Energia renovável nos mercados emergentes

De acordo com uma pesquisa elaborada pela EY (antiga Ernst & Young), esses mercados estão em ascensão devido aos ambientes de políticas energéticas estáveis e confiáveis. Enquanto países como Brasil e África do Sul têm sido alvo dos investimentos, países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Polônia estão vendo seus projetos abandonados e as saídas dos investidores devido às intervenções políticas.

“De um lado temos os países que estão revendo suas políticas energéticas, o que está levando à incerteza nos mercados. Já do outro lado, temos países que estão atraindo investidores pela implantação em larga escala de energia renovável e eliminação de barreiras, conforme vemos em mercados emergentes como o Brasil e a África do Sul”, explica o diretor Global de Energia Renovável da EY, Gil Forer.

Apesar de não estarem entre as dez primeiras posições do ranking trimestral de atratividade de investimentos em energia renovável, os países da América do Sul continuam expandindo a sua presença no setor de energias renováveis.

No Brasil, em 2013 entraram em operação 3GW de capacidade instalada em energia renovável, e quase 40GW de projetos se inscreveram para os leilões de novembro e dezembro. Outro destaque é o Chile, que continua a atrair projetos de grande escala, incluindo o maior sistema de energia solar não subsidiado do mundo. Além disso, o governo chileno dobrou sua meta de 20% de energia renovável até 2025.

Mercados como a Turquia e Tailândia também estão caminhando na mesma direção para atender a crescente demanda de energia. O governo tailandês anunciou recentemente um aumento de 51% na sua meta de energias renováveis para 2021 para quase 14GW, ou 25% do total de geração de energia elétrica – acima dos 8% gerados atualmente. Já na Turquia, os altos preços do mercado da eletricidade e um quadro de apoio robusto resultaram em aumento significativo de inscrições para os leilões de energia renováveis.

Segundo o EY, os Estados Unidos continuam em primeiro lugar no RECAI (Índice de atratividade de países em energia renováveis). No entanto, enquanto o país lançou recentemente o primeiro banco verde de Nova York, para alavancar pelo menos US$ 1 bilhão em investimentos privados para projetos de energia limpa, as preocupações quanto ao impacto dos preços de xisto e a falta de política energética em longo prazo podem aumentar a preocupação dos investidores nos próximos meses.

Outros mercados que também possuem atrasos nos investimentos nesse setor devido às intervenções políticas são: Austrália, onde o novo governo prepara uma legislação para abolir mecanismos de preços de carbono do país em 2014; a Alemanha, que é colocada em terceiro lugar no índice, mas enfrenta pressão do setor elétrico para reexaminar os subsídios de energia renováveis; e o Reino Unido, cujo aumento das contas de energia só elevou a incerteza para os investidores. Na Polônia, uma proposta de mudança de certificados verdes para licitação recebeu respostas mistas.

Todavia, nem todos os mercados estão sofrendo de indecisão política. A China, por exemplo, continua a perseguir seu ambicioso projeto solar de 35GW para 2015, ao deixar de cobrar impostos sobre a fonte solar e introduzir subsídios fiscais. Internacionalmente, a decisão da União Europeia de impor preços mínimos e quotas nos equipamentos chineses de energia solar poderá fazer com que a indústria de energia solar europeia enfrente um período de incertezas pelos próximos dois anos.

De olho no futuro, Forer conclui que “a inovação continua sendo fundamental para o setor de energias renováveis, do ponto de vista de tecnologia e financiamento. Indecisão política e complacência em relação às tecnologias maduras podem prejudicar seriamente a evolução. No entanto, enquanto alguns mercados tropeçam, o futuro é promissor para os que podem garantir uma política energética estável e confiável aos investidores”.

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