Ferramentas para eletricistas: é preciso conhecer e entender

Seja elétrica ou manual, cada ferramenta utilizada pelo eletricista deve ser corretamente escolhida e aplicada para o bem da atividade e, especialmente, do profissional.

Como acontece em qualquer área de atuação profissional, a elétrica também exige cautela na escolha das ferramentas e dos instrumentos. Tais itens asseguram que o eletricista tenha maior rapidez na execução de suas atividades, mas, mais do que isso, são de extrema importância para garantir sua segurança, uma vez que, para cada tipo de instalação (baixa ou média tensão), existe um grupo específico de ferramental.

Trazendo a questão para a realidade do autônomo, as ferramentas têm ainda como objetivo mostrar seriedade, afinal, ter uma caixa organizada e com tudo o que é necessário é uma forma de comprovar qualidade e comprometimento, de fazer bonito perante o cliente.

À primeira vista parece algo simples de entender e de aplicar no dia a dia. Entretanto, o que se observa é que muitas dúvidas ainda rondam este universo. E o que se pretende aqui é justamente dirimi-las. Todas. As ferramentas são isoladas? A rigidez dielétrica está de acordo com a aplicação? A título de ilustração, estes são dois fatores que também representam cuidados com a segurança do profissional. Utilizar um alicate impróprio para determinado nível de tensão, por exemplo, pode comprometê-la. Antes de pensar em executar o trabalho, o eletricista precisa, e deve, desejar voltar para casa íntegro.

É preciso que o profissional esteja sempre atento. Para atividades com elétrica deve-se utilizar ferramentas isoladas que suportem o nível de tensão de trabalho ao qual serão submetidas. Outro detalhe importantíssimo é entender as “Categorias de Aplicação” dos instrumentos de medição, basicamente quatro, divididas de acordo com a exposição desses dispositivos na rede elétrica. Bom exemplo são os multímetros que, mesmo aparentemente idênticos, possuem preços totalmente diferentes.

Importante salientar que, analisando, percebe-se, sim, que possuem categorias de aplicação diferentes. Um multímetro de categoria IV pode ser utilizado em um local onde a instalação exige a II, mas nunca o contrário. Infelizmente, é comum os profissionais não observarem essas características na hora de adquirir o produto e acabam correndo sérios riscos. Um piscar de olhos, um descuido, e tudo pode ficar prejudicado, implicando em um sério acidente.

Everton Moraes (foto), especialista na área elétrica e diretor do Portal Sala da Elétrica, que oferece informações técnicas do segmento de maneira simples e descomplicada, aconselha os profissionais a conhecerem de perto os fabricantes e explica que esta dúvida é indício de um problema gravíssimo relacionado à segurança: “A resposta é que a classe de emprego de um instrumento de medição é a indicação de onde e como aquele dispositivo deve ser usado, levando em conta as categorias definidas pela IEC-1010-1. Utilizar equipamento ou ferramenta no local errado pode comprometer a vida do eletricista ou, no melhor dos casos, ocasionar danos materiais”.

Everton Moraes | Sala da Elétrica
“Utilizar equipamento ou ferramenta no local errado pode comprometer a vida do eletricista ou, no melhor dos casos, ocasionar danos materiais”.

Para Julio Landaburu, gerente de Marketing da Stanley Ferramentas Manuais, além dos conhecimentos necessários para a execução da profissão, os eletricistas também precisam de muita cautela, pois estão expostos, diariamente, a riscos sérios e, em alguns casos, fatais. Para a segurança no trabalho, necessitam impreterivelmente da utilização de equipamentos adequados: “As ferramentas devem ser encapadas com sistema VDE e aprovadas pela EN60900. Hoje, existem duas normas que diferenciam estes equipamentos, o Sistema VDE Norma EN60900 e o Sistema Isolados ABNT 9699 NR10. Mas ainda assim alguns enrolam fita isolante no cabo achando que desta forma não tomarão choque”.

A Stanley fabrica linha completa de ferramentas para atender o eletricista, como alicates, chaves, tesouras, martelos, cinturões, mochilas, furadeiras e parafusadeiras – com ou sem fio com potências variadas para cada tipo de trabalho –, sopradores elétricos, serra tico-tico, marteletes e parafusadeiras de impacto com encaixe de ¼. Na gama das manuais, oferece a Linha VDE até 1.000 V e está lançando o Alicate Eletricista Multiuso 3 em 1 (crimpador), produto largamente utilizado por esses profissionais.

Já a opinião da direção da Tramontina vai bastante ao encontro do que defende Moraes, de que a segurança e a qualidade do trabalho do eletricista estão diretamente ligadas à escolha da ferramenta correta para cada serviço. Por isso, a companhia possui linhas de produtos específicas: Master, voltada aos profissionais da construção civil, como alicates universais, de corte, meia cana, chaves teste, trenas, ferramentas elétricas, entre outros, e PRO, para eletricista industrial e de redes elétricas, composta por  ferramentas especialmente projetadas para atividades em baixa tensão, até 1.000 V em corrente alternada e 1.500 V em corrente contínua. A linha oferece chaves fixas, combinadas, estrelas e ajustáveis, soquetes e acessórios, alicates, chaves de fenda e canhão, miniarco de serra, facas desencapadoras de cabos e maletas para ferramentas.

O gerente nacional de produto e engenheiro de aplicação da Fluke, Caio Tappiz dos Santos (foto), chama a atenção para o seguinte: as ferramentas devem atender os padrões de segurança em medições elétricas. Para ele, um dos pontos a verificar é sempre se o produto foi testado por laboratórios independentes como UL, CSA, TUV, pois isso garante que o mesmo atende às especificações de segurança. “Outro ponto é sempre procurar equipamentos que atendam às categorias (CAT) para cada local de trabalho. O correto é sempre procurar instrumentos com proteção contra sobrecarga. Será isso que o protegerá caso cometa um erro na seleção da escala de grandezas do equipamento”.

Caio Tappiz dos Santos | Fluke
Os eletricistas conhecem bem suas ferramentas de trabalho, mas em geral não conhecem todos os modelos disponíveis no mercado.
Detalhes que fazem a diferença

Em linhas gerais, é possível afirmar que os profissionais conhecem as principais ferramentas, no entanto, também se percebe, especialmente no dia a dia, que alguns ainda não se dão conta de certos detalhes, importantes, como categoria de aplicação ou tensão de isolação. O resultado são escolhas equivocadas pelo fato de não conhecerem as características necessárias. Uma simples chave de fenda que não tem um cabo isolado terá um valor mais baixo do que outra isolada, mas que é específica para o trabalho, ou um multímetro mais barato que não atente a categoria de aplicação e assim por diante.

Para os porta-vozes da Tramontina, os eletricistas conhecem bem suas ferramentas de trabalho. O que precisam ter é maior conscientização para que sejam sempre utilizados equipamentos isolados, tanto em instalações industriais como prediais. Somente assim evitarão choques elétricos. Prevenção e segurança nunca são demais. Normalmente, a compra de produtos inadequados acontece devido ao custo das ferramentas isoladas ser mais elevado se comparado ao das convencionais. Mas, em alguns casos, principalmente quando o eletricista é autônomo e precisa adquirir as suas próprias, acabam acontecendo compras por preço e sem qualidade.

O fator preço ainda pesa bastante na decisão do profissional na hora de escolher suas ferramentas. E isso não é nada bom. Por um lado, o simples fato do produto não ter a isolação correta para a atividade a ser executada pode comprometer a vida do profissional ou mesmo gerar um curto circuito, ocasionando um incêndio. Por outro, utilizar itens inadequados ou impróprios pode fazer com que o serviço executado não fique com a qualidade esperada e, com isso, gerar manutenção posterior desnecessária. É importante sempre ressaltar o risco tanto de vida quanto de prejuízo do trabalho com o uso de equipamentos inapropriados, observa Júlio Landaburu, da Stanley. Tal divulgação pode ser feita por meio de treinamentos ou demonstrações aos clientes, industriais ou revendas para que, assim, saibam o perigo que estão correndo em realizar trabalhos com eletricidade sem a ferramenta correta e sem norma alguma:

“O que de fato ajudará o profissional a identificar a qualidade dos produtos é se têm os selos exigidos pelo Inmetro, se estão de acordo com as normas de segurança”.

Na opinião de Caio Santos, da Fluke, os eletricistas conhecem bem suas ferramentas de trabalho, mas em geral não conhecem todos os modelos disponíveis no mercado. E este desconhecimento faz com que escolha seus instrumentos por preço. O erro mais comum é comprar equipamentos que não passaram por testes em laboratórios independentes. Outro equívoco muito comum é comprar equipamentos categoria II para medir painéis elétricos que são CAT III.

“Eletricistas mais experientes costumam comprar instrumentos de alto nível de qualidade. Reparo que os que adquirem os de baixo nível, na maioria das vezes, não têm conhecimento das categorias, nem sobre os laboratórios independentes, muito menos sobre os riscos envolvidos nas medidas que faz todos os dias. Apenas para ressaltar, todas as marcas possuem o símbolo CE (indicativo de conformidade obrigatória), isso quer dizer que o fabricante está de acordo com as normas. Entretanto, mesmo com a marcação não quer dizer que tenha sido testado por laboratório independente”, afirma Santos.

A boa notícia é que hoje, com o acesso bastante facilitado à informação, os eletricistas começam a perceber a necessidade de atentar para a qualidade de suas ferramentas. Especialmente nos sites dos grandes fabricantes é possível obter informações relevantes sobre o produto, não somente a parte técnica, mas, também, testes dos equipamentos, certificações, chancela do Inmetro, entre outros. “Em alguns casos, a ferramenta até possui o selo do Inmetro, no entanto o eletricista precisa ir além, e conhecê-las. Em casos mais particulares, até entrar em contato com o fabricante para conseguir mais detalhes. Cruzar as informações de qualidade e preço não é uma tarefa fácil, mas não se pode esquecer que, neste caso, qualidade está diretamente relacionada com a segurança do profissional”, pondera Everton Moraes.

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