Casos de incêndio revelam importância dos projetos elétricos residenciais

As sobrecargas elétricas foram a principal causa de incêndios residenciais em 2020. De acordo com a Associação Brasileira de Conscientização dos Perigos da Eletricidade (Abracopel), 50% dos registros de incêndios domésticos ocorreram por excesso de aparelhos ligados à rede elétrica – ou, muitas vezes, ligados a uma única tomada.

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Considerando as instituições, empresas e indústrias, houve um total de 583 ocorrências de incêndios por sobrecarga naquele ano, dos quais 309 foram em residências, que culminaram em 23 mortes. A principal causa, segundo a Abracopel, é o uso indiscriminado de equipamentos sem instalação elétrica adequada. Por isso, o foco do incêndio, na maior parte das vezes, veio das instalações elétricas internas – 344 incêndios e 15 mortes constatadas.

Já os aparelhos campeões de incêndio são os ventiladores de teto e os ares-condicionados, que resultaram em 99 ocorrências e 9 mortes. Para Weber Carvalho, engenheiro civil e diretor técnico da Projelet, escritório de engenharia focada no desenvolvimento de soluções inovadoras, os dados confirmam: as instalações elétricas devem ser tratadas com absoluta prioridade já na etapa do projeto.

Já João Borges, engenheiro eletricista e coordenador técnico da Projelet, explica que “é um desafio, porque cada pessoa utiliza a energia de um jeito. Um morador às vezes quer uma tomada perto da cabeceira da cama para usar o celular enquanto carrega. E ele não hesita em fazer um ‘puxadinho’ na instalação elétrica para realizar sua vontade. O resultado dessa aventura pode ser até fatal”.

Outra prática comum é acumular aparelhos ligados a uma única tomada através de T’s encaixados uns sobre os outros. Para o engenheiro eletricista da Projelet, na falta de conscientização, os escritórios de engenharia vêm assumindo a responsabilidade de entregar projetos elétricos inovadores, com soluções que superem a ‘criatividade’ do morador.

“Os usuários não sabem com o que estão lidando. Eles veem a solução, mas não enxergam os riscos a que se submetem. Por isso, nosso papel é projetar redes elétricas que atendam à demanda e inibam os remendos na rede que aumentam a periculosidade de incêndio”, esclarece Weber.

Além disso, o profissional afirma que esse comportamento acaba exigindo também um reforço no sistema de combate ao incêndio do edifício. Mas o ideal é que as pessoas usem a energia com consciência. “As instalações elétricas são uma parte bastante delicada de uma construção, mas, ao mesmo tempo, talvez sejam as que mais sofram interferência dos moradores. A quantidade de aparelhos conectados à tomada hoje cresceu, e os projetos devem atender a essa demanda. Mas há um limite que precisa ser respeitado quando se trata de eletricidade, e isso geralmente não acontece”, conclui João.

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