Em um cenário de custos elevados e margens pressionadas, a gestão de energia vem deixando de ser tratada como uma despesa fixa para assumir um papel cada vez mais estratégico dentro das empresas. O acompanhamento sistemático de indicadores energéticos tem se consolidado como uma ferramenta relevante para controle de gastos, previsibilidade financeira e ganho de eficiência operacional.
Dados da Empresa de Pesquisa Energética mostram que o consumo de energia elétrica no Brasil alcançou cerca de 47,6 mil GWh em dezembro de 2025, uma alta aproximada de 4% na comparação anual. O avanço reforça a pressão sobre os custos operacionais, especialmente em setores intensivos em energia, e amplia a necessidade de uma gestão mais ativa do consumo.
Ao mesmo tempo, relatórios de eficiência energética indicam que, mesmo com o crescimento da demanda, é possível estabilizar ou reduzir o consumo por meio de ganhos de eficiência — movimento diretamente associado ao uso estruturado de indicadores.
“Quando a empresa acompanha os indicadores de energia com frequência, ela consegue identificar desperdícios rapidamente e tomar decisões mais seguras. A energia deixa de ser um custo incontrolável e passa a ser uma variável estratégica”, afirma Alan Henn, CEO da Voltera.
Entre os principais indicadores monitorados pelas empresas estão o consumo energético total, os picos de demanda, o consumo fora do horário operacional e as variações em relação ao histórico. Esses dados permitem identificar ineficiências, corrigir desvios e alinhar o consumo ao nível real de produção.
Outro ponto de atenção é a relação entre demanda contratada e demanda medida. O descompasso entre esses dois fatores pode gerar custos adicionais, seja por multas por ultrapassagem, seja por pagamento de capacidade não utilizada — mecanismo regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica. Em contratos do grupo A, ultrapassagens de demanda podem elevar de forma relevante o valor final da fatura.
Indicadores técnicos, como fator de carga e fator de potência, também ganham relevância. No caso do fator de potência, níveis abaixo de 0,92, referência adotada no Brasil, podem gerar penalidades, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.
A adoção de tecnologia tem acelerado a gestão de energia orientada por dados. Plataformas digitais, como a plataforma de gestão da Voltera, permitem o acompanhamento em tempo real, com dashboards que traduzem dados técnicos em informações acessíveis para gestores financeiros e operacionais. O uso de inteligência analítica também começa a apoiar recomendações práticas para otimização do consumo.
“Antes, a empresa simplesmente pagava o valor da fatura sem considerar que poderia adotar medidas para diminuir os custos e melhorar a eficiência energética. Hoje, ela consegue agir antes que desvios de consumo e picos de demanda impactem a fatura. Isso muda completamente a lógica de gestão”, afirma.
Além da redução de custos, o monitoramento de indicadores energéticos também se conecta às agendas de sustentabilidade e eficiência. Ao reduzir desperdícios e otimizar o uso de recursos, as empresas avançam em metas ambientais e fortalecem suas estratégias de ESG.
Na avaliação do Henn, o acompanhamento semanal desses indicadores tende a se tornar prática padrão nas empresas, especialmente diante de um ambiente de maior pressão por eficiência e competitividade.
“A energia está cada vez mais no centro das decisões estratégicas. Quem não olhar para isso com profundidade vai perder oportunidades relevantes de economia e eficiência”, conclui Henn.
