A evolução das câmeras IP e sua influência

Vanderlei Rigatieri
Crédito foto: Diego Rodarte

Por Vanderlei Rigatieri*

Os primeiros sinais de recuperação da economia e o clima de otimismo após as eleições, sobretudo no que diz respeito às (boas) perspectivas de combate à criminalidade, certamente irão influenciar a comercialização de equipamentos eletrônicos destinados à segurança eletrônica.

A venda de câmeras IP – que, por sinal, estão cada vez mais sofisticadas e integradas ao nosso dia a dia graças ao advento da Internet das Coisas – aumentará em 30%. Os mercados que mais irão demandar este produto, e já a partir de 2019, são os de edifícios inteligentes e empresas de médio e grande portes. Também devemos considerar que as câmeras Wi-Fi residenciais também deverão assumir um papel importante de arrancada neste segmento.

Entretanto, é importante dizer que este cenário e esta posição de “liderança” das câmeras IP nesta arrancada se devem, em sua totalidade, ao processo evolutivo que esses equipamentos vivenciaram ao longo de sua existência. Eu, pessoalmente, acompanhei de perto esta transformação. Há mais de 15 anos, quando a WDC Networks iniciava suas atividades no Brasil, essa tecnologia começou a chamar a atenção do mercado mundial de vigilância eletrônica. Vivenciávamos o surgimento das câmeras de vigilância digitais com interface de transmissão via redes de dados TCP/IP – ou, como nós as conhecemos, as “câmeras IP”. Vale lembrar que, para o mundo de CFTV tradicional, era uma verdadeira utopia obter a mesma qualidade das imagens geradas analogicamente pelas câmeras tradicionais (que transmitiam via cabo coaxial) que a obtida por uma câmera de TV. Por isso mesmo, o nome CFTV (circuito fechado de TV) ganhou força nos anos 70.

Quanto às câmeras IP, as primeiras deste tipo funcionavam como um “web server”, ou seja, com um endereço IP que poderia ser acessado pela rede de dados e com a troca do cabo coaxial por um cabo de rede de par trançado (RJ-45). Quem não se lembra que, no início, a qualidade dessas câmeras era bem ruim? Como não recordar dos sensores, que em seu rudimentar início captavam a imagem e faziam a sua conversão em bits e bytes? E, indo mais além, impossível esquecer das redes de dados de 10 Mbps, que faziam, muitas vezes, com que a imagem que saía nos monitores dos computadores (bem lembrado, não usávamos mais monitores analógicos…) ficasse bem quadriculada.

 Posso estar sendo saudosista? Talvez. Mas, quando penso que um dos avanços dessa tecnologia foi justamente o acesso remoto das imagens, a possibilidade de armazenamento em computadores e o mais importante, ter como trabalhar nos bits e bytes gerados, não há como não celebrar essa evolução. Caso você ainda não esteja convencido, saiba que foi essa evolução que nos possibilitou identificar de com facilidade o horário da ocorrência de um sinistro, por exemplo, e que essa mesma evolução transformou para sempre o mercado de segurança eletrônica.

Os profissionais do ramo, naquela época, já tinham a plena certeza de que esse era o futuro. Só que, quando pensavam nos preços… bom, os preços eram simplesmente proibitivos. Agora, passados 15 anos, constato que tudo mudou radicalmente: as melhores imagens, por exemplo, são as geradas pelas câmeras IP, com muitos megapixels de resolução (4K, 8K e assim por diante). A tecnologia de compressão das imagens, puxada pelas transmissões 4K de TV, avançou muito. Vemos, hoje, uma redução da banda larga necessária para a transmissão e, consequentemente, do espaço em disco necessário para armazenar dias, meses e mesmo anos de gravação.

E o que dizer dos softwares que foram desenvolvidos para tratar essas imagens como se fossem “dados”? Graças a isso, hoje é possível obter coisas que, anteriormente, eram impossíveis com uma câmera analógica. Os equipamentos, hoje, vão muito além da simples gravação – agora, eles vêm com softwares embarcados. Em outras palavras, nós podemos identificar uma pessoa via reconhecimento facial ou capturar os números da placa de um automóvel e comparar as informações do veículo em uma base de dados… Mas, e os preços? Boa pergunta! Quem é do ramo acredita que houve uma redução, afinal, a indústria de tecnologia é sempre assim – conforme o volume aumenta os preços caem, e cada rodada de inovação derruba ainda mais os preços.

Isso é facilmente perceptível se analisarmos a entrada dos fabricantes chineses de grande volume no mercado brasileiro, os preços dessas câmeras despencaram no mercado mundial. É claro que os fabricantes tradicionais de câmeras estão participando firmemente desse mercado, principalmente em grandes projetos corporativos e públicos, mas foram os grandes fabricantes chineses os responsáveis por dois movimentos simultâneos: a redução drástica dos preços das câmeras IP, e o lançamento da tecnologia “turbo-HD” (TVI) das câmeras analógicas, que aumentou a resolução desses equipamentos e deu a estes uma sobrevida por meio do aproveitamento da base instalada do cabeamento coaxial.

Analisando a média de preços entre 2016 e setembro de 2018, podemos perceber que, apesar do crescimento das câmeras IP em participação, as analógicas tipo turbo-HD conseguiram avançar devido ao custo e a grande parcela de impostos na venda dos produtos mais avançados. Contudo, é notório que as câmeras IP cresceram muito nesse mesmo período, e podemos concluir que o Brasil ainda é muito sensível aos preços das câmeras só que, ao analisar o custo total de propriedade (ou seja, o custo de instalação, manutenção e os benefícios), percebe-se a vantagem competitiva da tecnologia IP.

*Vanderlei Rigatieri é CEO da WDC Networks

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