A Casa Rosada, imóvel histórico preservado na primeira rua de Belém, voltou a abrir suas portas para a comunidade no dia 18 de outubro. Cerca de 250 pessoas, divididas em quatro turmas, participaram de visitas guiadas gratuitas pelas ruas da Cidade Velha e pelas dependências do imóvel. O professor e historiador Michel Pinho conduziu a caminhada, evidenciando as marcas do arquiteto Antônio Landi que desde o século XVIII fazem parte da paisagem da capital paraense.
A programação integra o Projeto Circular Campina Cidade Velha e é uma iniciativa do Grupo Alubar, maior fabricante de cabos elétricos da américa latina e maior produtor de vergalhões de alumínio do continente americano. Normalmente utilizado como escritório de apoio da Alubar na capital paraense, o casarão colonial foi restaurado pela empresa em 2008, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Fórum Landi, e com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
Nesta edição, 480 pessoas se inscreveram para participar, mas para preservar o patrimônio histórico, as vagas são limitadas. “Em todas as edições até aqui, as inscrições se esgotaram em poucas horas. Isso mostra o desejo do público em conhecer não só a casa, mas a história de sua preservação e restauro e também reforça a luta pelo patrimônio junto com a iniciativa privada. Ter a Casa Rosada aberta faz com que as pessoas tenham senso de pertencimento, e isso é muito importante na sociedade de hoje”, afirma o professor Michel Pinho.
Preservação e patrimônio
A edificação, tombada em âmbito municipal pela Prefeitura de Belém e associada à obra do arquiteto italiano Antônio Landi, também abriga ambientes especiais, como a Sala Landi, que guarda um livro original do arquiteto com 59 gravuras feitas à mão; e a Sala Bolonha, voltada às pinturas de quadratura executadas por artistas italianos.
Os visitantes também puderam contemplar a exposição “Nossa Natureza é Transformar”, que reúne obras de Geraldo Teixeira, Dina Oliveira e Everaldo Farias, incluindo a instalação interativa Corda do Círio, confeccionada com cabos da Alubar.
A pedagoga Angela Silva já tinha vontade de participar da visita guiada desde edições anteriores do Circular. Para ela, conhecer de perto o patrimônio de Belém é um privilégio. “A parte que mais me chamou a atenção foram as pinturas e os traços italianos e belemenses que o Landi deixou aqui”, destaca.
Nesta edição, a Casa Rosada também integrou o Circuitinho Circular, o projeto de educação patrimonial especialmente voltado para crianças e suas famílias. A próxima abertura está confirmada para o dia 6 de dezembro, e as inscrições serão abertas uma semana antes por meio do Instagram @michelpinho.
Mônica Alvarez, gerente de Comunicação da Alubar, destaca a importância do engajamento da iniciativa privada na preservação do patrimônio. “É uma forma de, enquanto empresa, nos conectarmos com a comunidade local e com o nosso local de origem. Estamos no Pará há mais de 28 anos, contribuímos economicamente por meio de empregos, tributos e cadeia de fornecedores, mas também queremos contribuir para proteger a nossa identidade e a nossa memória cultural. A restauração e reabertura da Casa Rosada ao público é uma forma que encontramos de fazer isso”, afirma.
