Descarte de lixo eletrônico

O Brasil produz anualmente cerca de 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico, segundo a estimativa da Plataforma para Aceleração da Economia Circular (Pace), e apenas 3% do material é coletado e tem um destino correto. Uma pesquisa feita pela ABINEE também coloca o Brasil como o quinto maior produtor de lixo eletrônico no mundo. 

Embora seja um desafio comum a todas as pessoas, afeta principalmente as empresas que substituem com frequência o seu parque de equipamentos. Computadores, fones, notebooks, tablets, mouses, celulares, teclados, impressoras, fios e cabos possuem componentes extremamente nocivos ao meio ambiente, que vão desde plásticos, sucatas metálicas a resíduos químicos. 

Por esse motivo, as empresas têm sido demandadas pelo mercado, pelos investidores e até pelos próprios consumidores a mudarem suas atitudes em relação à sustentabilidade. Tanto que a agenda de ESG tem sido cada vez mais prioritária nas companhias. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) apontou que 95% das empresas brasileiras têm esse olhar mais estratégico. Recentemente, um novo índice GPTW da bolsa voltado para as práticas ESG foi criado.   

“O que a gente tem percebido, felizmente, é que cada vez mais o mercado e a sociedade estão olhando as empresas que estão realmente preocupadas com toda a questão ambiental. Isso tornou-se fator decisivo para os negócios e para a valorização da marca”, ressalta Edson Barbasia, executivo de negócios da Cintitec Ambiental, empresa que atua na implementação e gestão de logística reversa de resíduos sólidos e sucata eletrônica para reciclagem e destruição de dados. 

Um dos focos do trabalho da Cintitec é ajudar às empresas geradoras desse tipo de resíduo, principalmente as de tecnologia da informação, a implementarem as ações para enquadrarem-se no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010), pensando não somente com as questões relacionadas ao meio ambiente, como também sociais. 

Esse trabalho inclui desde a coleta, transporte e a própria reciclagem do material, com a separação adequada de todos os componentes e destinação final correta, seja ele um resíduo perigoso, um metal ou plástico. Desta forma, além de resolver o desafio de reduzir impactos no meio ambiente e de liberação do espaço físico, também alimenta a economia circular, permitindo que os resíduos tratados sejam utilizados pela indústria de diversos setores para a fabricação de novos produtos. 

Barbasia destaca que, diante das exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, o descarte do lixo eletrônico torna-se ainda mais necessário. As empresas precisam sentir-se seguras de que seus dados e os dos seus clientes estejam protegidos e livres de qualquer vulnerabilidade. Desta forma, além de fazer todo o descarte correto e a separação dos materiais eletrônicos, todos os equipamentos passam por um tratamento adequado. É feito o controle de número de série das mídias, como HD, SSD e fitas magnéticas e a destruição de dados, impossibilitando a recuperação de dados.

Adequação à LGPD, inclusive foi um dos pontos que direcionou à Cadmus, empresa 100% brasileira com 27 anos de atuação no mercado de tecnologia, nesse caminho do descarte eletrônico. Antes, os equipamentos obsoletos eram usados como moeda de troca nos momentos de necessidade de modernização do parque. No entanto, essas questões regulatórias, o crescimento no volume de lixo eletrônico evidenciado nos últimos dois anos, somada a uma preocupação em desenvolver melhor os pilares de ESG (Environmental, social, and corporate governance) na companhia levou à Cadmus a repensar essa estratégia de descarte. 

Os equipamentos que não estão em uso pelo time e obsoletos passam por uma avaliação interna da equipe de TI. Os em condição de uso são doados e os que não podem ser aproveitados são encaminhados para a reciclagem. Esse projeto está sendo conduzido pela Cintitec, que além de fazer todo o processo de coleta e destinação dos resíduos, apoiou no cadastro do sistema on-line da CETESB, chamado SIGOR (Sistema Estadual de Gerenciamento On-line de Resíduos Sólidos), que é responsável pelo  monitoramento e gestão dos resíduos sólidos desde sua geração até sua destinação final, e permite o gerenciamento das informações referentes aos fluxos de resíduos sólidos no Estado de São Paulo.

“Fizemos uma intensa pesquisa no mercado para encontrar um parceiro tecnicamente capacitado, sério, comprometido com o meio ambiente em conformidade com todas as exigências legais. Inclusive, chegamos até a desistir da ideia em uma situação anterior, pois a empresa que estávamos em contato não apresentou um certificado atualizado. Visitamos a Cintitec e a empresa destacou-se pelo know-how e estrutura disponível e por todas as certificações de qualidade. Tudo isso porque queríamos estruturar um projeto que fosse de fato genuíno”, explica Joelma Freire, Controller da Cadmus.

A ideia, inclusive, é expandir o projeto. Além dos 200 equipamentos descartados entre notebooks, celulares e monitores, a empresa instalou em sua sede um ponto de coleta. Funcionários e até mesmo empresas vizinhas podem descartar pilhas, baterias, carregadores, celulares e outros dispositivos que não funcionam mais nesse local. 

“Muita gente não sabe onde e qual a maneira correta de descartar esses materiais e acabam muitas vezes guardando em casa ou então, o que é pior, fazendo o descarte inadequado. O nosso papel social como empresa é também atuar na conscientização de nossos colaboradores e da sociedade em geral da importância que esse tipo de ação tem para a sustentabilidade do planeta, tanto do ponto de vista do meio ambiente, como financeira”, finaliza Joelma.  

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