Como reduzir custos operacionais em até 40% na média tensão com tecnologia baseada em ar puro

Plataformas como o AirSeT ajudam a eliminar uma das principais
 fontes de emissões de Escopo 3 na infraestrutura elétrica

A transição para tecnologias livres de hexafluoreto de enxofre (SF₆) na média tensão vem ganhando força globalmente devido ao seu impacto direto na eficiência operacional e no custo total de propriedade (TCO). Nesse contexto, a Schneider Electric, líder global em tecnologia de energia, desenvolveu o AirSeT, uma plataforma de equipamentos baseada em isolamento em ar puro e interrupção a vácuo. A solução foi reconhecida pela Aliança de CEOs Líderes Climáticos do Fórum Econômico Mundial como Campeã do Desafio de Soluções voltadas ao uso dos produtos de Escopo 3 na categoria Design Sustentável.

Com a substituição do SF₆, gás com potencial de aquecimento global 24.300 vezes superior ao CO₂, por ar atmosférico, a tecnologia elimina uma das principais fontes de emissões de Escopo 3 associadas à infraestrutura elétrica. Essa mudança também impacta diretamente a estrutura de custos ao longo do ciclo de vida dos ativos, com reduções que podem chegar a 40% em manutenção. O ganho vem principalmente da simplificação do sistema e da eliminação de etapas de funcionamento recorrentes.

Nos instrumentos convencionais isolados a gás, uma parcela relevante do custo operacional está ligada justamente à gestão do SF₆, contemplando o monitoramento contínuo de pressão e densidade, detecção de vazamentos, reposição de gás e controle de inventário. O suporte técnico exige procedimentos específicos, mão de obra qualificada e equipamentos dedicados, assim como um ambiente regulatório cada vez mais exigente em rastreabilidade, transporte e descarte.

“A plataforma AirSeT elimina esses gastos ao substituir completamente o SF₆ por ar atmosférico como meio isolante, o que dispensa aparatos de monitoramento de densidade, circuitos pressurizados e qualquer rotina de recarga ou controle de inventário de gás”, afirma Fabio Castellini, diretor de Power Systems da Schneider Electric. “Trata-se de uma inovação que reduz a complexidade operacional de modo estrutural e remove toda uma camada de componentes ligados ao isolamento gasoso.”

Simplificação da operação e redução da complexidade técnica

A própria arquitetura, baseada em interrupção a vácuo e isolamento em ar, contribui para essa redução. O projeto eletromecânico fica mais simples, com menos partes móveis, menos selagens e menos subsistemas auxiliares. Na prática, são diferenciais que diminuem a probabilidade de falhas mecânicas e mitigam a necessidade de intervenções ao longo da vida útil do dispositivo.

Outro ponto importante está no efeito direto das manutenções em campo. “Em sistemas tradicionais com SF₆, qualquer intervenção costuma envolver despressurização, etapas adicionais de segurança e validações específicas. Com o AirSeT, o processo tende a ser mais direto, modular e seguro, com menor dependência de especialistas em gases industriais. Essa dinâmica se traduz em menos horas de manutenção e menor gasto de mão de obra”, acrescenta Castellini.

A digitalização embarcada, apoiada por plataformas como o EcoStruxure, reforça esse movimento por permitir estratégias de intervenção baseadas em condições do equipamento. Essa inteligência dispensa inspeções desnecessárias, evita paradas programadas em excesso e diminui a probabilidade de falhas inesperadas, o que melhora a disponibilidade operacional e contém as despesas indiretas associadas ao tempo de inatividade.

No conjunto, esses fatores explicam a redução de até 40% nos custos de inspeções e reparos ao longo do ciclo de vida dos ativos, segundo dados do fabricante. O resultado vai além da economia imediata e indica uma transformação mais ampla na forma como mecanismos de média tensão são projetados, operados e mantidos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.