EDP e INPE lançam sistema de previsão climática para gestão de redes elétricas inteligentes

Pensando nisso, a EDP no Brasil em parceira com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) lançou em abril uma nova etapa do projeto ClimaGrid, que visa contribuir de forma inovadora na implantação das redes inteligentes no País, inserindo o novo conceito de rede: a convergência no tempo-espaço de um terceiro vetor de informações – o das variáveis climáticas e ambientais, trazendo uma visão “3D” para o smart grid.

As redes inteligentes (smart grids) permitirão um avanço tecnológico que irá contribuir para a redução das emissões de CO2 e com a sustentabilidade. Segundo o gestor executivo de Desenvolvimento Tecnológico da Distribuição da EDP no Brasil, Vitor Gardiman, o consumo de energia elétrica está ligado à sustentabilidade. “O aquecimento global vem provocando alterações climáticas que estão sendo observadas em todo o planeta. Essa ferramenta visa contribuir para a melhoria da eficiência operacional e energética da empresa, ao fazer a gestão dos dados de temperaturas, umidade, pressão atmosférica, chuvas, raios intranuvem e nuvem-solo, velocidade e direção dos ventos e das tempestades severas. Na busca da eficiência operacional, o objetivo principal é o aprimoramento na gestão das equipes, trazendo melhor posicionamento frente aos eventos previstos, e na busca da eficiência energética, as variáveis climáticas podem auxiliar no uso da energia elétrica, tanto do ponto de consumo como da microprodução”, explica.

Desde dezembro de 2012, duas novas ferramentas de previsão georreferenciada usando modelo WRF (Weather Research Forecasting) e com resolução espacial de 5 km já estão funcionando: uma, que é inédita no mundo, para avaliação da probabilidade de incidência de descargas atmosféricas nas próximas 12 horas, e outra das variáveis meteorológicas – como chuva, temperatura, umidade, pressão atmosférica, velocidade e direção do vento com as mesmas características, entretanto, com até 24 horas de antecedência.

O projeto contará ainda com mapas de vegetação em alta resolução nos quais será possível avaliar a rede elétrica frente a sua exposição com a ação dos ventos, ajudando no planejamento do manuseio da vegetação e aprimorando a relação entre a preservação da natureza e a proteção dos ativos da rede.

“O projeto também prevê a sustentabilidade ambiental. Com o mapa de vegetação em alta resolução pode-se interpretar melhor a interferência da mesma sobre a rede elétrica associada à presença dos ventos, contribuindo na adoção de medidas que visam minimizar este tipo de situação e subsidiando o estudo do projeto da rede, bem como a estratégia de reposição”, afirma Gardiman.

Por meio de uma plataforma computacional avançada, o conhecimento antecipado da evolução das tempestades permite otimizar a gestão das equipes de prontidão, direcionando-as para os locais mais prováveis de ocorrência, melhorando a prevenção e o tempo de resposta de eventuais desligamentos. Tal plataforma tem contribuído para melhorias importantes na qualidade do serviço, com redução da frequência e duração de interrupção do fornecimento de energia.

Para o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, Osmar Pinto Junior, “o clima é o principal agente externo que atinge as redes de distribuição no Brasil e em todo o mundo e uma pesquisa científica como essa contribui para antecipar os efeitos das mudanças climáticas e, consequentemente, a melhora dos serviços destas empresas”.

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