Iluminação e conectividade


IA automação e a digitalização têm transformado o conceito de iluminação e este é um caminho sem volta. Uma simples troca de lâmpada já não é mais suficiente para os usuários de ambientes inteligentes. Hoje, os equipamentos e acessórios de uma casa ou de um escritório devem ser conectados para trabalharem em sintonia e da forma mais independente possível de seus usuários. Veja a entrevista exclusiva que o Account Manager da GE Current, Leonardo Lellis, concedeu à reportagem da Revista Potência sobre esta nova realidade, permeada por recursos ultra-mega tecnológicos.

-Como a conectividade foi inserida no universo da iluminação? Em que contexto isso aconteceu?
Há algum tempo, as empresas buscam soluções de eficiência energética através da instalação de luminárias e lâmpadas LED e adicionam sensores de luminosidade ou presença para potencializar a economia gerada pelo projeto. No entanto, essa estratégia de instalar sensores stand alone ainda deixa a desejar quando se verifica o quanto eles trouxeram de economia efetiva de energia. Na maior parte dos casos, essa economia é fornecida pelos fabricantes de equipamentos com dados empíricos. Partindo do ponto de que a iluminação está presente em qualquer lugar (casas, hospitais, indústrias, escritórios, etc.) e com o avanço da Internet das Coisas (IoT), esses dispositivos passaram a se conectar com a Internet e a transmitir dados em tempo real para servidores locais ou baseados na nuvem, provendo informações relevantes para que as empresas possam fazer análises e tomem decisões estratégicas com base em dados operacionais reais. Sensores de ocupação não somente enviam comandos de liga-desliga para as luminárias como também contam as pessoas presentes em um ambiente e suportam softwares que criam mapas de calor e análise do tráfego de pessoas em ambientes diversos, como uma loja de supermercado, por exemplo.

-Como ela é aplicada e integrada a outras áreas? Citar exemplos de sua funcionalidade.
Todas as informações coletadas pelos sensores são enviadas para um gateway, que é o responsável por enviar os dados para um servidor local ou baseado na nuvem. Portanto, é possível integrar diferentes sensores desde que estejam habilitados a se comunicar com o gateway. É possível ainda fazer o controle e monitoramento de outros equipamentos/ambientes utilizando a mesma infraestrutura criada para iluminação, por exemplo: motores, ar-condicionado, ventiladores, exaustores, tomadas, esteiras, refrigeradores e câmaras frias, temperatura, umidade, CO2.

-Qual a base tecnológica disponível para agregar conectividade aos sistemas de iluminação?
Para tornar um sistema de iluminação inteligente é necessário ter dispositivos IoT capazes de fazer a leitura de dados e enviar até o gateway. Uma vez que os dados cheguem até o gateway será necessário ter um servidor local ou baseado na nuvem para armazenar esses dados. Um software utilizará os dados que estão disponíveis nesses servidores para apresentá-los ao usuário de forma amigável, em tempo real e acessível, por meio de qualquer dispositivo que esteja conectado à Internet (computador, celular, tablet, etc.). Os dispositivos IoT vão utilizar as luminárias como um meio para trafegar dados. Existem diversos protocolos de comunicação disponíveis, entre eles os sistemas de iluminação inteligente GE ZigBee. Dentre as suas principais características estão: protocolo não-proprietário, que permite integração com uma gama maior de sensores; baixa taxa de transmissão de dados; baixo consumo de energia, que possibilita a utilização de sensores wireless alimentados por baterias; distâncias de transmissão de 10–100 metros da linha de visão; rede segura (protegidas por chaves de criptografia simétricas de 128 bits).

-Qual a importância da conectividade e da interatividade para criar e propiciar ambientes e cidades inteligentes? Dê exemplos, por favor.
A principal razão da conectividade é acessar informações relevantes que até o momento não eram monitoradas pelas empresas/governos de uma maneira economicamente viável e escalável. Por exemplo, através de sensores e câmeras instalados em luminárias públicas é possível monitorar o tráfego de veículos nas cidades e possíveis pontos de alagamentos decorrentes de fortes chuvas. Essas informações são extremamente relevantes não só para os órgãos de governo responsáveis, mas têm papel fundamental no bem-estar e segurança da população. No caso de escritórios corporativos, é possível analisar o nível real de ocupação dos andares e traçar novas estratégias, visando otimização de recursos e produtividade.

-Como a automação e a digitalização têm transformado o conceito de iluminação?
A Iluminação passou a ser um meio, e não mais um fim. Os pontos de iluminação têm conquistado cada vez mais valor, pois são potenciais pontos de captação de dados e possibilitam melhoria de eficiência energética e produtividade.

-O que muda em termos de investimento, desempenho e eficiência energética?
A plataforma de IoT pode ser utilizada não apenas para aplicação em um sistema de iluminação inteligente, como também pode agregar outras funcionalidades que já foram citadas. Olhando apenas para iluminação, o investimento adicional na plataforma é de aproximadamente 30%, mas é importante deixar claro que esse número varia bastante, pois não estamos falando de um produto pronto, e sim de uma solução que será customizada para atender as necessidades de cada empresa. Dependendo da estratégia de controle, a vida útil das luminárias LED pode aumentar no caso de trabalharem dimerizadas e desligarem quando os espaços não estiverem ocupados. Os benefícios adicionais de eficiência energética variam de 30% a 40% adicionais aos LEDs, porém, é importante lembrar que abrem portas para o início de uma jornada digital onde os benefícios com produtividade vão exceder mais de dez vezes o valor da economia de energia.

-Há uma boa aceitação/reação por parte dos diversos tipos de consumidores dessas soluções? Ou ainda falta conhecimento e mudança de hábitos?
Todos os clientes se encantam pela solução e pelas infinitas possibilidades de aplicação oferecidas pela tecnologia, pois, além dos ganhos mensuráveis de eficiência energética e produtividade, a plataforma traz ganhos intangíveis que facilitam o dia a dia de todas as áreas dentro de uma organização. Apesar da velocidade com que novas tecnologias são introduzidas no mercado, ainda existe um tempo de maturação das próprias organizações para conseguirem a escalabilidade esperada de uma solução onde a customização e a integração com outras plataformas é essencial. A IoT não é uma solução pontual, o que significa que, durante todo o tempo, várias áreas das empresas e fornecedores devem estar envolvidos para criar um sistema completo e coerente com as prioridades do negócio. Pode ser necessária a figura de um integrador de sistemas que pode ser um recurso interno, terceirizado ou híbrido.

-Quais os desafios e oportunidades gerados com essa nova realidade?
A Internet das Coisas (IoT) tem enorme potencial. Em 2016, os gastos globais em IoT atingiram US$ 700 bilhões e devem chegar a US$ 1,3 trilhão até 2020. Outra estimativa sugere que a IoT deverá acrescentar US$ 1,7 trilhão à economia global até 2019, o que em parte é atribuído a ganhos de eficiência. Mas esse potencial, na esfera operacional interna, muitas vezes não é efetivado. Em muitas organizações, as iniciativas de IoT projetadas para otimizar as operações não atingem suas metas nem alcançam escala significativa. Isso acontece por diversas razões, entre elas: não há um business case claro; pouca preocupação com segurança; capacidades analíticas restritas: incerteza sobre os padrões e protocolos de IoT.

-Como estamos hoje em termos de infraestrutura digital na área de iluminação? O que ela possibilita?
As luzes são onipresentes, ou seja, existem em lugares onde você pode não ter dados móveis (LTE) ou Wi-Fi. Portanto, desenvolver uma solução de IoT sobre as luzes faz sentido. As luzes já possuem energia e nenhuma fiação adicional é necessária. Fácil “pendurar” sensores adicionais na sua malha de IoT baseada em iluminação e a economia de energia obtida na iluminação ajuda a financiar a implantação de IoT. Muitas empresas provavelmente olharam ou estão olhando para o LED como parte de sua estratégia de eficiência energética e ambientes inteligentes, seja para retrofit ou nova construção.

-Aproveitando a menção ao LED, qual seu impacto na economia de energia?
Nos EUA, por exemplo, o aumento da adoção do LED tem impacto significativo no consumo total de energia. Até 2030, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) estima que a tecnologia LED poderia economizar aproximadamente 190 TWh por ano, equivalente a uma produção anual de 24 usinas de grande porte, ou seja, eletricidade suficiente para alimentar 95 milhões de residências. Ao preço de hoje, a economia obtida seria de US$ 15 bilhões. O DOE estima até 80% de penetração de LED até 2035. Atualmente, a correta implementação de iluminação a LED deve contar com sensores para a criação de um ambiente inteligente.

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