Cenário aponta para maior dependência das usinas térmicas em 2013

No entanto, Luís Gameiro, diretor da comercializadora independente de energia Trade Energy, alerta que este aspecto aumenta o preço da energia para os mercados cativo e livre.

Atualmente, o custo de operação das térmicas por razões de segurança é de cerca de R$ 700 milhões por mês, e, para o executivo, este é um fator de atenção. “O sistema brasileiro de geração de energia hoje é mais frágil e mais dependente da geração térmica porque os requisitos ambientais crescentes têm impedido o aproveitamento maior da nossa vantagem competitiva em termos de água, construindo, como no passado, reservatórios de acumulação plurianual que permitissem aumentar o grau de segurança no abastecimento. Esse fato leva, naturalmente, a um custo maior de complementação térmica, já que a energia eólica e solar, pela sua própria natureza, não conseguem acompanhar a curva diária de carga”, observa o executivo.

Ainda que este valor deva ser transferido aos consumidores, as novas diretrizes do setor, determinadas pelo governo, apontam para melhores condições. “Ainda é cedo para dizer qual o real impacto da redução de tarifas determinada na Lei 12.783/2013, por conta do repasse que deve ser feito para compensar as distribuidoras pelo gasto adicional com térmicas, mas por se tratar de uma medida estrutural, a redução estrutural no custo da energia no Brasil trará importantes efeitos globais a partir do próximo ano”, destaca Gameiro.

Para o diretor da Trade Energy, as condições para os consumidores livres poderiam melhorar. “Com a lei proveniente da MP 579, o mercado livre acabou se beneficiando apenas com a redução de encargos e do preço de uso das redes com concessão renovada. A redução no custo da energia propriamente dita  merece mais atenção, porque representa hoje quase 30% do consumo no País, na quase totalidade carga industrial ou comercial. Por isso, os benefícios nessa área seriam fundamentais para incentivar a produção e, consequentemente, o crescimento econômico sustentável do País”, alerta Gameiro.

Um dos fatores mais preocupantes para o mercado livre em 2013 é o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças), que segue oscilando em patamares elevados. “O que deve ocorrer é um movimento de alongamento dos contratos, procurando minimizar a exposição aos preços de curto prazo, já que num país de base hidráulica sempre haverá riscos de estiagem e de suas consequências no preço. Contratos por prazos mais longos têm algumas vantagens, entre elas a minimização do risco de curto prazo e a bancabilidade, pelo mercado livre, de empreendimentos de geração, permitindo atuar em conjunto com o governo na expansão do parque gerador nacional”, analista Gameiro.

 

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