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Pesquisa de mercado feita pela ABREME tende a ajudar empresas do setor eletroeletrônico a planejar melhor as estratégias a serem adotadas.

A falta de estatísticas setoriais confiáveis e atualizadas é um dos diversos empecilhos que atrapalham o planejamento das empresas. A fim de eliminar esse problema, a ABREME (Associação Brasileira dos Revendedores e Distribuidores de Materiais Elétricos) acaba de finalizar uma pesquisa que deverá contribuir significativamente para a evolução desse mercado como um todo.

A pesquisa, feita junto a um grupo de fabricantes do setor eletroeletrônico, teve início em 2017 e tem agora os primeiros resultados divulgados. De acordo com o diretor-executivo da ABREME, Bruno Maranhão, a iniciativa irá ajudar as empresas no direcionamento de suas ações. “Todo o setor de revenda e distribuição tem buscado desenvolver uma visão de mais longo prazo. O mercado tem se tornado cada vez mais competitivo e complexo, estamos no meio de uma cadeia de suprimentos que envolve grandes empresas e multinacionais, por isso, uma pesquisa como essa é fundamental para que as empresas possam se projetar no futuro, pensando suas ações de forma mais estratégica e inteligente”, comenta.

O levantamento de dados estatísticos do setor não para por aqui. Muito pelo contrário, o trabalho terá continuidade e será aprimorado para que se torne uma importante referência para todo o complexo que envolve fabricantes e distribuidores. “Agora estamos para dar continuidade a ela em 2019, com os dados de 2018, a fim de torná-la a principal fonte de informação de mercado, quando se trata da revenda e distribuição. Para isso temos o desafio de ampliar cada vez mais a abrangência de itens e empresas participantes, o que tem que ser feito com credibilidade e inteligência”, destaca Bruno. Confira na entrevista a seguir os detalhes desse trabalho capitaneado pela ABREME.

 

– Que motivos levaram a ABREME a realizar essa pesquisa de mercado?

Como qualquer mercado que atinge certo grau de maturidade – caso do setor de distribuição de material elétrico -, surgiu a demanda de uma pesquisa que pudesse servir de base para a análise estratégica dos players que participam dele, sejam fabricantes, distribuidores, revendas ou empresas consumidoras.

 

– Quando começou e quando terminou a pesquisa?

A iniciativa ocorreu a partir de março de 2017, mas no mesmo ano a Diretoria identificou uma série de dificuldades não previstas, tais como garantias de confidencialidade das informações, tamanho e abrangência da pesquisa e questões relativas à metodologia de coleta de dados. Com isso, a entrega, que estava prevista ainda para o ano de 2017, foi postergada para 2018, tendo sido entregue em setembro deste ano. Esse atraso não foi nada desejável, frente às expectativas geradas, mas entendemos que uma pesquisa como essa precisa de tempo para se aprimorar e ganhar credibilidade. Tomamos esse atraso como parte de nossa curva de aprendizado, tornando tudo isso algo útil e já aplicável na próxima pesquisa.

 

– Quem foi o público-alvo da pesquisa?

Como trata-se de uma pesquisa de estimativa de mercado, o público-alvo foi composto pelos principais fabricantes de itens de material elétrico, representados por seus presidentes, vice-presidentes ou diretores, que por meio de um procedimento bastante isento e controlado, enviaram seus dados de mercado para que o compilássemos por meio da nossa parceira, o instituto de pesquisas NewSense.

 

– De que forma o público-alvo foi abordado?

A abordagem se deu inicialmente por e-mail, mas a pesquisa, em si, foi presencial. Foi enviado um calendário com as datas em que cada um dos participantes, divididos por setor, deveriam comparecer ou enviar seus representantes até a ABREME para responderem e depositarem seus formulários em papel numa urna, que foi aberta apenas nas dependências da NewSense, de forma a mantermos a confidencialidade das informações prestadas.

 

– Quantas pessoas ou empresas foram contatadas e quantas responderam?

Foram contatadas 38 empresas, das quais um total de 36 decidiu participar da pesquisa. Finalizado o trabalho, essas participantes receberam seus resultados, e esse é um ponto a ser ressaltado, pois como nosso objetivo é atrair cada vez mais empresas para aumentar nossa base de análise, apenas os fabricantes que participarem da pesquisa receberão o relatório final daqui para frente.

 

– Que tipos de questões foram feitas aos entrevistados?

Foram feitas três questões básicas: unidades vendidas totais, unidades vendidas à distribuição e volume total financeiro. Com esses dados pudemos extrapolar para as análises de preços mínimos, máximos, médios e médios ponderados, como também para os dados de volume estimado do mercado, em unidades e financeiro, o que possibilitou inferir a participação do canal de distribuição nesses volumes totais.

 

– É possível, neste momento, citar os resultados obtidos?

O mercado de material elétrico é muito carente de informação, e esta pesquisa vem completar uma lacuna importante, ao estabelecer um corte de análise relativo à participação da revenda e distribuição especializada no total do setor. Segundo nossas pesquisas, ficamos muito bem impressionados em constatar que o mercado total de material elétrico ultrapassa os R$ 17 bilhões, sendo que o mercado de revenda e distribuição corresponde a R$ 5,5 bilhões, bem distribuídos entre os quatro grandes grupos pesquisados: iluminação, fios e cabos, dispositivos e instalação, com destaque quanto ao volume financeiro ligeiramente maior para o grupo de fios e cabos.

 

– A compilação dos dados já foi concluída? Quais serão os próximos passos?

Toda a pesquisa referente a 2017 já foi concluída e entregue. Agora estamos para dar continuidade a ela em 2019, com os dados de 2018, a fim de torná-la a principal fonte de informação de mercado, quando se trata da revenda e distribuição. Para isso temos o desafio de ampliar cada vez mais a abrangência de itens e empresas participantes, o que tem que ser feito com credibilidade e inteligência. Credibilidade para que o mercado não tenha qualquer dúvida, quanto à confiabilidade das informações prestadas, e inteligência para que se comtemple cada vez mais itens, sem que isso revele ou indique por seus dados os participantes. Por exemplo, já nesta pesquisa, dados referentes aos itens de automação e motores não puderam ser divulgados pela reduzida amostra de dados, o que poderia ocasionar a identificação do participante da pesquisa. Desta forma, logo no início do ano iniciaremos o projeto para realizar a pesquisa referente aos dados de 2018, contando com o aprendizado conquistado na primeira pesquisa e com a continuidade da adesão dos atuais e novos participantes.

 

– De que forma a pesquisa irá contribuir para a evolução do segmento de distribuição de material elétrico?

Todo o setor de revenda e distribuição tem buscado desenvolver uma visão de mais longo prazo. O mercado tem se tornado cada vez mais competitivo e complexo, estamos no meio de uma cadeia de suprimentos que envolve grandes empresas e multinacionais, por isso, uma pesquisa como essa é fundamental para que as empresas possam se projetar no futuro, pensando suas ações de forma mais estratégica e inteligente. Um exemplo disso é a conclusão do potencial de desenvolvimento desse canal e de sua consolidação, pois trata-se de um mercado R$ 5,5 bilhões, como já mencionei, distribuídos em milhares de empresas de revenda e distribuição por todo o Brasil, sendo que o mercado total representa quase três vezes mais que isso. Há um potencial enorme a ser desenvolvido.

 

– O resultado dessa pesquisa ajudará a nortear que tipo de trabalho, na prática?

Empresas com horizontes estratégicos mais desenvolvidos, sejam fabricantes ou distribuidores, utilizarão a pesquisa para seus planos de marketing e de crescimento no mercado, analisando as linhas com maior volume, potencial de crescimento e participação na revenda e distribuição. Tenho a expectativa de que a pesquisa sirva de incentivo para que as empresas que ainda não pensam de forma estratégica passem a pensar assim, e ainda, que os setores de investimento, estratégico e financeiro utilizem seus dados para identificar oportunidades de negócios e investimentos no nosso setor.

 

– Como o sr. avalia o momento do segmento de distribuição de material elétrico?

Como já aconteceu, e continua acontecendo em muitos setores, no segmento de material elétrico vivemos um período de grandes transformações. A revenda e a distribuição, ao largo dos últimos dez anos, viram inúmeras mudanças: substituição tributária; novos “players” internacionais entrando e saindo do mercado; maior exigência de clientes e fornecedores; novas tecnologias, como o LED, a energia solar e a indústria 4.0. Com tudo isso, é impossível acreditarmos que a revenda e a distribuição continuará sendo a mesma pelos próximos 10 a 20 anos. Ao mesmo tempo em que esse cenário gera ansiedade e preocupação, também é fonte de muitas oportunidades, irá depender da atitude de cada empresa diante desta nova realidade.

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