Os perigos dos cabos falsos

Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) divulgados no início de março, o Brasil superou a histórica marca de 8 gigawatts (GW) de potência operacional da fonte solar fotovoltaica, o que corresponde a 1,7% da potência instalada da matriz elétrica nacional.

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Apesar dos múltiplos benefícios envolvidos na geração de energia via usinas solares, é preciso ter muito cuidado na especificação dos componentes que vão integrar o sistema, especialmente os cabos elétricos que conduzirão a eletricidade por diferentes etapas até ser aproveitada pelo usuário ou empresa.

O Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos (Sindicel) emitiu um alerta sobre a existência no mercado de falsos cabos solares, ou seja, embora informem a finalidade na embalagem, eles podem não atender as normas técnicas ou não foram devidamente certificados para essa finalidade.

É por conta dessas características que, por norma (ABNT NBR 16612), o cabo utilizado em sistemas fotovoltaicos não pode ter o mesmo padrão daquele utilizado para distribuir a energia dentro de casa.

A diferença entre eles está principalmente na capacidade de suportar uma temperatura de trabalho maior por mais tempo, portanto, desconfie se o preço de um cabo solar estiver similar ao de um convencional para baixa tensão.

Os cabos solares são projetados para suportar uma temperatura no condutor em regime permanente de no máximo 90 °C, mas por segurança também devem ser capazes de suportar até 120 °C em um ambiente com uma temperatura de 90 °C por um período de até 20.000 horas.

Com opções falsas em circulação, aumentam as chances de acidentes de origem elétrica nos painéis solares, pois estes estariam operando com cabos irregulares e, portanto, mais suscetíveis a acidentes.

Uma instalação fotovoltaica exige de todos os seus componentes, entre eles o cabo elétrico, características muito específicas para resistir à exposição direta ao Sol e ao clima como um todo.

“Além do aquecimento dos cabos por conta da temperatura muito elevada, quanto mais luz solar incidir sobre essas placas, mais o sistema gerará energia e isso também vai aquecer os condutores”, explica Ivan Arca Uliana, engenheiro de aplicação do Grupo Prysmian, empresa líder mundial na fabricação de cabos de energia e telecomunicações. “O uso de produtos não conformes acarreta no rápido desgaste do isolamento e a exposição dos fios energizados, o que pode provocar um curto-circuito ou arco elétrico em corrente contínua”, alerta.

Um curto-circuito em um sistema de corrente contínua é bastante diferente de um curto-circuito em corrente alternada, já que em corrente contínua não temos ‘zeros’. Na corrente alternada, vai de zero para um máximo, seguimos novamente para zero e então vamos para um mínimo e retornamos ao zero.

“Na corrente contínua estamos sempre no máximo, não existem zeros. Conter um curto-circuito ou um arco voltaico em corrente contínua é tarefa das mais difíceis”, alerta Igor Delibório, engenheiro de aplicação do Grupo Prysmian.

O cabo solar fotovoltaico é projetado para suportar toda a rede em corrente contínua, isto é, desde a placa de geração de energia até o inversor. No entanto, em geral, eles são utilizados somente entre as placas de geração fotovoltaica e as string boxes, que são as áreas de maior incidência solar e de maior temperatura, pois, a partir desse ponto, os cabos entre as string boxes e os inversores não estão expostos a estas agressões.

Neste sistema, existem os polos positivo e negativo que são identificados por cores. Os cabos são na cor vermelha para o polo positivo e preta para o negativo. Isso facilita a instalação, prevenindo incidentes.

Por uma questão de custo-benefício, os projetistas costumam usar os cabos solares para conectar as placas geradoras às caixas que recebem os chicotes de cabos provenientes das placas (string boxes) e que, em seu interior, possuem os devidos dispositivos de proteção elétrica.

Existe a possibilidade de utilização da cor verde/amarela naqueles que serão utilizados para o sistema de aterramento, porém não é necessária a utilização de cabos solares fotovoltaicos para esse fim. Outra característica importante dos cabos solares é que tanto a isolação como a cobertura deles devem ser fabricadas com compostos não halogenados, ou seja, que não emitirão gases tóxicos ou corrosivos durante um incêndio, preservando os componentes da instalação e salvando vidas.

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