Brasil precisa se preparar para os carros elétricos

O aumento das vendas dos carros elétricos no Brasil é uma realidade do presente que projeta o país para o futuro. Os números divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que só em 2020, o aumento nas vendas foi de 60%. Já a projeção realizada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que até 2035, 62% da frota de veículos no país poderá ser de automóveis elétricos. Para que este cenário seja concretizado, ainda são muitos os desafios que precisam ser enfrentados. Tal como o valor dos automóveis, a facilidade na compra dos veículos e a estruturação do país.

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Para Rodrigo Aguiar, sócio-fundador da Elev, empresa que oferece soluções para o ecossistema de mobilidade elétrica, o desenvolvimento do setor passa pelo preparo estrutural para os carros elétricos. “O Brasil precisa se tornar protagonista quando falamos dos carros elétricos. É necessário darmos um passo a mais. Existem iniciativas sendo realizadas nos mais variados locais do mundo e, neste cenário, a China e a Europa estão na frente. Estamos no momento de acordar para essa realidade pois, assim, poderemos desenvolver o setor dos automóveis elétricos e atingir metas sustentáveis em nosso futuro”, afirma.

Mas, em uma crise energética, os carros elétricos são um bom investimento? Aguiar esclarece que o impacto dos carros elétricos na matriz energética é pequeno, e mesmo que a crise permaneça, o investimento neste modelo de automóveis é sim uma solução viável. “Como especialista na área de energia posso afirmar que ao menos 15% de toda a energia elétrica consumida no país é desperdiçada – em equipamentos obsoletos ou processos produtivos equivocados, principalmente. Esse número é dez vezes maior que o consumo que os carros elétricos terão em 2035, que seria cerca de 1,5% do total de energia”, completa Rodrigo.

Os carros elétricos são muito mais sustentáveis e, por nossa matriz de geração elétrica ser predominantemente limpa, o aumento da pegada ecológica é maior ainda. Além disso, estes automóveis estão cada vez mais capazes de competir diretamente com os de combustíveis fósseis quando falamos em autossuficiência. Porém, para esses automóveis terem uma expansão maior no mercado nacional os preços ainda precisam ser mais baixos. Mas mesmo em meio à crise econômica, há formas de planejar essa aquisição, como é o caso da utilização dos consórcios.

Para Fernando Lamounier, diretor da Multimarcas Consórcios, uma das maiores administradoras de consórcios do país, o ideal para quem quer adquirir um automóvel elétrico é o planejamento. Segundo o executivo, é necessário aguardar a estabilização dos preços do mercado, e o planejamento para a compra de um automóvel elétrico no futuro pode ser uma opção mais viável no atual cenário. “Hoje, não vemos um valor elevado apenas nos veículos elétricos, mas é claro que há uma disparidade neste tipo de automóvel. Com preços altos, até mesmo pela desvalorização da nossa moeda, o melhor neste momento é o planejamento futuro”, afirma.

Muitas pessoas veem na modalidade uma forma de planejar a aquisição de bens, e este é um dos pontos que faz dos consórcios um modelo em crescimento no país. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), somente do período entre janeiro a julho deste ano, a modalidade apresentou crescimento de 56,1%, em comparação ao mesmo período de 2020. “Nós vimos o nosso setor crescer bastante. O segmento se fortalece pela facilitação que dá em um momento no qual os veículos, e aqui eu incluo os carros elétricos, estão com valores elevados, intensificados ainda mais pela pandemia”, declara.

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