Solução para as concessionárias de Iluminação Pública

É incontestável o crescimento exponencial da quantidade de aparelhos celulares por habitante tanto no Brasil quanto no mundo. Ainda que as operadoras tenham investido pesadamente na ampliação da rede de telefonia móvel nos últimos anos, as estações de rádio base no modelo tradicional – as ERBs – não têm sido suficientes para atender a demanda em pontos específicos, como regiões metropolitanas densamente povoadas. Esse quadro motivou o surgimento de alternativas complementares ao modelo tradicional, como as Small Cells e os Postes Multiuso.

Nos países desenvolvidos, uma torre de telefonia atende entre 500 e mil aparelhos móveis, enquanto que, no Brasil, a relação é de cerca de 3,5 mil aparelhos por torre. Nas estimativas do mercado, as operadoras de telefonia no Brasil precisarão instalar cerca de 80 mil antenas, nos próximos cinco anos. Isso sem contar que, com a chegada da tecnologia 5G e novos serviços relacionados, como as smart cities e internet of things (IoT), a infraestrutura de telecom terá um novo padrão para levar os sistemas irradiantes (antenas) para mais próximo do usuário (solução chamada de street level). De acordo com estudo da Accenture (Accenture Strategy – Smart Cities, How 5G Can Help Municipalities Become Vibrant Smart Cities 2017), as operadoras de celular terão que adicionar de 10 a 100 vezes mais antenas para suprir a demanda por 5G, M2M e adensamento de redes.

Os países mais desenvolvidos sabem que barreiras para instalação de antenas em centros urbanos prejudicam o desenvolvimento e sua competitividade, afinal está provado que conectividade gera produtividade. A China é um bom exemplo disso. Desde 2015, aquele país vem instalando cerca de 200 mil antenas/ano, totalizando, em 2019, 2,1 milhões de antenas. No Brasil, o total é de apenas 90 mil.

Não há dúvida de que as cidades brasileiras terão que superar esse gap para continuarem competitivas. A adoção de soluções Small Cells e Postes Multiuso será fundamental dadas as novas exigências das redes, bem como o cuidado de reduzir o impacto visual causado pelas tradicionais ERBs.

Essa nova conjuntura favoreceu o surgimento de empresas focadas em soluções para os centros urbanos densamente ocupados. Uma delas é a brasileira SKYSITES, uma agregadora de sites urbanos para instalação de infraestrutura para antenas de telecomunicações que foi pioneira na implantação das tecnologias de Small Cells e Cell Postes (Postes Multiuso) no país.

As Small Cells são estações rádio base, de dimensões reduzidas, usadas para complementar a camada de antenas tradicionais (macro células) no atendimento de grandes áreas, com alta densidade de edificações e de concentração de tráfego. De rápida instalação, as Small Cells melhoram a cobertura nessas regiões específicas em harmonia com a arquitetura urbana. Utilizadas massivamente na implantação da tecnologia 5G, estima-se que o Brasil instalará 40 mil antenas Small Cells nos próximos três anos.

Já o Poste Multiuso (também chamado de Biosite ou Cell Poste), fabricado em material metálico e similar aos postes de iluminação pública, tem capacidade de suportar todos os equipamentos de telecomunicações no interior de sua estrutura. As antenas são percebidas como um prolongamento do próprio poste. A utilização desse formato evita a necessidade de gabinetes externos ou de uma estrutura auxiliar, além de atender todas as tecnologias (3G/4G/5G). Os primeiros Postes Multiuso foram instalados no Brasil em 2014. Hoje existem mais de 2 mil deles instalados em 100 cidades.

Essa solução, disponível para todas operadoras de telefonia, pode ser uma geradora de receitas acessórias para as concessionárias dos serviços de iluminação pública. Como elas detêm o uso do ativo poste de iluminação, essas empresas podem utilizá-lo também para receber a tecnologia de transmissão de telecomomunicação, além de usá-lo como conectividade para outros serviços como câmeras de CFTV (IP), sistema semafórico inteligente e Telegestão da rede de IP, gerando novas receitas. Isso com a vantagem de não precisarem bancar o investimento em infraestrutura, custos na obtenção de licenciamento e de manutenção dos equipamentos de telecomunicação. Esse investimento fica a cargo da empresa contratada para instalar os equipamentos (Small Cells e Postes Multiuso). A versatilidade é outra vantagem. Em cada ponto selecionado poderão ser instaladas diferentes combinações entre as soluções Small Cells e Postes Multiuso, conforme a necessidade de cobertura de sinal ou de capacidade do sistema celular.

Estudos mostram que empresas como a Skysites têm condições de estimar a demanda potencial de novas antenas (incluindo a tecnologia 5G) permitindo às concessionárias prever o montante de receitas acessórias advindas de contratos com as telecom. Receita essa que poderá subsidiar a implantação de sistemas de telegestão, necessários hoje para dimensionar e controlar a economia trazida pela substituição de luminárias convencionais pelo sistema LED.

Artigo escrito por Sérgio Amalfi Porto, membro do comitê de Telegestão da ABCIP (Associação Brasileira da Concessionárias Privadas de Iluminação Pública) e vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Skysites

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