidade de aquisição. Como também é importante avaliar com critério qual forma de pagamento escolher. Neste caso, existem duas situações a serem observadas. Se o profissional estiver em início de carreira é aconselhável que evite qualquer tipo de parcelamento porque pode ser um problema, principalmente sabendo que uma das dificuldades do empreendedor é a administração financeira.

Por outro lado, se o eletricista conhece o seu negócio e tem domínio das finanças de sua empresa pode buscar formas de parcelamentos sem acréscimos e investir, por exemplo, em marketing. Se ele sabe que com uma verba ‘X’ consegue alavancar quantidade ‘Y’ de clientes, então pode utilizar o caixa para impulsionar o negócio.

Comprar em quantidade para obter mais desconto nem sempre é o mais indicado. “Não aconselho o eletricista a gerar estoque de materiais, a não ser que esteja atuando em um nicho de mercado e conheça seu negócio de maneira a antecipar quais os produtos que, com certeza, utilizará em seu dia a dia”, pondera Everton Moraes, que acrescenta: “Aliás, este é um ponto importante a ser considerado. Trabalhar como autônomo, mas se posicionar em uma determinada área de atuação como especialista é um conselho que reforço sempre. Ser um eletricista especialista é bem interessante”.

ATENÇÃO
É preciso analisar com cuidado os preços para efetuar uma compra que seja mais vantajosa.

Por outro lado, na opinião de Edson Martinho, a compra de volumes maiores permite melhores negociações, assim como pagamento à vista também. Vai do gosto e do juízo do freguês. “É importante ter sempre opções e fornecedores de confiança para avaliar a melhor condição na data da compra. Às vezes, um fornecedor oferece melhores oportunidades em determinada época ou período do ano do que outro”, pontua o diretor da Abracopel, que finaliza: “Um dos pontos principais a considerar na compra, além é claro das certificações do produto, é avaliar os valores dos mesmos itens de fabricantes conhecidos e verificar se o produto que está querendo adquirir tem diferença muito grande. Desconfie de valores muito baixos”.

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