Segurança em primeiro lugar

Cabos livres de halogênios tendem a ganhar espaço no mercado, inclusive em locais onde não há obrigatoriedade de uso.

Um mercado com grande potencial de crescimento, devido ao vasto campo de aplicação. Essa é uma das características do segmento de cabos não halogenados, condutores elétricos que podem gerar diversas vantagens para a instalação elétrica de qualquer tipo de imóvel, sendo o seu grande diferencial o fato de proporcionar mais segurança para as pessoas e para o patrimônio.

Cabos livres de halogênios são aqueles nos quais os seus componentes de isolação e cobertura não possuem elementos químicos como cloro, bromo e flúor (basicamente os elementos químicos da coluna 17 da tabela periódica). Estes cabos, em caso de incêndio, possuem baixa emissão de fumaça e de gases tóxicos ou corrosivos. Além disso, o material ainda oferece maior segurança por apresentar características especiais de não propagação das chamas e de autoextinção do fogo.

De acordo com Marcondes Silvestre Takeda (foto), gerente da Engenharia de Aplicação do Grupo Prysmian, o principal benefício do cabo não halogenado é a sua contribuição para a segurança das pessoas que possam estar nos locais numa situação de emergência, como por exemplo em um incêndio. Nelson Volyk, gerente de Engenharia de Produto da SIL Fios e Cabos destaca que dependendo do método de instalação do cabo, ele reduz o risco do local em um incêndio, pois ao ser atingido pelas chamas ele não emitirá muita fumaça e esta não será muito tóxica, aumentando as chances de evacuação do local.

Alexandro Pedroso da Silva (foto), coordenador de Desenvolvimento de Produto da IFC/COBRECOM diz que o principal benefício é a garantia de segurança do patrimônio e de seus moradores e/ou usuários, já que suas principais características são a não propagação das chamas e a autoextinção do fogo.

“Em uma situação de incêndio, havendo a queima dos cabos elétricos em um ambiente, por não liberar gases tóxicos, não irá causar intoxicação às pessoas que estejam no local. Por não liberar fumaça negra, permite a visualização de rotas de fuga. Aumentando a segurança das pessoas que se encontrarem nesta situação de risco. Além de ter estas vantagens, os cabos não halogenados atendem as mesmas características elétricas de cabos similares”, detalha Edson Oliveira, executivo da Conduscabos. 

Para efeito de comparação, os cabos halogenados – por exemplo, aqueles com isolação e/ou capa em PVC (policloreto de vinila) – quando em situações de queima, liberam gases tóxicos com base de cloro altamente nocivos aos seres humanos em termos de toxidez e corrosividade, além de gerarem fumaça densa que bloqueia a visão. “Durante a ocorrência de um incêndio, a inalação de fumaça tóxica poderá ser até mesmo mais perigosa do que as queimaduras. Vale lembrar também que, além das pessoas, estes gases são tão corrosivos que podem danificar outros materiais da instalação, principalmente equipamentos eletrônicos dos circuitos de operação, sinalização, alarme e segurança”, observa Marcondes Takeda.

Conforme estabelecido pela norma ABNT NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão), os cabos não halogenados devem ser obrigatoriamente aplicados em áreas comuns, em áreas de circulação e em áreas de concentração de público, de acordo com a dificuldade da condição de fuga e da densidade de ocupação destes locais (classificações BD2, BD3 e BD4), como por exemplo, em escolas, shopping centers, cinemas, túneis, estações e plataformas de metrôs, aeroportos, hospitais entre outros. Estas classificações são detalhadas na ABNT NBR 13570 (Instalações Elétricas em Locais de Afluência de Público – Requisitos Específicos):

Conforme estabelecido pela norma ABNT NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão), os cabos não halogenados devem ser obrigatoriamente aplicados em áreas comuns, em áreas de circulação e em áreas de concentração de público, de acordo com a dificuldade da condição de fuga e da densidade de ocupação destes locais (classificações BD2, BD3 e BD4), como por exemplo, em escolas, shopping centers, cinemas, túneis, estações e plataformas de metrôs, aeroportos, hospitais entre outros. Estas classificações são detalhadas na ABNT NBR 13570 (Instalações Elétricas em Locais de Afluência de Público – Requisitos Específicos):

BD2

✤ Condição de fuga – Longa

✤ Classificação – Baixa densidade de ocupação e Percurso de fuga longo

✤ Aplicação/Exemplo – Edificações residenciais com altura superior a 50 m e edificações não residenciais com baixa densidade de ocupação e altura superior a 28 m

BD3

✤ Condição de fuga – Tumultuada

✤ Classificação – Alta densidade de ocupação Percurso de fuga breve

✤ Locais de afluência de público (teatros, cinemas, lojas de departamentos, escolas etc.); edificações não-residenciais com alta densidade de ocupação e altura inferior a 28 m

BD4

✤ Condição de fuga – Longa e tumultuada

✤ Classificação – Alta densidade de ocupação e Percurso de fuga longo

✤ Locais de afluência de público de maior porte (shopping centers, grandes hotéis e hospitais, estabelecimento de ensino ocupando diversos pavimentos de uma edificação etc.); Edificações não-residenciais com alta densidade de ocupação e altura superior a 28 m

Segundo Marcondes Takeda, mesmo não sendo obrigatória, na condição classificada como BD1 pela NBR 5410, ou seja, em locais de baixa densidade de ocupação e percurso de fuga breve (edificações residenciais com altura inferior a 50m e edificações não residenciais com baixa densidade de ocupação e altura inferior a 28 m), seria interessante a instalação de cabos não halogenados, uma vez que as condições de ocupação podem mudar ao longo do tempo, e podem ocorrer desvios de finalidade e intervenções na estrutura, modificando a condição de fuga do projeto original. “De uma maneira mais simples, é interessante a aplicação em todos os locais fechados, pois segurança nunca é demais”, resume o executivo da Prysmian. Conforme observa Nelson Volyk (foto), quando o projeto elétrico é de um local classificado como BD2, BD3 e BD4 existem alguns métodos de instalação onde não será obrigatório cabos não halogenados, como por exemplo condutores dentro de paredes de alvenaria e eletrodutos metálicos aparentes. “Mas fazer uma grande instalação elétrica utilizando cabos convencionais e cabos não halogenados pode gerar alguma confusão na prática, então, é interessante utilizar um só, e o mais completo é o cabo não halogenado”, defende o especialista da SIL.

Alexandro Pedroso da Silva reforça que esses cabos elétricos são indicados e obrigatórios principalmente para locais com grande afluência de pessoas, como recomendado pelas normas NBR 5410 e 13570 da ABNT. E destaca que isso não impede que os cabos não halogenados sejam instalados em casas de um ou mais andares, já que o ponto forte do produto é garantir ainda mais a segurança das pessoas. “Por conta do reconhecimento dessas características muito importantes, o mercado aponta para o crescimento da utilização dos cabos não halogenados até mesmo em construções nas quais o material não possui obrigatoriedade, como residências de um ou mais andares, por exemplo”, conclui.

Conforme destaca Edson Oliveira, este tipo de cabo não tem contra-indicações. “Se ele atende a necessidade técnica da instalação, ele só traz benefícios a quem utiliza o local”, garante o especialista da Conduscabos.

Vale lembrar que a instalação dos cabos não halogenados não demanda nenhuma exigência e/ou recurso técnico específico para a sua execução. “O que diferencia este tipo de cabo é a sua forma construtiva, a instalação é similar aos dos cabos comuns, sendo que em alguns casos aplica-se o cabo diretamente nas eletrocalhas, sem necessidade de proteções extras”, diz Edson Oliveira.

Como em todas as instalações elétricas em baixa tensão, recomenda-se sempre que para o projeto e a execução sejam seguidas as prescrições da NBR 5410 (Instalações elétricas de baixa tensão). Além disto, é importante observar os requisitos da NBR 13570 (Instalações elétricas em locais de afluência de público). Os requisitos especiais da instalação são definidos nestas normas de acordo com a classificação dos locais das instalações (BD2, BD3 e BD4), e não em função dos tipos de cabos utilizados.  

As normas técnicas para produtos não halogenados são: NBR 13248 de 09/2014: Cabos de potência e condutores isolados sem cobertura, não halogenados e com baixa emissão de fumaça, para tensões até 1 kV – Requisitos de desempenho; NBR 5410 de 09/2004: Instalações elétricas de baixa tensão e NBR 13570 de 02/1996: Instalações elétricas em locais de afluência de público – Requisitos específicos.

Indagado se o mercado está bem organizado sob este aspecto, Tiago Souza (foto), gerente Comercial de T&I do Grupo Prysmian diz que para aplicações e instalações que exigem o uso de cabos livre de halogênios ainda há muito a melhorar, principalmente por desconhecimento técnico dos usuários e a falta de fiscalização das entidades competentes. “Para termos uma ideia da dimensão da oportunidade de crescimento do uso desse tipo de cabo, na Europa, por exemplo, temos países com 100% de aplicações com cabos LSZH”, compara.

Nelson Volyk, da SIL, observa que os cabos não halogenados não costumam ser alvo dos maus fabricantes, pois necessitam de extrusoras maiores e específicas para os compostos, e com um isqueiro é facilmente identificado se o produto é não halogenado ou convencional. “Basta queimá-lo, se a fumaça for preta, densa e o cheiro for forte, não é um cabo não halogenado, e se ela for fraca, branca e com cheiro aceitavel ao ser humano, trata-se de um cabo não halogenado”, explica.

Alexandro Pedroso da Silva, da IFC/COBRECOM lembra que os cabos não halogenados têm certificação compulsória.

Sobre as principais novidades em termos de desenvolvimento tecnológico dos cabos não halogenados, Edson Oliveira destaca que inicialmente o composto não halogenado era obtido somente por meio de importação, mas com o passar do tempo, alguns bons fabricantes nacionais desenvolveram grades, que atendem perfeitamente esta família de  cabos. “Outro ponto que melhorou muito é a processabilidade do produto nas linhas de extrusão. No passado era um material difícil e pesado de ser processado, mas atualmente, essa situação evoluiu”, conta o especialista da Conduscabos.

Situação do mercado

Tiago Souza, do Grupo Prysmian, estima que o mercado de cabos não halogenados movimenta aproximadamente R$ 500 milhões, mas tem potencial de dobrar de volume nos próximos anos, principalmente com a consolidação de empresas aumentando a profissionalização, além da digitalização, que vai acelerar o nível de educação e conhecimento técnico dos usuários. “Os mercados que demandam esse tipo de produto são aqueles ativos/ construções que, na sua utilização/fim, concentram grande número de pessoas, como hotéis, shopping centers, data centers, metrôs, igrejas, hospitais etc”, comenta.

Nelson Volyk, da SIL, entende que o mercado nacional ainda é pequeno, embora crescente. “Estima-se que o volume represente um percentual inferior a 5% de todo o volume de fios e cabos para baixa tensão”, esclarece. Segundo Volyk, as novas construções impulsionam esse mercado, como construção de hospital, obras públicas para locais de grande concentração de pessoas, teatros, estações de metrô, grandes edifícios comerciais, entre outros. “Mas também é utilizado na reforma, passando a instalação antiga para não halogenada e deixando o local mais seguro”, complementa.

Para Gilberto Alvarenga (foto), gerente de Negócios Estratégicos da IFC/COBRECOM é possível dizer que o mercado dos cabos não halogenados cresceu muito nos últimos anos e estará em constante crescimento nos próximos anos, até pelo fato do produto ser largamente utilizado em grandes obras. “Tanto as novas construções como as reformas e projetos de ampliação apresentam excelentes perspectivas de bons negócios. Os produtos da IFC/COBRECOM estão presentes em importantes obras pelo país, como aeroportos, hospitais, estações de metrô, usinas solares e em projetos de grandes indústrias”, enumera Alvarenga.

Sobre o andamento das vendas no momento, Tiago Souza diz que deveríamos ter um crescimento acentuado, em se tratando de uma evolução de tecnologia e aumento do nível de segurança e performance das instalações elétricas no Brasil. Porém, prossegue ele, devido aos impactos da pandemia, os volumes estão estáveis, comparados a anos anteriores. “Setores como o hoteleiro e o de shoppings centers seguem impactados negativamente, já na contramão disto temos os segmentos de data centers e hospitais crescendo”, exemplifica

Nelson Volyk conta que tem havido crescimento nas vendas em função do crescimento contínuo da construção civil, principalmente no que envolve infraestrutura. “As previsões são otimistas, com a retomada da economia prevista pós-pandemia e pela necessidade do andamento das obras de infraestrutura em todo o país”, analisa.

Segundo Gilberto Alvarenga, com a pandemia da Covid-19 e a crise econômica vivida pelo país, as vendas estão estáveis. Ele acredita que assim que o país voltar à normalidade e as grandes obras forem retomadas haverá o crescimento nas vendas. “Acreditamos que entre o segundo semestre deste ano e o início do ano que vem, a economia do país volte a crescer e com ela o aumento na demanda das grandes obras e projetos que garantirão o crescimento nas vendas não só dos cabos não halogenados, como também de nossos outros produtos”, vislumbra.

De acordo com Francisco Alexandre de Sousa Neto, executivo do Departamento Comercial da Conduscabos, em que se pese a atual situação do mercado mundial, essa linha de cabos tem tido uma boa saída, haja vista as construções de hospitais de campanha e ampliação de hospitais em geral: “Podemos dizer que há um crescimento na venda dessa linha e consequentemente a Conduscabos tem um crescimento comercial também”. A perspectiva da Conducabos é de que ocorram grandes investimentos em equipamentos que utilizam esses cabos, como hospitais, estações de metrô, escolas, shoppings entre outros, o que automaticamente gerará um crescimento nas vendas. Indagado sobre o que precisa acontecer para que o mercado brasileiro de cabos não halogenados apresente um crescimento acelerado, Tiago Souza diz que é preciso avançar nos aspectos da educação e da fiscalização. “O mercado deve fazer seu papel crescendo nos próximos anos, pois temos déficit de estruturas que demandam esse produto, como hospitais, gestão de dados através de data centers, metrôs, hotéis, entre outros. No entanto, para captarmos 100% dessa demanda em cabos livre de halogênios, devemos reforçar a educação e a conscientização dos profissionais que especificam e instalam esses tipos de projetos, bem como fiscalizar a execução. Temos um caminho longo de conscientização e aumento da capacitação técnica no Brasil, porém, ano a ano, estamos avançando”, comenta o executivo da Prysmian.

De acordo com Nelson Volyk, com a revisão da norma NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão que está acontecendo atualmente, pode vir novidade em relação ao uso de cabos convencionais e cabos não halogenados em locais classificados como BD2, BD3 e BD4, pois na versão atual da norma, mesmo com essa classificação do local, se os condutores estiverem em eletroduto dentro de parede de alvenaria ou eletroduto metálico ele pode ser convencional. “Uma mudança nesta regra pode aquecer esse mercado, e quem sabe deixar as instalações elétricas com essas classificações mais adequadas”, informa.

Gilberto Alvarenga defende maior união do mercado no sentido de produzir materiais elétricos de qualidade e principalmente seguros, confiáveis e de alta qualidade. “Também é fundamental maior conscientização das empresas e profissionais e consumidores de condutores, da importância e dos beneficios do uso de cabos não halogenados, pois o produto garante principalmente a segurança das pessoas”, alerta.

Francisco Alexandre de Sousa Neto, da Conduscabos espera que haja uma conscientização maior de que a utilização desta linha de produtos aumenta a segurança das pessoas. “Que o ambiente onde o produto estará instalado será adequado para a eventualidade de um incêndio, e que isso poderá salvar vidas. E também que este produto pode ser utilizado em qualquer lugar, independentemente da quantidade de pessoas que frequentam o ambiente”, conclui.

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