Falha na rede elétrica coincide com incêndio no Memorial da América Latina

Quinze bombeiros e um brigadista ficaram feridos ao combaterem o fogo.

Segundo a AES Eletropaulo, concessionária responsável pela distribuição de energia, ruas dos bairros da Pompéia e da Barra Funda, inclusive a avenida Auro Soares de Moura Andrade, onde fica o memorial, ficaram sem eletricidade por mais de 1h30.

A interrupção foi provocada por uma falha em um componente chamado jumper, localizado na rede de distribuição da rua Dr. Homem de Mello, que fica a aproximadamente um quilômetro do memorial. Durante a interrupção, os prédios administrativos do centro cultural ficaram sem luz, mas o auditório Simon Bolívar foi abastecido por um gerador interno.

Segundo a assessoria de imprensa do memorial, o incêndio aparentemente foi causado por um curto-circuito nos refletores localizados no teto do auditório, sobre a plateia B. Será feita uma perícia nas instalações do auditório para tentar identificar as causas do incêndio. A perícia será feita após o Corpo de Bombeiros finalizar o combate ao fogo.

Sobretensão pode provocar curto

O engenheiro eletricista Hilton Moreno, integrante do Comitê Brasileiro de Eletricidade da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), afasta a hipótese de o incêndio ter relação com o uso do gerador. “Não há nada que possa vincular o curto-circuito com o uso do gerador, que é uma fonte ‘mais fraca’ do que a própria concessionária”, explica.

A AES Eletropaulo informou que a energia foi interrompida às 13h19 e que estava totalmente restabelecida para todas as ruas às 14h58, dois minutos depois que o Corpo de Bombeiros foi informado sobre o incêndio.

O retorno da energia elétrica após a interrupção pode provocar um fenômeno conhecido como “sobretensão”, quando a eletricidade volta com voltagem bem maior do que o comum, de acordo com o engenheiro.

“A energia fica represada e, quando se restabelece, vem como um jato. Quando isso acontece, geralmente ocorre a queima de equipamentos eletrônicos e existe a possibilidade, em um grau menor, de queimar algum componente da instalação”, diz. Hilton Moreno explica que, se o equipamento danificado estiver perto de algo inflamável, existe a possibilidade de se provocar um incêndio.

LOCAL DO INCÊNDIO

O espaço atingido pelo incêndio foi o auditório Simón Bolívar, um dos ambientes do Memorial da América Latina, espaço cultural situado na Barra Funda, zona oeste da capital.

ABNT

Conforme o engenheiro, as chances de o problema ocorrer aumentam se as instalações elétricas não estiverem bem conservadas. Ele afirma que, conforme prevê uma norma da ABNT, as construções feitas a partir de 2004 são obrigadas a instalar um componente chamado DPS, que minimiza o impacto do retorno da eletricidade ao desviar parte da energia para a terra.

O Memorial da América Latina foi construído em 1989. Segundo Hilton Moreno, o espaço só seria obrigado ter o DPS se nele tiver sido realizada uma reforma de grandes proporções depois de 2004.

A assessoria de imprensa do memorial não soube informar detalhes sobre as instalações do espaço. Em nota, a Secretaria de Cultura do Estado diz aguardar que “as perícias técnicas indiquem as causas do acidente” e afirma que “tomará todas as providências necessárias para restaurar a edificação.”

Confira matéria completa. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.