Investimentos renováveis

Fontes renováveis de energia, como solar fotovoltaica e eólica, garantem um expressivo volume de investimentos e a geração de empregos de qualidade no Brasil.

As fontes renováveis de energia têm dado uma importante contribuição para a geração de empregos e fomento de negócios que proporcionam o crescimento econômico do Brasil. Neste ano, mesmo com o cenário de pandemia da Covid-19, as fontes não hídricas, como solar fotovoltaica e eólica, tendem a continuar contribuindo significativamente para o desenvolvimento do País.

De acordo com dados divulgados em março pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), essa fonte ultrapassou a marca dos 8 gigawatts (GW) de potência operacional no Brasil, distribuídos em usinas de grande porte e pequenos e médios sistemas instalados em telhados, fachadas e terrenos.

A entidade informa ainda que o País concentra mais de 411 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, atendendo a mais de 514 mil unidades consumidoras. A tecnologia solar fotovoltaica já está presente em todos os estados brasileiros, gerando desenvolvimento local e empregos em mais de 5 mil municípios.

Desde 2012, a energia solar fotovoltaica recebeu mais de R$ 40 bilhões em novos investimentos e gerou mais de 240 mil empregos. Somente em 2020 o segmento recebeu mais de R$ 13 bilhões em investimentos, incluindo as grandes usinas e os sistemas de geração em telhados, fachadas e pequenos terrenos. No ano passado foram criados mais de 86 mil novos empregos no Brasil na área.

Em 2021, segundo estimativa da ABSOLAR, a energia fotovoltaica deverá gerar mais de 147 mil novos empregos, distribuídos por todo o País.

Neste ano os novos investimentos privados no setor poderão ultrapassar a casa dos R$ 22,6 bilhões, somando os segmentos de geração distribuída (sistemas em telhados e fachadas de edifícios) e centralizada (grandes usinas solares). A maior parcela dos postos de trabalho – por volta de 118 mil – deverá ser criada no segmento de geração distribuída. Aliás, dos R$ 22,6 bilhões de investimentos previstos para este ano, a geração distribuída corresponderá a cerca de R$ 17,2 bilhões.

Márcio Takata (foto), conselheiro da ABSOLAR, observa que a energia solar é uma tecnologia que demanda um volume importante de mão de obra, em áreas como projeto, venda e instalação: “É um segmento que demanda muito talento humano ao longo de sua cadeia, seja nas grandes usinas, seja na geração distribuída”.

Takata observa que um dos pontos positivos desse setor é que ele acaba demandando profissionais de diferentes áreas de atuação, como administrativo, marketing, comercial, engenharia, montagem, etc. “Este é um setor que vem agregando profissionais nesse novo conceito cada vez mais presente nas empresas brasileiras, que é a digitalização”.

O conselheiro da ABSOLAR destaca que as oportunidades estão espalhadas por todo o Brasil. “Sobretudo em um momento em que o País precisa de novas oportunidades de desenvolvimento e emprego, a ampliação e desenvolvimento do setor solar presta uma importante contribuição para a formação de empresas e capacitação de pessoas. Ou seja, há um fator social e econômico bastante importante”, analisa.

Outro fator a se destacar é que a área solar fotovoltaica gera empregos ‘de qualidade’, muitas vezes exigindo algum nível de especialização. “São demandados profissionais com formação e com certificação, inclusive certificação de segurança – para a própria segurança do trabalhador e para a qualidade das instalações. É muito importante naturalmente que os profissionais se preparem para poder atuar no setor de forma eficiente”, recomenda Takata.

Os meios para se preparar existem. “Cada vez mais as universidades vêm cobrindo esse tema, e existem empresas que promovem cursos de capacitação nesse setor, sejam de perfil mais técnico, seja de perfil regulatório”, atesta Takata.

Conforme mencionado, o setor demanda diferentes perfis de profissionais, tanto das áreas de engenharia e tecnologia, que vão se envolver diretamente no projeto, dimensionamento, planejamento e instalação das usinas fotovoltaicas, quanto também os profissionais que vão fazer a gestão das empresas, incluindo o lado comercial, vendas e marketing. “É uma oportunidade bastante importante, seja para os jovens que estão iniciando a carreira agora, finalizando a graduação, seja para os profissionais que já trazem uma bagagem de outros setores”, comenta Takata.

Rodrigo Sauaia (foto), CEO da ABSOLAR, destaca que a energia solar terá uma função cada vez mais estratégica para o atingimento das metas de desenvolvimento econômico do País e ajudar na recuperação da economia após a pandemia, já que se trata da fonte renovável que mais gera empregos no mundo. “Este será um ano radiante para o mercado solar fotovoltaico brasileiro. A solar é a fonte renovável mais competitiva do País e uma verdadeira alavanca para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, com geração de emprego e renda, atração de investimentos, diversificação da matriz elétrica e benefícios sistêmicos para todos os consumidores brasileiros. O Brasil tem tudo a ganhar com a fonte e está avançando para se tornar uma grande liderança mundial neste setor, cada vez mais estratégico no mundo”, comenta Sauaia.

“Nas crises de 2015 e 2016, o PIB do Brasil foi inferior a -3,5% ao ano, mas o setor solar fotovoltaico cresceu mais de 100% ao ano. Com isso, ajudamos na recuperação do País. Agora, passada a fase mais aguda desta pandemia, a energia solar fotovoltaica irá novamente alavancar a recuperação do Brasil. A solar será parte da solução, tanto para a nossa sociedade, quanto para o meio ambiente”, complementa Ronaldo Koloszuk (foto), presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR.

Tendência

De acordo com Márcio Takata, as novas fontes de geração renovável crescem no mundo inteiro por uma necessidade muito importante que é a ampliação do processo de descarbonização da economia. “O mercado solar vem crescendo bastante ao longo dos últimos anos e mesmo num cenário de pandemia apresentou crescimento. Isso é uma sinalização bastante importante da relevância dessa transição que ocorre aqui no Brasil também. Essa tendência de descarbonização, de um olhar mais sustentável, incluindo os conceitos de ESG (ambiental, social e de governança corporativa) vem aumentando, mesmo nesse cenário de crise”, analisa.

Indústria eólica

De acordo com Elbia Gannoum (foto), presidente da ABEEólica (Associação Brasileira da Indústria Eólica), a energia eólica tem um importante papel no processo de retomada econômica do Brasil.

A fonte ocupa hoje o segundo lugar na matriz elétrica do País, representando cerca de 9%. “É uma trajetória virtuosa de crescimento sustentável no Brasil, compatível com o desenvolvimento de uma indústria que foi criada praticamente do zero no País – o que foi o grande desafio deste período. Há dez anos, tínhamos pouco mais de 0,6 GW instalados e hoje temos 17 GW de capacidade instalada em mais 660 parques e com mais de 8.000 aerogeradores em operação”, menciona Elbia.

Segundo informação da Bloomberg New Energy Finance, o investimento no setor eólico brasileiro entre 2011 e 2019 chegou a US$ 31,3 bilhões.

Elbia destaca que a energia produzida pelos ventos é renovável; não polui; possui baixíssimo impacto ambiental; contribui para que o Brasil cumpra o Acordo do Clima; não emite CO2 em sua operação; tem um dos melhores custos benefícios na tarifa de energia; permite que os proprietários de terras onde estão os aerogeradores tenham outras atividades na mesma terra; gera renda por meio do pagamento de arrendamentos; promove a fixação do homem no campo com desenvolvimento sustentável; gera empregos que vão desde a fábrica até as regiões mais remotas onde estão os parques e incentivam o turismo ao promover desenvolvimento regional.

“Além de estarmos nos destacando ano a ano no cenário global do mercado de energia eólica, o Brasil também está contribuindo para um futuro sustentável para nosso planeta. Existe, portanto, uma grande importância da eólica para a retomada econômica, não apenas seu potencial de crescimento, mas também pelos empregos que gera e principalmente pelo fato de significar um negócio que contribui para uma retomada econômica sustentável”, comenta a presidente de ABEEólica.

A geração de empregos é um dos impactos positivos da atividade da energia eólica. Segundo a ABEEólica, a cada MW de capacidade instalada são gerados cerca de 15 postos de trabalho. “O que significa que, num ano em que foram instalados cerca de 2 GW, como foi o caso de 2020, cerca de 30.000 postos de trabalho direto e indireto foram necessários”, informa Elbia.

A formação acadêmica para atender a área eólica é uma atividade que tem se desenvolvido muito, tanto no caso de universidades e faculdades, como no caso de cursos técnicos ou formações mais específicas.

A diversidade de ocupações existentes no setor de energia eólica é ampla. São demandadas funções como advogado, engenheiro, especialista em logística, vendedor, motorista, trabalhadores em geral, tecnólogo, técnico e pesquisador. Grosso modo, a área se divide em segmentos como desenvolvimento de projetos, manufatura, construção e montagem, operação e manutenção e ensino e pesquisa.

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