Repotencialização avança nos EUA e entra no radar do setor elétrico brasileiro

A evolução da demanda energética e a pressão sobre a infraestrutura de transmissão têm acelerado, em mercados como os Estados Unidos, a adoção de tecnologias voltadas à repotencialização de linhas existentes. A estratégia, baseada no uso de cabos avançados capazes de ampliar a capacidade de transmissão sem necessidade de novas estruturas, começa agora a ganhar espaço também no debate do setor elétrico brasileiro.

Esse foi um dos temas que estiveram em debate no Seminário Internacional de Transmissão de Energia Elétrica (Sintre), realizado nos dias 27 e 28 de maio, em Brasília, pela Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica e pelo Instituto Abrate.

“O Brasil começa a enfrentar desafios semelhantes aos observados em mercados mais maduros, especialmente diante da necessidade de ampliar rapidamente a capacidade de transmissão. Nesse cenário, a repotencialização se destaca como uma alternativa técnica relevante, por permitir o aproveitamento da infraestrutura já existente, reduzindo prazos e limitações associados à construção de novas linhas”, explica Daniel Jardim, gerente do segmento de Negócios da Belgo Arames.

Segundo Daniel, o estudo “Advanced Conductors Accelerate the Future of Transmission”, conduzido pelo Idaho National Laboratory, aponta que aproximadamente 95% das utilities norte-americanas avaliadas já implementaram ou possuem planos de adoção de tecnologias avançadas de condutores, principalmente diante do crescimento da demanda associado à expansão de data centers, eletrificação industrial e integração de fontes renováveis.

Além da ampliação da capacidade de transmissão utilizando corredores já existentes, os estudos também identificam ganhos operacionais relevantes. Em um dos casos analisados, a substituição de condutores convencionais por cabos do tipo ACSS/TW em cerca de 105 milhas (cerca de 170 kms) de linhas resultou em economia operacional estimada em US$ 440 mil por ano.

A tecnologia mais aplicada nesse contexto envolve cabos HTLS (High Temperature Low Sag), como o modelo ACSS, capazes de operar em temperaturas significativamente superiores às dos condutores tradicionais sem comprometer critérios de segurança e desempenho mecânico. A substituição dos cabos convencionais permite elevar a capacidade de transmissão mantendo a estrutura original da linha.

Com o avanço desse debate no país, o tema foi destaque na palestra “Experiências Internacionais no Uso de Cabos ACSS para Recapacitação de Linhas”, apresentada por André Alves de Sousa, engenheiro de Aplicações dos segmentos de Energia e Telecom da Belgo Arames. A empresa acompanha esse movimento por atuar no fornecimento de tecnologias em arame de aço aplicadas ao núcleo de cabos condutores utilizados em linhas de transmissão.

Segundo Jardim, o cenário brasileiro tende a aumentar a relevância desse tipo de solução nos próximos anos. “Hoje já existe uma pressão crescente sobre o sistema elétrico, impulsionada pela expansão da geração renovável, novos projetos industriais e aumento da carga em regiões estratégicas. Em muitos casos, construir novas linhas não será a resposta mais rápida ou viável”, destaca.

Além dos desafios regulatórios e ambientais para implantação de novos corredores, o setor também enfrenta restrições de prazo. Atualmente, projetos de novas linhas de transmissão podem levar mais de cinco anos entre licenciamento, aprovação, construção e entrada em operação.

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